Diarréia de Sarandi X Diarréia de Cianorte
- Marcio Nolasco

- 1 de out.
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Atualizado: 2 de out.
Por: Marcio Nolasco - Um cidadão cianortense
Recentemente foi anunciado pelo site gmconline (veja aqui) que na cidade de Sarandi/PR (menos de 100km da Capital do Vestuário) será instalada uma nova fábrica de combustível sustentável de aviação pela Satarem America Inc., multinacional norte-americana. A informação foi confirmada pelo prefeito do município, Carlos Alberto De Paula, a quem damos desde já os parabéns por essa conquista.

Com extensão de 23 alqueires (mais de 556 mil metros quadrados), o terreno tem valor estimado em 42 milhões de reais. A previsão é que o presidente ou o vice-presidente da empresa, que moram na França e nos Estados Unidos, respectivamente, venham até a cidade para a assinatura do contrato de compra e venda da propriedade. A escolha de Sarandi para a instalação da fábrica (a primeira a produzir combustível sustentável de aviação na América Latina), foi estratégica, dentre outros motivos, pelo fato de a cidade contar com bom acesso a meios de exportação, por rodovia e ferrovia até o Porto de Paranaguá. Com investimentos que chegarão à casa dos R$ 2,3 BILHÕES (não são milhões, mas sim Bilhões, com B, de bola), é previsto a geração, entre diretos e indiretos, de quase 4 mil novos empregos, o que, com certeza, alavancará o crescimento da cidade e de sua economia.
Mais uma vez, parabéns à cidade de Sarandi; mas, é preciso perguntar: e Cianorte?
Em comparação com Sarandi, segundo dados do IBGE (2022), nossa cidade possui maior número de pessoal ocupado em postos de trabalho formal (31.413 em Cianorte X 20.716 em Sarandi), maior número de estabelecimentos de ensino (Cianorte 13 X 9 Sarandi) e maior PIB Per Capita 2021 (Cianorte 35.771,57 X 20.962,06 Sarandi). Então, por que não foi Cianorte a escolhida? Ou, se não por esta que optou por nossa vizinha, porque alguma outra multinacional – ou grande empresa – não voltam seus olhos para a cidade árvore do mundo?
Ontem (30/09), neste mesmo portal, divulgamos a matéria intitulada “Cianorte: a cidade que não cresce!” (veja aqui), onde expusemos que, para uma cidade crescer, faz-se necessário não apenas a união de uma diversidade de fatores, mas também – talvez, principalmente – que o município em si esteja sempre em primeiro lugar (não um grupo de pessoas, ou um grupo político, mas ‘o todo’). Difícil? Sim, mas foi para essa mudança (esse olhar para o todo) que os eleitores votaram (e votarão novamente, em 2028).
Uma comparação - Diarréia:
Um dos pontos elencados naquela reportagem tratou acerca da saúde. Expusemos aos nossos leitores que, entra governo e sai governo, problemas crônicos seguem existindo (como as filas para atendimento médico com especialista que, em alguns casos, o paciente aguarda por 7 meses para ser atendido). Aqui é cabível uma analogia; imaginemos uma mulher que está prestes a sair para um encontro amoroso. Com certeza ela se preparará para tal: banho, cabelo, maquiagem, perfume, vestimentas, pulseiras, brincos... ah! e um sapato de arrasar). Tudo isso faz parte, mas agora vem a pergunta: de algo adiantará toda essa preparação se a mulher no dia do encontro, estiver ruim do estômago, ou com dores fortes de cabeça, ou gripada? É claro que não. O básico, a essência, isso deve sempre vir antes do embelezamento e da perfumaria (e não estou falando de mulheres).
Do contrário, tudo acabará em m**** (e por falar em m****, voltando à comparação entre Cianorte e Sarandi, nossa vizinha realiza 1,6 internações por diarreia no SUS a cada 100 mil habitantes, enquanto em Cianorte o número é de 32,8 internações pelo mesmo motivo a cada 100 mil pessoas, um número 20 vezes maior). É... que m****, fazemos 20 vezes mais m**** que Sarandi, literalmente!

Uma cidade que prospera é uma cidade que investe de maneira contínua e massivamente em habitação, saneamento, segurança, educação, saúde e transporte. Essa é a base, a força motriz que atrai pessoas para virem residir em Cianorte. A praça, o asfalto, as luzes em led, tudo isso é lindo, importante e necessário sim. Mas assim como a mulher, de nada adianta tais investimentos quando o básico ainda está deixando a desejar (sabe aquele ditado “por fora bela viola...”? Pois é).

Ah! E antes que você, caro leitor, pense ou até diga em voz alta “mas os recursos são vinculados, vêm para tais investimentos”, saiba que sim, alguns são específicos para tais ações, mas muito do dinheiro próprio do nosso município (dinheiro próprio = dinheiro livre de gasto, independente da área, desde que seguido o devido processo legal e burocrático) ao longo dos anos foi e vem sendo investido em áreas que poderiam receber investimentos de recursos ‘amarrados’, trazidos por nosso Deputado Estadual... ah é, não temos; bem, então investimentos de recursos trazidos por nosso Deputado Federal... ah é, também não temos.
No passado:
Cianorte enfrentou uma grave crise na economia cafeeira no final da década de 1970, que resultou em desemprego e êxodo rural. Então, apostou suas fichas na indústria de confecções e, com resiliência, deu a volta por cima por algum tempo, quando a nossa Rua da Moda e nossos Shoppings começaram a assistir a derrocada de trabalho para outros locais. Em 2013, segundo notícia veiculada na época (veja aqui) 84% das empresas em Cianorte se mantinham abertas após 2 anos, sendo este, NAQUELA ÉPOCA, o maior índice do Estado do Paraná!
No presente, temos Maringá com a sua Avenida da Moda, temos Umuarama como modelo de gestão pública a ser seguida (não é à toa que seu Prefeito já ganhou título de um dos melhores Gestores do Brasil) e, agora, temos Sarandi, que terá em sua cidade uma multinacional que trará consigo milhares de empregos, oportunidades, geração de renda e, por consequência, movimentará a economia.
Cianorte é uma cidade linda, gostosa de se viver (creio que todos que moram aqui tenham essa certeza dentro de si). Mas é preciso ligar o alerta e entender que se continuarmos vivendo de belezas e gostosuras, o futuro da Cidade será sempre o mesmo que já vimos e estamos vendo e vivendo: uma cidade que prospera a passos lentos (às vezes parando no meio do caminho para descansar as pernas), uma cidade que não diversifica seu modal econômico, que fica presa no mundo da ilusão; uma cidade que tem um grupo político que não admite quando erra, e não dá o braço a torcer em prol de uma união entre partidos para eleger um deputado sequer. Uma cidade que aguarda ansiosamente por quem cumpra na prática tudo o que é colocado nos planos de governo durante as eleições.
Cianorte anseia, deseja e PRECISA ser uma cidade real, não de sonhos ou de futuro, mas uma cidade presente no presente, sem esse papinho político de 2053! onde no hoje e agora os números sempre exatos da matemática não cedam lugar à vídeos publicitários de redes sociais, em que apenas os números que interessam são mostrados conforme melhor interpretação.
"Ou quem faz parte da economia de Cianorte acorda, ou a cidade se verá entregue aos mandos e desmandos de poucos" - Marcio Nolasco















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