Um testemunho sobre envelhecer sob a providência de Deus
- Christina Faggion Vinholo

- há 2 horas
- 2 min de leitura
Christina Faggion Vinholo, teóloga,
Especialista em AT e NT.
Hoje me surpreendi olhando para as minhas mãos. Vi as famosas manchinhas. Mostrei para a minha filha e ela perguntou, com a leveza de quem ainda não carrega o peso do tempo: “Muito sol?”
Eu respondi: “Sinais de envelhecimento.”

Acho que demoraram a aparecer. E não foi de repente — apenas notei agora. Peguei-me olhando várias vezes para as minhas mãos. Estou envelhecendo. Não há como deter o tempo. Mas há, sim, uma decisão a ser tomada: como envelhecer.
Posso ser uma velhinha cheia de vida. De ânimo. Com boa autoestima. Corajosa. Capaz de enfrentar os desafios e os desconfortos com sabedoria. Posso cuidar de mim de forma integral — corpo, alma e espírito — entendendo que tudo isso é dom e responsabilidade diante de Deus. O envelhecer não é apenas algo que acontece conosco; é também algo que respondemos com fé.
Confesso: às vezes me desanimo. Às vezes penso que não fiz nada realmente relevante, que talvez não deixarei um legado. Esses pensamentos chegam silenciosos, como sombras no fim da tarde. Mas então olho para a minha própria história — e ela começa a falar.
Vejo meus filhos. Vejo meus netinhos. Vejo minha família crescendo, ramificando-se, florescendo. Lembro-me de discípulos que caminharam comigo na fé, de pessoas a quem ajudei a olhar para Cristo quando tudo parecia confuso. Recordo amigos que foram — e continuam sendo — presentes preciosos de Deus na minha vida. Meus irmãos, cunhadas, sobrinhos. Minha mãe… sim, tenho uma mãe que todos dizem, ao vê-la: “Como ela é jovem!” — e eu sorrio ao responder que ela foi mãe aos 19 anos. Há graça atravessando gerações.
Sou viúva, mas não sou solitária. Essa diferença só pode ser explicada pela fidelidade de Deus. Estou vivendo em outro país, mas não deixei de orar pelo Brasil, nem abandonei os vínculos que ali construí. Distâncias geográficas não anulam alianças forjadas no amor e na fé.
Meus planos? Não estou exatamente onde um dia imaginei estar. Muitos sonhos tomaram caminhos diferentes dos que desenhei. Mas, pela graça, estou exatamente onde Deus me queria. E isso muda tudo. Isso traz paz. Isso gera alegria. Isso produz uma realização que não depende de circunstâncias, mas de propósito.
A Escritura nos lembra que “os nossos dias estão nas mãos do Senhor” e que Ele escreve nossa história com sabedoria perfeita, mesmo quando não entendemos os capítulos. O envelhecer, então, não é sinal de perda, mas de condução. Não é abandono, é providência. Cada ruga, cada marca, cada estação vivida é testemunho de um Deus que sustenta do começo ao fim.
Estou vivendo os sonhos de Deus — e isso é maior do que viver apenas os meus.
Que, ao envelhecer, eu não perca o assombro. Que minhas mãos, mesmo marcadas pelo tempo, continuem apontando para Cristo. Que minha vida, inteira, diga sem palavras: até aqui me ajudou o Senhor — e Ele continuará ajudando.
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