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Um mar de lama no caminho das urnas

Assim como a Copa do Mundo que faz o brasileiro esperar por longos quatro anos por uma nova edição, o campeonato eleitoral nacional aponta um clássico decisivo para outubro em competição que talvez precise de dois turnos para ser decidida.



Como torcedores apaixonados, esperam ensandecidos pela oportunidade de derrotar o oponente, não apenas um adversário, mas um inimigo cruel que a imaginação e a paixão o travestem de diabo. Se já houve excessos na disputa anterior, nada indica que não possa ser ainda pior em 2026.


Todavia, existe um atenuante. Assim como eu, milhões de brasileiros percebem que existe vida inteligente para além da polaridade e, ainda que se necessário façam a escolha de Sofia eleitoral, clamam por bom senso que limite a disputa apenas a uma questão eleitoral. Mesmo entre convertidos, de ambos os lados, a capacidade de enxergar além do vale da discórdia pode permitir um processo político menos raivoso que o anterior.


A verdade é que o raciocínio matemático me insulta por não combinar com o quadro eleitoral. Se o candidato A tem muitos eleitores que o rejeitam do que o aprovam e isto se repete com o candidato B, por que nenhuma outra letra do alfabeto consegue se fazer notar?


Talvez a resposta esteja na indecifrável expectativa de poder que favorece aos contendores principais. As canoas A e B tem muito mais chances de atravessar o lago à frente e colocar a mão no butim eleitoral. Convencer peritos em canoagem já com assento e remos garantidos nas canoas favoritas para uma aventura em uma embarcação que ainda não teve êxito em nenhuma outra travessia não é tarefa fácil e, talvez, mesmo sem gostar de A ou B, aparentemente são apenas eles que talvez possibilitem o prazer de subir no ônibus e se sentar na janelinha.


Após esta introdução que abusou da analogia esportiva, vamos dar nomes aos bois que adentraram na arena das disputas e avaliar suas motivações.


Luís Inácio Lula da Silva, o homem que mais disputou eleições majoritárias, entra em campo em busca da quarta vitória individual e, mesmo veterano nas disputas, não mostra a menor preocupação de escolher um substituto. Lula será eternamente o candidato do próprio Lula e como comandante maior da legenda, ninguém ousa combater a sua liderança, inclusive pela incrível vocação e talento para se reinventar sempre que necessário. Em campo, repetiu as mesmas virtudes e defeitos das disputas anteriores, mas ainda assim é o único nome com tamanho para enfrentar o inequívoco crescimento da direita e do movimento conservador dos últimos anos no Brasil. E candidato por seus méritos, mas também por falta de alternativas capazes de defender as mesmas bandeiras com igual eficiência.


Flavio Bolsonaro é o escolhido para defender o espólio familiar, talvez a maior herança eleitoral do país, e o faz não apenas por convergência política do seu campo ideológico, mas principalmente porque Jair Bolsonaro faz um cálculo político com frieza. Qualquer outro candidato de oposição poderá lhe tirar parte substancial do seu patrimônio eleitoral. Sendo vencedor, terá caminho aberto para oito anos de governo e, em caso de derrota tende a ter um recall muito mais elevado que Jair no longínquo 2030.


Provavelmente, Lula não seria a melhor escolha para a esquerda, ou pelo menos para o país, porque não parece razoável, para me limitar a esta análise, que se espere que, após os 80 anos, tenha vitalidade para o exercício pleno de um mandato desgastante de mais quatro anos.


Repito o raciocínio com Flavio, longe de ser a melhor alternativa da direita por, nem remotamente, ter a experiência administrativa dos quatro atuais governadores, todos bem avaliados, que tem as senhas seguintes da direita.


Se as eleições brasileiras fossem um processo racional, qualquer um dos dois seria presa fácil apenas pelo fator retratado acima, mas é a paixão que define o voto no país e por isso são os favoritos inquestionáveis para 2026. Repito; idade avançada e inexperiência são fatores que, por si só, exigem que se avaliem novas alternativas.


Faço todo este raciocínio sem desconsiderar o óbvio; tanto Lula quanto Flavio têm méritos indiscutíveis para pleitearem suas candidaturas, mas são exatamente suas limitações que nos levarão, de novo e mais uma vez, para um processo eleitoral onde, acima de tudo, optaremos pelo menos ruim, na visão de cada um.


Lula e Flavio estão também privados de vencerem porque são os melhores, da mesma forma que Lula e Bolsonaro chegaram ao poder apenas porque, naquele momento, tinham rejeição menor que o concorrente, simplesmente porque o jogo político não arma o tabuleiro para buscar o melhor desenho para o país.


Infelizmente, o jogo das legendas é uma disputa por fatias do poder. Se trata apenas de se posicionar da melhor maneira possível para colocar a faca no pescoço do vencedor e exigir que o Brasil continue priorizando suas demandas, famílias, grupos econômicos continuem sugando os recursos da milionária engrenagem que consome as margens absurdas de impostos que penalizam o cidadão comum.


Somos apenas os peões indefesos deste jogo, talvez só nos reste mesmo a opção por aquele que menos nos incomoda, mas que, pelo menos, compareçamos às urnas conscientes que o Brasil precisa muito mais que um pretenso salvador da pátria.


Sem uma sociedade consciente e decidida a exercer pressão e exigir uma profunda reforma política e administrativa, como precondição para o longo caminho de saída do mar de lama que cobre os pés dos nossos líderes, todo o restante será infrutífero.

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