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Não sou pago para isso!

Por: Kaio Feroldi Motta.

Administrador; Especialista em Gestão Hospitalar; Mestre em Organizações & Empreendedorismo, com foco em Inovação & Mercado.


Certa vez, ouvi de um funcionário uma frase que, para muitos, pode soar como lógica,, mas para o mercado está mais para um epitáfio de carreira: "Eu não sou pago para fazer isso". Tecnicamente, ele estava certo. O contrato descrevia a função X, e ele entregava a função X. Nem um milímetro a menos, nem um milímetro a mais. O problema é que, no mundo corporativo, quem se limita a ser uma peça exata do quebra-cabeça raramente é quem desenha a imagem final.

 


Não estamos falando aqui de se tornar um "workaholic" desesperado, negligenciar a saúde ou carregar o piano dos colegas preguiçosos nas costas. Isso não é carreira, é estafa. O ponto central é a diferença entre ocupar um cargo e exercer uma profissão. O funcionário "estritamente contratual" é aquele que vê o trabalho como uma troca de horas por moedas. Ele é útil, mas torna-se perfeitamente descartável assim que uma tecnologia (ou outra pessoa) mais barata apareça.


Imagine um jogador de futebol em um time pequeno de uma divisão esquecida. O salário é baixo, as chuteiras são gastas e o gramado é ruim. Se ele decidir que "não é pago para correr tanto" ou que só vai dar o seu melhor quando for contratado por um gigante europeu, esse dia nunca chegará. Ele não faz corpo mole nem gol contra por causa do contracheque; ele corre, se coloca à disposição e veste a camisa com garra justamente porque é o seu desempenho hoje que carimba o passaporte para o sucesso de amanhã (e assim como no futebol, no mundo corporativo sempre existem os olheiros, atentos ao seu desempenho).


A proatividade não é um presente que você dá à empresa, é um investimento que você faz em si mesmo. Quando você se dispõe a entender um processo além da sua mesa ou a resolver um problema que não estava no script, você está adquirindo um ativo chamado "relevância". Quem faz apenas o que lhe é pedido é um custo; quem entrega soluções e demonstra interesse genuíno é um investimento. E empresas, em tempos de crise, cortam custos, mas protegem o que gera resultados.


Essa estagnação voluntária também costuma afetar o campo do conhecimento. Há profissionais que esperam que a empresa pague por cada curso, palestra ou pós-graduação. Pensam: "Se eles querem que eu saiba mais, que paguem por isso". É um equívoco. O diploma de MBA, a especialização ou o novo conhecimento são seus, não da empresa. Se você sair amanhã, o conhecimento vai na sua bagagem. Negar-se a aprender por falta de patrocínio é o mesmo que deixar de abastecer o próprio carro porque o passageiro não quis pagar o combustível.


O mercado corporativo moderno não tem mais espaço para o "cumpridor de tabela". Aquele que se recusa a ir além, alegando que "isso não está na descrição de cargo", geralmente é o

primeiro a reclamar da falta de oportunidades ou da promoção do colega "puxa-saco" — que, na verdade, era apenas alguém que não tinha medo de ser útil. A carreira é uma construção de longo prazo e, nela, a iniciativa é o tijolo principal.


Portanto, da próxima vez que surgir uma oportunidade de fazer algo fora da sua zona de conforto, pense duas vezes antes de dizer que não é pago para isso. Pode ser que, de fato, você não receba um centavo a mais no final do mês por aquela tarefa específica. Mas é exatamente essa disposição que determinará se, daqui a alguns anos, você ainda estará brigando pelo mesmo cargo ou se estará decidindo quem serão os próximos colaboradores da sua equipe.

 

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