Trump: déficit de sanidade que amedronta o mundo.
- Walber Guimarães Junior

- há 3 horas
- 3 min de leitura
Os Estados Unidos, que completa 250 anos de independência em 4 de julho, jamais assistiu um conflito direto e aberto entre um presidente americano e um Papa, tradição histórica do continente europeu, ainda que medieval. Todavia, o atual Donald Trump, aquele que queria o Nobel da Paz, aquele que resolveu brincar de tarifar o mundo, aquele que posta imagens como um deus, acredita que o Papa, chefe de Estado do Vaticano, chefe da Igreja Católica, deve se curvar a todas suas maluquices.

Trump ainda tiver a capacidade de levantar os olhos, abandonando o olhar fixo no próprio umbigo, talvez percebesse, até pelo olhar assustado de seus assessores que, daqui a dez séculos, haverá um outro Papa, com a mesma autoridade e linha doutrinária e ele será apenas uma anedota na história americana, uma possível referência de que o eleitor deveria optar sempre por candidatos lúcidos.
Talvez ele argumente que, na Idade Média, o britânico Henrique 4° brigou com o Papa Gregório 7º porque queria ele nomear bispos e autoridades da Igreja, ou que o francês Felipe 4° queria taxar o Clero, ou Henrique 8° que rompeu com Clemente 7° que não lhe concedeu a anulação de casamento com Catarina de Aragão, fato gerador da Igreja Anglicana, fatos que jamais comprometeram a força da Igreja e do Papa. Mesmo o poderoso imperador Napoleão Bonaparte e seu conflito com Pio 7°, com vitória inicial de Napoleão, derrotado em seguida em Waterloo e o Papa retornando como herói para Roma, por nãos e curvar ao Imperador. Mas os registros são cruéis; imperadores passam, mas o papado permanece.
A razão deste conflito foi a ameaça de Trump; “Uma civilização inteira morrerá esta noite”, em referência à resistência do Irã aos seus ultimatos. O mundo até reagiu, mas parece que todos já aprenderam que não se deve levar a sério um megalomaníaco mentiroso, ainda que extremamente perigoso. Mas o Papa Leão XIV falou mais alto por todos nós, classificando a ameaça de inaceitável, com uma verdadeira aula de bom senso, inclusive ensinando que a violência pode ser necessária, mas nunca ilimitada, nem mesmo qualquer eventual justiça de qualquer causa justifica tais meios e que a Igreja não proíbe a guerra, mas condena a barbárie.
Claro que era a enésima bravata de Trump que aos poucos corrói a credibilidade da nação americana porque estas tentativas ridículas de desmoralizar o Papa resultam apenas em desgaste para o país. Os traços psíquicos de Trump, impulsividade, narcisismo, inconsistência, estão sendo institucionalizados. A consequência é a deterioração não só moral, mas cognitiva do Estado, a incapacidade sistêmica de operar com coerência, racionalidade e lucidez.
Talvez você pergunte por que tanta maluquice ainda não teve fortes consequências internas e isto talvez se explique por diversas ações do presidente americano que, prometidas em campanha, agradam ao seu eleitor, dentre as quais citamos;
- redução do imposto corporativo de 35 para 21%;
- desregulamentação de diversos setores, submetidos, agora, a uma única regra, principalmente o ambiental;
- aperto na política de imigração, no limite do bom senso;
- alteração no equilíbrio das cortes de justiça com nomeação maciça de juízes conservadores, efeito que vai durar por duas décadas;
- agressividade total nas relações exteriores;
- tensão absurda com algumas instituições, como universidades e FBI ou justiça, sendo que esta última não é consensual nem mesmo entre republicanos fanáticos.
Com apoio inicial consistente, avançou na imposição do MAGA, todavia agora sofre alguma rejeição pela consequência nos preços de algumas de suas ações, gerando maior divisão social e ampliando a polaridade política, com isso seus índices de aprovação são similares ao de Lula (último número 41% de aprovação) sendo o único presidente que nunca atingiu 50% durante a gestão, gerando algo sem precedentes, um abismo extraordinário de aprovação de apenas 7% entre democratas e 88% de aprovação entre republicanos.
Por mais que a Aldeia Global se surpreenda e até reaja contra as insanidades do presidente americano, sua força financeira e bélica, sabemos que nenhuma solução virá de fora para dentro, exigindo que, como no ditado histórico, “quem pariu Mateus que o embale”, atribuído aos fariseus em referência ao discípulo de Jesus, e apenas uma solução interna é a única possível.
Preocupado com eventuais interferências deste maluco nas próximas eleições brasileiras, ou na gestão seguinte, rezo para que o mundo sobreviva até novembro de 2028, data da próxima eleição americana, isso se o semideus Donald Trump não mudar as regras ...

















Comentários