A necessária redução da jornada de trabalho
- Tania Tait

- há 2 horas
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No começo da minha vida profissional, após formada pela UEM, na área de informática, trabalhei como programadora de computador e analista de sistemas em uma grande rede de supermercado (que não existe mais). O horário de trabalho era de 8 horas por dia e aos sábados. Entravamos às 8h e saímos às 18, com 1h e meia de almoço e aos sábados, das 8 às 12. Havia compensação durante a semana para não trabalhar aos sábados o dia todo. Já no estágio, em Londrina, vivenciei a jornada de trabalho e o pouco tempo que as pessoas possuíam pra cuidar de suas casas, crianças etc. A mesma situação ocorria em uma grande cooperativa agrícola da região, na qual fui analista de sistemas e programadora.

A partir dessas experiências, me chamava muito a atenção o tempo que as pessoas passavam no trabalho em comparação com o tempo mínimo que passavam com suas famílias ou outras atividades. Havia o comentário de que era trabalho remunerado em regime de escravidão, pois as pessoas não tinham tempo pra elas, apenas para o trabalho. Quem não trabalhava aos sábados era por compensação em horas a mais de segunda a sexta-feira.
Estamos falando de experiências particulares nos anos 1980 e, naquela época alguns países começavam a experimentar jornadas diárias menores do que as jornadas de 8h, com resultados considerados relevantes em termos de produtividade e contribuição de funcionários e funcionárias.
Acabar com a escala 6 x 1 (trabalhar seis dias e descansar um dia), obviamente, não abala o sistema capitalista, pois foi comprovado por algumas experiências que essa redução de jornada, tendo 5 dias trabalhados e dois dias de descanso (5x2) impacta positivamente na lucratividade das empresas e não afunda o país como alguns contrários afirmam.
Para as mulheres trabalhadoras, por sua vez, a jornada 5x2 contribui para uma melhora considerável de qualidade de vida, pois, em sua maioria, elas chegam, em seus finais de semana ou dia de descanso, com a escala da faxina de suas casas, da lavagem de roupas etc, ou seja, transformam seu dia de descanso em mais um dia de trabalho, o que significa, na prática, uma escala de 7x0, sete dias trabalhados e nenhum dia de descanso.
Muitas mudanças, também, ocorreram no mundo do trabalho desde a última reforma trabalhista de 2017, que levou as pessoas a situações como pjtização, terceirização, uberização, trabalho informal, trabalho on line e tantas outras, nas quais as pessoas acreditam que são donas de seu próprio trabalho, não dependem da CLT, mas no entanto, seguem desprotegidas agora e no futuro e, continuam trabalhando sem tempo para si e suas famílias.
Por fim, acredito que seja importante e necessária a aprovação de uma jornada de trabalho menor para que as pessoas tenham mais tempo para viver com dignidade e possibilidade de estar mais dias com sua família ou realizar atividades de esporte, cultura ou lazer ou outras que as interessem.

















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