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O "Circo e Teatrinho" que Alguns Vereadores Fazem nas Redes Sociais

Por: Marco Nolasco - Analista de Politicas Publicas - ENAP


A expressão "circo ou teatrinho nas redes sociais" tem se tornado comum para descrever o comportamento de alguns vereadores que, em busca de visibilidade e engajamento, transformam suas plataformas digitais em palcos de espetáculos.

Alguns vereadores se tornam verdadeiros Palhaços das Redes Sociais
Alguns vereadores se tornam verdadeiros Palhaços das Redes Sociais

Embora a intenção possa ser a de se conectar com o eleitorado, muitas vezes o resultado é a desinformação, a polarização e até mesmo o ridículo.


Esse "circo" se manifesta de diversas formas:


  • Conteúdo Sensacionalista: Publicação de vídeos e fotos com títulos chamativos, cortes de edição que distorcem a realidade ou ênfase excessiva em situações triviais, tudo para gerar cliques e compartilhamentos. O foco não é mais a informação útil, mas o impacto imediato.


  • Ataques Pessoais e Banalização do Debate: Em vez de focar em propostas e discussões construtivas, alguns vereadores usam as redes para atacar adversários políticos com ofensas, memes depreciativos e fofocas. Isso não só desvia o foco dos problemas reais, mas também empobrece o debate público, transformando-o em uma briga de egos.


  • Populismo e Promessas Vazias: A busca por popularidade leva a promessas irrealizáveis ou a ações demagógicas, muitas vezes sem base legal ou orçamentária. As redes sociais se tornam um megafone para discursos fáceis, que apelam para emoções em vez de razão.


  • "Fiscalização" Teatralizada: A fiscalização, que é uma função essencial do vereador, por vezes é encenada nas redes sociais. São vídeos dramáticos de visitas a obras, hospitais ou escolas, com o intuito de chocar e gerar comoção, mas nem sempre resultam em ações efetivas ou soluções concretas.


  • Busca por Viralização a Qualquer Custo: O objetivo principal se torna "viralizar", ou seja, fazer com que o conteúdo seja amplamente compartilhado. Para isso, vale tudo: desde desafios e dancinhas até a exploração de temas polêmicos de forma irresponsável, apenas para gerar engajamento.


As Consequências do "Circo e do Teatrinho"


As consequências desse comportamento são diversas e prejudiciais:


  • Descrédito da Política: Quando a política se confunde com entretenimento superficial, a confiança da população nas instituições e nos representantes diminui ainda mais.


  • Desinformação e Polarização: O ambiente de "circo" é propício para a disseminação de fake news e para a criação de bolhas, onde as pessoas são expostas apenas a informações que confirmam suas próprias crenças, aumentando a polarização e dificultando o diálogo.


  • Superficialidade no Debate Público: Questões complexas e sérias são reduzidas a manchetes simplistas e discussões rasas, impedindo a análise aprofundada dos problemas da cidade.


  • Foco no Individualismo: A busca pela popularidade individual muitas vezes ofusca o trabalho coletivo e a responsabilidade com o bem-estar da comunidade como um todo.


Em suma, embora as redes sociais sejam ferramentas poderosas para a comunicação e a democracia, o uso delas como um "circo ou teatrinho" por parte de alguns vereadores é uma distorção preocupante. Ele desvirtua o propósito de representação popular e contribui para a deterioração do debate público e da imagem da política do próprio vereador.


Sabemos que o uso das redes sociais por vereadores se tornou uma ferramenta quase indispensável na política moderna. Elas oferecem uma forma direta e imediata de comunicação, mas também apresentam desafios significativos.


Desafios:


  • Exposição Excessiva e Vulnerabilidade a Críticas: A facilidade de comunicação nas redes sociais vem acompanhada da exposição constante. Vereadores podem ser alvo de críticas, ataques pessoais e desinformação, o que exige um preparo para gerenciar crises de imagem e lidar com o "ódio" online.


  • Risco de Populismo e Superficialidade: A busca por engajamento pode levar alguns vereadores a priorizar posts sensacionalistas ou superficiais em detrimento de discussões sérias e aprofundadas sobre políticas públicas. A necessidade de "likes" e "compartilhamentos" pode desvirtuar o foco do trabalho legislativo.


  • Disseminação de Fake News e Desinformação: As redes sociais são um terreno fértil para a propagação de notícias falsas, boatos e desinformação. Vereadores podem ser tanto vítimas quanto, inadvertidamente, vetores de fake news, o que pode prejudicar sua credibilidade e a do próprio processo democrático.


