2026: O GRITO DO TEMPO: REFLEXÕES PARA UM ANO NOVO EM UM VELHO MUNDO
- Sidnei Munhoz

- há 1 dia
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2026 se avizinha e a efeméride sempre nos leva a refletir sobre o passado, pessoal e coletivo, a direcionar votos a familiares, a amigos, a amigas, e, por vezes, à própria espécie humana. É um ritual cíclico que, regra geral, não se materializa, mas expressa um pouco da nossa percepção do que é conviver em coletividade ou fazer parte da humanidade.
Eu lhe desejo vida longa, saúde, resiliência, combatividade e, ao mesmo tempo, almejo democracia para todos nós. É óbvio que alguns indagarão sobre o tipo de democracia de que estou a falar. Essa é uma questão complexa, uma vez que vivemos em uma sociedade capitalista. Desse modo, esclareço que me refiro aos modelos historicamente experimentados nas denominadas democracias capitalistas ocidentais. Sublinho que esses modelos de democracia são bastante parciais, incompletos, imperfeitos e, para piorar, com a ascensão dos movimentos fascistas contemporâneos, estão sob ataque em diferentes regiões do planeta.

Observo que, contrariamente ao mito liberal, capitalismo e democracia não se complementam, mas, ao contrário, se excluem. A sociedade capitalista somente tolerou a democracia quando precisou das suas instituições para amortecer os conflitos entre as classes sociais e, assim, se autopreservar.
A democratização de parte dos regimes vigentes na órbita capitalista foi muito mais resultado das pressões provenientes das lutas organizadas pelo proletariado e, em especial, dos receios de uma hipotética expansão global da influência soviética, do que resultado de um projeto liberal capitalista. Assim, permitia-se a democratização de certas sociedades para preservar o capitalismo e evitar a possibilidade da revolução socialista.
Em decorrência do exposto, do final da Segunda Guerra Mundial até aproximadamente a década de 1980, vigoraram especialmente na Europa Ocidental regimes de bem-estar social que tinham por objetivo conter revoluções. Tratava-se de dividir para governar. Passado o risco de uma revolução mundial, as elites capitalistas globais logo trataram de demolir os Estados de bem-estar social. O que resta deles são meros simulacros do que já foram um dia.
Acrescento que as minhas aspirações expressam sentimentos genuínos situados no campo das possibilidades historicamente plausíveis de realização em nosso Tempo Presente. Como socialista, espero que a humanidade possa um dia experimentar a democracia plena, mas como realista, considero essa possibilidade distante e quase certamente irrealizável em meu tempo de vida. Assim, faço votos para que os que nos seguirão demonstrem empenho e capacidade para tornar realidade essa utopia.
Espero que você tenha resiliência e combatividade para enfrentar os desafios postos pelas injustiças da sociedade capitalista, em especial dessa nova fase de exacerbação imperial e de revigoramento dos movimentos fascistas. Espero que você se engaje na luta pelo planeta, afinal ele é a única casa que possuímos. Não temos o planeta Terra 2, o planeta B ou qualquer coisa assemelhada. Essa luta é fundamental, pois o negacionismo oferece riscos ainda maiores à sobrevivência da espécie humana e de toda a cadeia de vida existente em nossa casa, a Terra. Caso a espécie humana não mude a sua percepção sobre o universo que a cerca e sobre a sua maneira de convivência com todas as outras formas de vida existentes no planeta, ela poderá destruir a si própria e a toda a cadeia que possibilita a vida na Terra. Nesse caso, é melhor que pereça para preservar o ecossistema e a vida planetária.
Nunca o lema “Socialismo ou Barbárie” foi tão preciso – tão cruelmente verdadeiro – como o é em nosso Tempo Presente.
Em 2026, por favor, não se esqueça da Palestina. A normalização do genocídio em curso implica a continuidade do extermínio daquela população de modo meticulosamente planejado. O silêncio sobre esse genocídio significa cumplicidade. Quem se cala tem as mãos sujas de sangue. Ressalvo que embora o caso palestino seja o mais dramático, ele não é o único, pois, de fato, estamos a assistir ao crescimento dos apetites imperiais e, consequentemente, estamos a vivenciar a escalada dos conflitos em diferentes regiões do planeta. Vamos de mal a pior! Mesmo assim, eu lhe desejo um feliz 2026. Espero que possamos dar as mãos e ainda lutar por um mundo mais justo e fraterno.












Texto excelente. Faz bem à alma