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A Venezuela sob a tutela de Trump.

  • walber
  • 5 de jan.
  • 4 min de leitura

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.


Desde que Eduardo Bolsonaro se exilou nos EUA, uma possibilidade embalou o sonho de milhões de brasileiros da extrema direita; forças americanas invadindo o Brasil e sequestrando Lula e Alexandre de Moraes, reestabelecendo um hipotético governo Bolsonaro. Aconteceu, mas foi na Venezuela.



Embora amplamente sinalizado por Donald Trump, presidente americano, marqueteiro por vocação, que, apesar das bravatas, busca incessantemente seus objetivos ainda que atropele ética, amigos ou legislação, uma operação milimétrica, certamente nas telas do cinema em poucos anos, invadiu o bunker de Nicolas Maduro, ditador venezuelano, e o capturou em poucas horas, oferecendo o troféu aos holofotes da imprensa mundial algemado entrando nas celas em New York.


Missão cumprida com êxito, embora agora pareça que o day after seja ainda mais complexo. Resolver a questão do Maduro percorre caminhos óbvios, com julgamento exemplar, rígido e respeitando a legislação que resultará em condenação em situação bastante previsível. Todavia, o maior problema é a Venezuela.


A Venezuela é atualmente um país miserável, destruído pelas duas décadas de desmandos de Chaves e Maduro, porém situado sobre um mar de petróleo, a maior reserva conhecida do mundo. O domínio americano é um handicap estratégico fantástico para os próximos trinta anos, reduzindo a dependência energética e apontando para um período de tranquilidade econômica até que se busque, com menos pressão, a transição enérgica imperativa para a segunda metade do século.


Experiências anteriores mostram aos americanos um custo impróprio para gerir países atacados e resultados desastrosos para a imagem do país, mas, no caso venezuelano, a situação apresenta diversas variáveis que complicam qualquer solução simples. A hierarquia do governo Maduro está notoriamente comprometida com os esquemas de corrupção, narcotráfico, sendo provável que não de encontre nenhum parceiro com as mãos limpas e a oposição, sob o comando de Maria Corina, tem personalidade demais para atuar como marionete de Trump.


Logo, um hiato americano no governo da Venezuela é muito previsível até que as lideranças estabeleçam relações de confiança e consigam, talvez a melhor solução, uma eleição em que os candidatos favoritos estejam alinhados com os interesses de Trump e respeitem a supremacia americana sobre o petróleo, isto sem considerar a real possiblidade de resistência com o que sobrou das forças governistas ainda por um bom tempo.


Poucos parágrafos, com alguma possibilidade de antever o futuro, não traduzem as dificuldades que se apresentam para a comunidade internacional. Depois de Putin tentar impor a bandeira russa na Ucrânia, Trump invade a Venezuela, gerando um imenso desconforto nas relações multilaterais. Quem será o próximo? A China finalizando seus projetos em Taiwan?


Especificamente no caso venezuelano, é importante dividir os sentimentos. Praticamente ninguém no planeta consegue ter argumentos que defendam Nicolas Maduro, ditador, chefe ou protetor do narcotráfico, zero respeito aos direitos humanos, assassino de milhares de opositores, fraudador de eleições, desonesto até com parceiros, como no caso da dívida de quatrocentos milhões de dólares com o Brasil, Mas, definitivamente, a Venezuela não é apenas o desprezível Maduro, todavia a imposição da força sob a imunidade diplomática é um retrocesso que abre mais um precedente, permitindo se antever uma fase triste da história mundial onde a lei do mais forte prevalece, podendo estabelecer neocolônias do século XXI.


Importa ser firme na condenação à invasão americana, com a mesma força que se condena o regime ditatorial e assassino de Nicolas Maduro e perceber que nenhuma identidade ideológica, com qualquer dos lados, pode justificar que se defenda Nicolas Maduro ou Trump. Dois erros não viram um acerto em nenhuma situação.


Coloca-se pressão sobre o Conselho de Segurança da ONU, cujas regras impedem uma postura de condenação mais efetiva e uma nota forte, sem ações subsequentes ou solidariedade real da comunidade internacional, repetirá o episódio da Ucrânia, com a agravante de que o governo da Venezuela tende a ter muito menos apoio pela sua condução antidemocrática e cruel.


Mesmo o Brasil, que teve uma posição dúbia em relação à invasão da Ucrânia, onde interesses econômicos e/ou identidade ideológica falaram mais alto que a responsabilidade diplomática, pode ser contundente agora com o problema no seu quintal. Lula, até por pragmatismo, deve abandonar seu amigo Maduro e se limitar a defesa da Venezuela como nação soberana.


Repetindo a idiotice das sandálias Havaianas, quando um simples comercial, ainda que com mensagem subliminar, liberou os raivosos cães de guarda radicais da direita e da esquerda brasileira para latirem em direção ao inimigo visível, sem nenhuma preocupação em lançar um olhar isento e perceber que, em muitas situações, a solidariedade ideológica não é o único conselheiro sensato, de novo brasileiros de esquerda defendem o regime ditatorial da Venezuela e brasileiros de direita aplaudem a imposição da lei do mais forte, ambos os lados abandonando princípios elementares da decência e da ética, basilares na moderna ordem mundial, onde o respeito e a convivência pacífica, substituíram guerras armadas.


Ainda é cedo para conclusões, mas parece óbvio que dentre as principais consequências está a transferência do gerenciamento do petróleo para mãos americanas e a sinalização no horizonte da Doutrina Monroe, aquela que coloca o hemisfério ocidental como área exclusiva de domínio americano, impondo pressão sob qualquer outro organismo internacional como os Brics ou o Mercosul.


As primeiras declarações de Donald Trump apontam para uma ameaça explícita de que seu desejo expansionista não arrefeceu e, a seu critério, diversos outros países, com chefes de estado na contramão de seu roteiro, estão sob risco, resgatando as lições históricas de Napoleão, Alexandre ou do Império Romano quando seus limites territoriais eram definidos pela sua capacidade militar. No caso de Trump, é importante começar a duvidar dos limites temporais impostos pela legislação eleitoral, inclusive porque as instituições americanas já se mostraram muito aquém de suas tradições de firmeza e imparcialidade.


A operação de resgaste foi rápida e precisa, todavia tudo indica que a pauta venezuelana deve nos acompanhar por longo tempo, com efervescência ainda maior no período eleitoral.  


É apenas mais um ingrediente na indigesta briga de torcidas que virou a política brasileira, cada vez mais odiosa e cada vez menos inteligente.

 



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