A imagem que vendem… e a imagem que nos forma
- Christina Faggion Vinholo

- 17 de nov.
- 2 min de leitura
Vivemos em uma era em que a imagem se tornou mercadoria. Há cursos que prometem fortuna instantânea, métodos que garantem sucesso sem sacrifício, mentores que ensinam a “construir uma imagem irresistível” — tudo girando em torno do que os olhos podem ver. A ansiedade de parecer supera, muitas vezes, a preocupação de ser. E por trás do verniz brilhante das promessas, existe uma fragilidade assustadora: quanto mais o mundo vende imagem, menos ele forma caráter.

Mas será mesmo que fomos criados apenas para caber no molde da estética, da performance e do marketing pessoal? A Escritura responde com um estrondo: não.
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” (Gn 1:26).
Aqui não há propaganda, não há técnica, não há estratégia de visibilidade. Há um decreto eterno do Deus soberano. Antes de qualquer selfie, antes de qualquer construção de marca pessoal, antes de qualquer tentativa humana de se reinventar, já fomos marcados pela imagem dAquele que é eterno, santo, maravilhoso e gracioso.
Ser imagem de Deus não é sobre parecer; é sobre refletir.
Não é sobre status; é sobre essência.
Não é sobre projeção; é sobre propósito.
A teologia reformada sempre insistiu nessa verdade: o valor do ser humano não vem do que ele conquista, exibe ou performa. Vem do Deus que o criou, do Cristo que o redimiu, do Espírito que o transforma. Por isso, quando o mundo nos pressiona a construir uma imagem para ser aceito, o Evangelho nos chama à imagem que Deus mesmo está restaurando em nós: “E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4:24).
Na lógica do mercado, a imagem é algo que você fabrica.
No Reino de Deus, a imagem é algo que você recebe.
Na lógica da cultura, você precisa impressionar para ser visto.
Na lógica do Evangelho, você já é visto, amado e chamado por Deus — e por isso vive de maneira que O engrandeça.
Sim, é bom se vestir bem, cuidar da aparência, agir com elegância e equilíbrio. A graça de Deus nunca nos convida ao desleixo, mas ao senso de propósito. Porém, se tudo o que mostramos é impecável e tudo o que somos é vazio… então perdemos o centro.
O mundo exalta a imagem que vende;
o cristão vive a imagem que glorifica.
E esta imagem não se compra, não se aprende em curso relâmpago, não se constrói diante das câmeras. Ela se revela na vida diária, moldada pelo Espírito, ancorada na Palavra e alinhada ao caráter de Cristo — “o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1:3).
A pergunta, então, não é: Como posso parecer mais?
Mas: De quem estou sendo imagem?
Se formos imagem apenas de nós mesmos, viveremos em constante esforço, cansaço e frustração.
Se formos imagem do Deus soberano, viveremos com sentido, com verdade e com descanso — porque aquilo que Ele começa, Ele mesmo completa.
E talvez, no meio de uma época obcecada pela aparência, o maior testemunho cristão seja exatamente este: uma vida cujo brilho não vem do reflexo das telas, mas do reflexo da graça.














Comentários