  • Gerenciamento de Tempo e Demanda Constante: Manter uma presença ativa e relevante nas redes sociais exige tempo e dedicação. A demanda por respostas e interações pode ser exaustiva e desviar o foco de outras atividades importantes do mandato.


  • Polarização e Bolhas Sociais: O algoritmo das redes sociais tende a criar "bolhas" onde os usuários são expostos apenas a opiniões que já concordam. Isso pode dificultar o diálogo e o consenso, exacerbando a polarização política e tornando mais difícil o debate construtivo.


Como os Vereadores Deveriam Usar as Redes Sociais:

Um Guia para a Boa Prática


Para além do "circo" e da superficialidade, as redes sociais têm um potencial enorme para serem ferramentas de transparência, engajamento e proximidade entre vereadores e cidadãos. O segredo está em um uso estratégico e responsável.

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1. Priorizar a Informação Relevante e Transparente


  • Pauta Legislativa Clara: O vereador deve usar as redes para informar sobre projetos de lei em tramitação, votações importantes, emendas apresentadas e a agenda das sessões plenárias. É fundamental explicar o que cada projeto significa para a cidade e por que ele é importante.


  • Prestação de Contas Detalhada: Detalhar as ações realizadas, recursos utilizados e resultados alcançados em seu mandato. Por exemplo, se um vereador fiscalizou uma obra, ele deve mostrar as etapas da fiscalização e as providências tomadas, não apenas o momento "performático".


  • Decisões e Justificativas: Quando tomar uma decisão importante ou votar em determinado projeto, o vereador deve explicar claramente os motivos, os dados que basearam sua escolha e os impactos esperados para a comunidade.


2. Promover o Diálogo e o Engajamento Cívico


  • Canais de Sugestão e Crítica: Abrir espaço para que os cidadãos apresentem sugestões para a cidade, relatem problemas em seus bairros ou façam críticas construtivas. Responder a essas interações de forma respeitosa e proativa demonstra atenção e compromisso.


  • Consultas Públicas Digitais: Utilizar enquetes e formulários online para consultar a população sobre temas específicos que serão levados à Câmara. Isso empodera o cidadão e legitima as decisões tomadas.


  • Debates Construtivos: Promover discussões sobre temas de interesse público, incentivando a participação de diferentes pontos de vista, sempre com moderação para evitar brigas e desinformação.


3. Humanizar a Imagem com Equilíbrio


  • Rotina de Trabalho: Compartilhar momentos do dia a dia do trabalho na Câmara ou em visitas à comunidade (reuniões, estudos de projetos, fiscalizações), mostrando a dedicação e o empenho do vereador.


  • Valores e Causas Pessoais: Falar sobre causas sociais que apoia, voluntariado ou hobbies, mas sem que isso ofusque as pautas legislativas. O objetivo é criar uma conexão, não transformar o perfil em um blog pessoal.


  • Interações Reais: Responder a comentários e mensagens de forma autêntica e pessoal, sem parecer um robô ou usar respostas prontas. A genuinidade constrói confiança.


4. Usar a Linguagem Adequada para Cada Plataforma


  • Conteúdo Adaptado: Cada rede social tem sua linguagem. Vídeos curtos e diretos no TikTok ou Reels, infográficos e carrosséis informativos no Instagram, textos mais aprofundados no Facebook ou X (antigo Twitter). A mensagem deve ser adaptada ao formato.


  • Linguagem Clara e Acessível: Evitar o "politiquês" ou jargões técnicos. A comunicação deve ser simples, direta e compreensível para todos os públicos, independentemente do nível de escolaridade.


5. Ética e Responsabilidade Acima de Tudo


  • Veracidade da Informação: Sempre verificar a fonte e a veracidade de qualquer informação antes de publicar. Combater a desinformação é um dever do vereador.


  • Respeito e Urbanidade: Manter um tom respeitoso em todas as interações, mesmo ao lidar com críticas ou oposição. Evitar ataques pessoais, xingamentos ou o incentivo à polarização.


  • Cuidado com a Exposição Excessiva: Balancear a necessidade de estar presente online com a preservação da privacidade e o foco no trabalho legislativo. Não transformar a vida do vereador em um reality show.


Em resumo, o uso ideal das redes sociais por vereadores é aquele que informa, engaja e inspira, sem abrir mão da seriedade e do compromisso com o mandato. É uma ferramenta para fortalecer a democracia local, não para diminuir o debate público a um espetáculo de circo ou teatrinho pessoal.

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