Cianorte - Um preocupante déficit de transparência e humanidade.
- Walber Guimarães Junior

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Por Walber Guimarães Júnior - Engenheiro Civil e Diretor da CiaFM
A vida cobra melhoria contínua de todos nós e, talvez por isso, já faz algum tempo que tenho procurado lidar com muita serenidade com situações que me incomodam no legítimo exercício da função de imprensa, todavia aprendi também que a omissão é uma falta extremamente grave em quem tem a caneta e o microfone à disposição.
Cianorte e região sabem que as marcas dos veículos que participo, CIA FM e o portal Bisbilhoteiro, são, de maneira irreversível a transparência e na independência. Como veículos líderes regionais, não precisamos de polêmicas e sustentamos nossos compromissos com a população que jamais nos pega na contramão dos fatos, como, mais uma vez, vou demonstrar ao longo deste artigo.
Por muito tempo, temos postado, principalmente no Bisbi, artigos sobre a geração de empregos, apresentado e publicado números diretamente do CAGED, logo oficiais e incontestáveis que normalmente diferem da propaganda municipal, fato lamentável e, a propósito, tenho insistido que apenas a prioridade para habitação e emprego, logicamente precedidos pela saúde, pode recolocar Cianorte na direção certa. Cidade linda com habitação cara e poucos empregos não cresce e, neste ritmo, Cianorte terminará a década com população menor que no início, todavia estará repleta de obras lindas e até necessárias, mas jamais prioritárias.

Temos também, desde o início do ano passado cobrado com veemência a questão da saúde no município, em situação crítica, beirando a desumanidade a ser debitada aos responsáveis. O episódio da Fundhospar atenta contra o bom senso, ainda que as justificativas para a intervenção do ano passado sejam coerentes, a recorrente falta de empenho dos municípios com suas obrigações com a unidade de saúde resvala para a irresponsabilidade fiscal, permitindo afirmar com segurança que o principal problema da Fundhospar é financeiro por culpa das prefeituras, Cianorte incluída.
Permito-me também afirmar que a situação crítica da unidade já ultrapassa a raia da incompetência administrativa e resvala na esfera criminal, pelo irresponsável descaso com a saúde pública, pelo abandono dos protocolos de segurança, algo impensável em uma unidade na linha da decência. O colapso da Fundhospar é um triste caso que soma incompetência, irresponsabilidade e encobre uma prioridade inexplicável por uma unidade estadual que não está pronta, não está equipada, não tem quadros funcionais, não tem credenciamento federal e não cumpre este resumo de cronograma dentro deste ano e vai cobrar, em VIDAS HUMANAS, a irresponsabilidade do poder público.
A judicialização de vários casos de inércia, descaso e incompetência terá um custo elevado que a sociedade terá que pagar em algum momento, grave, mas valores financeiros se recuperam. Todavia, pacientes vitimados por AVC, derrame, com consequências gravíssimas por falta de atendimento adequado, pela ausência de profissionais em muitas atividades, não são sanáveis e muito menso podem cicatrizar no coração dos familiares que sabem que a qualidade do atendimento deixa sequelas e vidas pelo caminho.
Informações de reutilização de materiais, de falta de itens básicos, de deficiência de limpeza, de higiene, além de quadros técnicos em quantidade suficiente para atender a demanda são questões repetidas vezes levantadas pela CIA FM e pelo Bisbilhoteiro, cobrando resposta do Executivo e Legislativo municipal, sem nenhum efeito prático. Não temos capacidade de resolução, mas nossa obrigação fiscal cumprimos com eficiência.
Vejo que o Secretário Beto Preto, em situação muito menos alarmante, socorreu a Santa Casa de Maringá com 18 milhões, talvez porque a sociedade e suas lideranças se uniram e pediram. Por que isto não acontece na nossa região? Prefiro até não externar a minha opinião.
Na saúde pública, o descaso segue da mesma ordem, com a fila de consultas e exames como retrato da incompetência sendo a questão mais grave. Não vivemos em um município pobre, falido, como inúmeros espalhados pelo Brasil, portanto julgo inaceitável os números gigantescos destas filas, sejam quais forem, porque hoje, 10 de março de 2026, ninguém (este termo inclui 100% das pessoas responsáveis pelo setor, incluindo a informática), consegue apontar com segurança. Apenas temos total convicção para afirmar que o chefe do executivo faltou com a verdade no dia 6 de março ao afirmar que a fila estava quase zerada. Excluindo a hipótese de omissão deliberada, resta concluir que a saúde e/ou a informática estão muito abaixo da linha de competência que Cianorte merece.
Entramos agora em novo ponto crucial; a total falta de credibilidade do portal municipal de transparência da saúde. Vou respirar para seguir com educação.
Uma leitura metódica dos números das filas da saúde leva a inúmeros resultados diferentes, te convido a individualmente fazer a mesma verificação. Por exemplo, a fila de exames apresenta resposta de 41, 66, 92 e até 180 mil exames/consultas na fila e rigorosamente ninguém no legislativo, na secretaria de saúde, na informática, no gabinete do prefeito sabe a resposta!
Talvez receba uma nota elevada como caixa preta, mas nota ZERO como portal de transparência.
Retorno à cobrança que fiz, pelo Papo Sério na CIA FM e no Bisbilhoteiro, quando printei da tela do portal de transparência a informação de que, em 31 de dezembro, o saldo em conta era de 130 milhões! Ilusão. Era só mais um erro do translúcido portal de transparência porque o saldo real era de apenas 9 milhões.
Reitero a crítica. Naquele dia, o custo da fila de consultas era estimado em 1,8 milhões e a de consultas em 2,1 milhões de reais que somados não davam a metade do valor em conta. Logo, a falha não é apenas técnica ou administrativa, mas aponta para um profundo déficit de humanidade e descaso com a população.
Cobro também que a Câmara municipal cumpra a sua missão fiscal que, a propósito lhe rendeu a nota 1, isso entre 0 e 10, atribuída pelo TCE. Talvez realmente sejam apenas questão de parâmetros, inclusive porque o legislativo tem um excelente gerenciamento financeiro, mas as seguidas falhas nos dados de emprego, das finanças, das filas de consulta, de exames, a situação da Fundhospar, sem a cobrança dos vereadores me permitem assegurar que os vereadores estão devendo em seu compromisso básico de representar a população e cuidar de seus impostos. Ressalvo que, em relação à Câmara, que qualquer generalização me flagra cometendo injustiça.
"Encerro cumprindo o dever de imprensa, abrindo espaço para as devidas explicações, que toda a população que acompanha a CIA FM e o Bisbi sabem que foram oferecidos e ignorados seguidamente pelos responsáveis. Preciso externar que estou profundamente decepcionado, e talvez exprima o sentimento de boa parte da população, com a incompreensível falta de transparência e humanidade dos nossos líderes." - Walber Guimarães Júnior














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