Mercosul–União Europeia já está em vigor: o que muda a partir de agora
- Renata Bueno

- há 2 dias
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Por Renata Bueno, ex-parlamentar italiana, advogada internacional e empreendedora ítalo-brasileira
Entrada em vigor provisória do acordo marca nova fase nas relações comerciais e já começa a impactar Brasil e Europa

O acordo entre Mercosul e União Europeia já começou a produzir efeitos concretos. Desde o dia 1º de maio de 2026, sua etapa comercial está em vigor — ainda que de forma provisória — inaugurando uma nova fase nas relações econômicas entre os dois blocos.
Poucos dias após sua entrada em vigor, os primeiros impactos já começam a ser percebidos. Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai passam a operar sob novas regras comerciais com a União Europeia, em um movimento que deve redefinir fluxos de comércio, investimentos e cadeias produtivas.
Acompanhei esse processo por mais de duas décadas, primeiro como parlamentar no Parlamento italiano e, hoje, como advogada internacional. Mais do que um acordo comercial, trata-se de uma decisão estratégica em favor da integração em um cenário global marcado por incertezas.
O que já está valendo na prática
A entrada em vigor do acordo não é apenas simbólica. Algumas medidas já estão sendo aplicadas:
* Tarifas já começam a cair: Uma parcela relevante dos produtos comercializados entre os blocos já conta com redução ou eliminação tarifária. Para outros, passam a valer cronogramas progressivos de redução, que se estendem pelos próximos anos.
* Novas regras de origem em vigor: Exportadores já precisam cumprir critérios comuns para garantir acesso aos benefícios tarifários, trazendo mais segurança jurídica.
* Menos burocracia no comércio: Procedimentos aduaneiros começam a ser simplificados, com impacto direto na redução de custos e prazos logísticos.
* Agro com novas oportunidades: Produtos como carne, açúcar, etanol e café passam a acessar o mercado europeu dentro de cotas já operacionais.
* Indústria em transição competitiva: Setores como automóveis, máquinas e equipamentos já iniciam o processo de redução tarifária, abrindo espaço para maior integração produtiva.
Além disso, o acordo já estabelece bases para maior segurança jurídica em investimentos e abertura gradual de mercados em serviços e compras governamentais.
Um movimento estratégico em um mundo instável
Em um cenário internacional marcado por tensões comerciais e rearranjos geopolíticos, a entrada em vigor do acordo envia um sinal claro: Mercosul e União Europeia optaram por aprofundar a cooperação e fortalecer o comércio baseado em regras.
Juntos, os blocos representam mais de US$ 22 trilhões em PIB e cerca de 700 milhões de consumidores, um dos maiores espaços econômicos integrados do mundo.
Desafios seguem no radar
A implementação do acordo também traz responsabilidades. Questões ambientais continuam no centro do debate e serão determinantes para a credibilidade do pacto no médio e longo prazo.
Mais do que compromissos formais, será necessário garantir execução, fiscalização e transparência.
Oportunidade em curso
Sob a perspectiva ítalo-brasileira, este momento abre novas frentes de cooperação econômica e reforça laços históricos. A Itália tende a ampliar sua presença em setores estratégicos no Brasil, enquanto o país ganha acesso mais estruturado ao mercado europeu.
O acordo já está em funcionamento. Agora, começa a fase decisiva: transformar seu potencial em resultados concretos.
Crescimento econômico, geração de empregos e desenvolvimento sustentável não serão automáticos, dependerão de como governos, empresas e sociedade irão utilizar essa nova ferramenta.
O que antes era expectativa, agora é realidade.
E seus efeitos começam a ser construídos a partir de agora.
















