Xadrez com Muros e Pontes: Trump Ergue Barreiras Enquanto Brasil e China Constroem Conexões
- Nelson Guerra

- há 14 horas
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Os EUA de Trump insistem no isolamento, mas o Brasil de Lula aposta no desenvolvimento conjunto, costurando parcerias estratégicas com China e Europa.
Sabe aquele vizinho ranzinza que resolve construir um muro bem alto, para de falar com todo mundo e ainda ameaça furar a bola se ela cair no quintal dele? Pois é, Donald Trump voltou à Casa Branca em 2025 com esse exato espírito. O problema é que, enquanto ele se tranca na sala para assistir às reprises da "America First", o resto da vizinhança resolveu organizar um churrasco coletivo na rua. E adivinha quem está trazendo a picanha e o som? Pois é, a China.

Imagem criada por IA – Nelson Guerra
O cenário global em 2026 parece uma crônica de costumes brasileiros. De um lado, temos os Estados Unidos de Trump apostando em sanções, tarifas e ameaças, como aquele cliente de bar que quer ditar a regra da sinuca sem colocar uma ficha na mesa. Do outro, temos um movimento pragmático que faria qualquer comerciante do Saara ou da 25 de Março aplaudir de pé: o mundo cansou de brigar e resolveu faturar.
Lealdade ideológica não paga boleto; investimento sim
Até quem era "unha e carne" com o Tio Sam resolveu dar uma escapadinha para o Oriente. O Reino Unido, que antes não dava um passo sem perguntar o que Washington achava, atravessou o mapa para sentar com Xi Jinping. O motivo? Bilhões em investimentos. É a máxima do sobrevivente: lealdade ideológica é bonito no discurso, mas o que paga o boleto no fim do mês é o investimento estrangeiro. Macron, na França, já tinha cantado essa pedra: ninguém quer ser arrastado para uma "Guerra Fria 2.0" só porque os americanos estão de mau humor.
E onde entra o Brasil nessa história? Bem, o nosso octogenário Lula parece ter trocado a aposentadoria pelo papel de "arquiteto" desse novo mundo. Enquanto Trump fala em isolamento, o Brasil de 2026 fala em conexão. Na presidência do BRICS, Lula não está apenas jogando conversa fora; ele está promovendo mudanças nas regras do jogo.
Portas abertas e canetas à mão
A cena é emblemática: em janeiro de 2026, o Brasil liberou vistos para os chineses. É o "sejam bem-vindos, tragam os investimentos e fiquem para o cafezinho". Enquanto Washington levanta barreiras, Brasília abre o portão. Lula entendeu que o Brasil não precisa escolher um lado da briga, mas sim o lado do desenvolvimento. Ele conversa com Putin, aperta a mão de Xi e ainda cobra a União Europeia, avisando: "Se demorarem para assinar o contrato, o pessoal do outro lado da rua já está com a caneta na mão".
A ironia das cercas elétricas
Proteger demais acaba empurrando aliados para o vizinho. A grande ironia é que a estratégia de "América Primeiro" de Trump está deixando a América... por último. Ao tentar proteger o mercado com cercas elétricas de tarifas, ele está forçando os antigos aliados a pularem o muro para fazer negócios no jardim vizinho.
No fim das contas, a geopolítica de 2026 não é sobre quem grita mais alto, mas sobre quem tem o melhor Wi‑Fi e a melhor logística. Enquanto os EUA de Trump apostam no isolamento e no passado, o Brasil de Lula e os líderes da Europa e da Ásia estão jogando no "tabuleiro da conectividade". E fica a dica para o leitor: no mercado global, quem fica falando sozinho no canto da festa acaba sem par e sem a saideira. O futuro é de quem sabe apertar as mãos, não de quem só sabe apontar o dedo.

Imagem criada por IA – Nelson Guerra
(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública. Estuda política, enquanto constrói pontes jogando o antigo SimCity)












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