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Soulmates (almas gêmeas)

A Netflix estreou em 2025 uma minissérie muito interessante intitulada Soulmates. A série, que é de 2020 e foi exibida anteriormente pelo Prime, tem seis episódios que não tem conexão entre eles. Tem o formato da série Black Mirror e também se passa em um futuro próximo. A ideia é muito interessante, criativa e perturbadora: uma corporação mundial desenvolve um programa em que, por meio de um teste, que envolve neurologia, comportamento, aptidões, histórico pessoal, expectativas, a pessoa encontra o seu par ideal, a sua alma gêmea, a sua soulmate. A pessoa com quem deu o match definitivo e único, pois a pessoa pode fazer o teste apenas uma vez, tendo em vista que só existem duas almas gêmeas, a pessoa, enfim, pode ser seu vizinho, morar na mesma cidade, ou mesmo morar em um país distante. O importante, na propaganda da empresa, é que a pessoa finalmente encontrou quem lhe fará feliz para o resto de sua vida.

 

 

Quem, em algum momento de sua vida, não ficou incomodado com a felicidade alheia? Quem, em algum momento de sua vida, viu um casal feliz ao seu lado, ou andando na rua, e ficou com inveja? Quem, algum momento de sua vida, não ficou irritado ao ver fotos e vídeos nas redes sociais de pessoas felizes ao lado de sua(eu) namorada(o), esposa(o)? Sim, por vezes a felicidade alheia nos perturba; as mais das vezes por inveja ou por achar que aquilo nunca irá acontecer conosco. Nesses momentos tendemos a criar em nossa imaginação um cenário utópico em que, um dia, encontraremos a pessoa com a qual teremos um relacionamento feliz, em que todas as nossas expectativas se realizarão. Queremos alguém para compartilhar a nossa vida, para lermos os mesmos livros, para assistirmos os mesmos filmes e séries, para irmos juntos a restaurantes e bares, para irmos juntos à igreja ou ao templo, para viajarmos juntos para lugares bacanas, para termos filhos, para ir almoçar na casa dos pais ou dos sogros aos domingos... Em uma palavra, para fazer sentido a nossa vida.

 

A premissa da série, e por isso ela é também perturbadora, é que as pessoas só encontrarão a verdadeira felicidade junto de outra pessoa. É a velha analogia com a laranja: cada um é metade da laranja e só juntos formam a fruta completa; ou a, também velha, analogia da tampa e da panela. Na série, o teste para encontrar a soulmate vira uma febre mundial, em que até pessoas casadas e, aparentemente em um relacionamento estável, passam a desejar fazer o teste para saber se sua alma gêmea é a que está com elas ou ela está por aí, pronta para ser achada. As pessoas casadas ou em algum relacionamento que fizeram o teste e descobriram que sua alma gêmea é outra pessoa, instigadas pelo desejo de encontrar a felicidade plena, passam a dar maior importância aos problemas cotidianos de seus relacionamentos e, assim, acabam por termina-los. A série tem episódios muito bem elaborados que procuram mostrar a falácia de tal argumento, em que, na prática, a superficialidade do programa é evidenciada. No fundo, a procura das pessoas é por si mesmas, para encontrar-se consigo próprias e, por isso mesmo, tal idealização, por mais cientificamente respalda como parece ser, pode trazer mais infelicidade, mais frustração, do que realização.

 

Uma relação em que se coloca na outra pessoa a possibilidade de trazer a felicidade plena, pelos vários interesses em comum que elas têm, é, já de partida, colocar um peso enorme nas costas da outra. Tal responsabilidade, inerente à idealização da existência de almas gêmeas, inevitavelmente acaba em uma relação emocionalmente desigual, um desencontro de expectativas e de realidade. Por falar em realidade, por mais que ela seja por vezes cruel e sem muita lógica, e que dificilmente abriga nossas ilusões e idealizações, é justamente nela que podemos encontrar alguém para partilhar nossa vida, mas sem o peso emocional de acharmos que temos que encontrar nossa alma gêmea, pois, na minha opinião, definitivamente ela não existe.

 

 

Meu Instagram: @costajuvenalcelio

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