Série A Venezuela de Trump: Episódio 2 -Alianças de Petróleo Venezuelano: Caracas, Moscou e Pequim no Novo Jogo Geopolítico
- Nelson Guerra

- 19 de jan.
- 2 min de leitura
É importante analisar como o chavismo redesenhou a política externa venezuelana e por que esse realinhamento atraiu a resposta dos Estados Unidos e de potências como Rússia e China. Melhor focar em causas, mecanismos e consequências geopolíticas, sem juízos partidários.
A partir de 1999, a política externa de Hugo Chávez rompeu com práticas anteriores ao transformar o petróleo em instrumento de diplomacia bilateral: acordos de fornecimento, empréstimos e cooperação técnica foram usados para consolidar alianças na América Latina, África e Ásia, reduzindo a dependência de intermediários tradicionais e ampliando a presença de Caracas no tabuleiro internacional.
Imagem criada por IA – Nelson Guerra
Alianças estratégicas e contrapesos
Com o tempo, a Venezuela passou a cultivar laços estreitos com Cuba, Rússia, China e Irã, trocando petróleo por serviços, crédito e apoio político — uma rede que funcionou como amortecedor diante de pressões externas e como via de acesso a tecnologia e financiamento quando o mercado tradicional se retraiu.
A gestão de Nicolás Maduro manteve a ênfase no uso do petróleo como ferramenta externa, mas enfrentou um contexto mais adverso: queda de produção, crise econômica e isolamento diplomático em vários momentos. A resposta de Caracas incluiu maior dependência de parceiros não ocidentais e mecanismos alternativos de comércio que contornam canais financeiros tradicionais.
O jogo de influência externa e os riscos regionais
Os EUA reagiram com uma combinação de reconhecimento político da oposição, sanções direcionadas e, em momentos-chave, medidas setoriais que miraram a PDVSA e redes de transporte de petróleo — ações que visavam reduzir a capacidade do regime de financiar-se e de operar livremente no mercado internacional. Essas medidas tiveram efeitos práticos: empresas de serviços e fornecedores ocidentais deixaram contratos e operações, elevando o custo de recuperação da indústria petrolífera venezuelana.
O realinhamento venezuelano e a resposta americana criaram um espaço para competição entre grandes potências no hemisfério: a presença russa e chinesa em setores estratégicos e a retórica de contenção por parte de Washington aumentaram a tensão geopolítica regional, com riscos de escalada e de instrumentalização do petróleo como arma diplomática. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que políticas de “pressão máxima” podem empurrar Caracas ainda mais para os braços de aliados que desafiam a ordem internacional ocidental.
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O que observar adiante
Fique atento a três sinais que definirão o próximo capítulo desta história:
1️⃣ Movimentos de reaproximação diplomática ou acordos de transição;
2️⃣ Mudanças na logística de exportação (shadow fleet, intermediários);
3️⃣ Ofertas de investimento de atores não ocidentais que condicionem soberania a contratos estratégicos.
Acompanhe o próximo capítulo da série para entender como sanções, mercados e interesses estratégicos se traduzem em decisões concretas — publicamos semanalmente.
(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública)














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