Vereador é Cassado com Unanimidade de Votos em Cianorte.
- Marcio Nolasco

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Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
O Crepúsculo do Populismo em Cianorte: Quando a Ética Vence o Espetáculo
A manhã de 24 de abril de 2026 entra para a história política de Cianorte como o dia em que o Poder Legislativo Municipal traçou uma linha divisória entre a responsabilidade pública e o oportunismo digital. A cassação do vereador Rafael Araújo (PL), sacramentada em sessão extraordinária, não é um evento isolado, mas o desfecho pedagógico de quem confundiu o plenário com um palco de redes sociais e o direito de defesa ABSOLUTO com o ataque deliberado às instituições.

A Ética como Pilar Inegociável
Na política, a moralidade não é um acessório; é a fundação. O mandato parlamentar é uma delegação de confiança da sociedade, e não um salvo-conduto para o desrespeito às normas que regem o decoro. A decisão da Câmara Municipal reflete o anseio de uma população que exige que seus representantes operem sob o império da lei. Ao contrário do que tentou pregar o agora ex-parlamentar, o rigor do processo não é "perseguição", mas sim a manutenção da higidez democrática. A própria comissão de ética da casa achou argumentos suficientes para levar o julgamento até sua fase de votação da cassação do vereador.
O Erro Estratégico: Redes Sociais vs. Rito Democrático
Durante todo o trâmite, o que se viu foi uma tentativa sistemática de transferir o julgamento técnico para o tribunal passional da internet. Rafael Araújo optou pelo ataque sugerindo "Perseguição Política" em vez do argumento convincente e inabalável de sua inocência. Ao gastar energia atacando seus colegas de parlamento em plataformas digitais, alegando repito, uma fictícia "perseguição política", o ex-vereador negligenciou o único espaço onde a verdade importa: os autos do processo.
Essa postura não foi apenas um erro de comunicação; foi um insulto à inteligência do cidadão e uma afronta à liturgia do cargo. A democracia exige sobriedade, e quem prefere o "like" ao respeito institucional acaba, inevitavelmente, colhendo o isolamento político em consequência de suas próprias escolhas.
A Defesa: O "Empurrão" para o Abismo
Se restava alguma hesitação entre os membros do Legislativo, a própria defesa encarregou-se de dissipá-la. Em um discurso que beirou a imprudência, a defesa abandonou a técnica para adotar a metralhadora giratória. Ao invés de apresentar provas contundentes de inocência, optou-se por acusar os julgadores de outros possíveis atos ilícitos, em uma retórica eloquente tentando transmitir a sua ideia com convicção, inclusive sugerindo uma possível cassação de outro vereador. A defesa poderia ter usado 2 horas para convencer os julgadores em uma possível absolvição de Araújo, porém de forma eloquente afirmou que precisaria apenas de 20 minutos para proferir seus argumentos provando a inocência de seu cliente.
E para ajudar ainda mais no desfecho trágico, ouve quem estava no plenário imitando gatos com "miaus" como referência para algum ou alguns possíveis "gatos" na Casa de leis, um impressionante erro de estratégia e demonstração denotativa de atos anti-democracia...
"O veredito dos edis foi coletivo, unanime e claro: Qualquer intenção de voto favorável que pudesse existir em nome da dúvida razoável desmoronou diante da agressividade gratuita. A defesa transformou o plenário em um campo de batalha, e o discurso foi o "empurrão final" que selou o destino de Araújo". Marcio Nolasco.
Conclusão: A Faxina Ética e os Novos Desafios
Cianorte encerra esse capítulo com uma lição clara: vivemos em uma democracia de instituições, onde a ética e a moralidade devem prevalecer sobre o ego e a vitimização. Entretanto, o trabalho de fiscalização da sociedade e da Câmara não termina aqui, e os vereadores devem mais que nunca, ficarem atentos, muito atentos...
O ambiente político local permanece sob vigília máxima e com a credibilidade abalada, dado que um novo e grave processo de cassação já está em trâmite: o de Victor Hugo Davanço. Se no caso de Araújo o problema foi o decoro e a postura, o caso de Davanço eleva a régua da gravidade, tratando de um suposto envolvimento em organização criminosa.
"A mensagem enviada hoje é um prelúdio necessário. A política cianortense passa por um processo de depuração indispensável, reafirmando que o mandato parlamentar não é escudo para ilicitudes, seja no campo da ética, moralidade e até digital ou na esfera criminal. A democracia respira, mas exige vigilância constante no parlamento cianortense...". Marcio Nolasco













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