Santa Casa de Cianorte: Dificuldades e os Riscos que está correndo! Onde estão os fiscais do povo - Os vereadores!
- Marcio Nolasco

- 3 de out.
- 7 min de leitura
Atualizado: 4 de out.
Caros leitores, todos nós ouvimos do poder público - Legislativo e Executivo em um discurso unanime e idêntico onde dizem que no caso da Intervenção da Santa Casa a prioridade sempre foi a continuidade dos serviços de saúde e o bom atendimento para o povo... pois bem, para continuidade da prestação de serviços de saúde com excelência para a população cianostense e das demais cidades da região, se faz então necessário alguns esclarecimentos.

Dificuldades:
Que a nossa Santa Casa passa por dificuldades todos sabemos. Que essa situação não é de hoje, os nossos moradores mais antigos sabem melhor ainda. Que o problema dos hospitais filantrópicos é a falta de recursos suficientes para manter os serviços, o Brasil inteiro sabe (e, para que você, caro leitor, não precise acreditar apenas na palavra deste colunista, seguem algumas reportagens sobre o assunto – você também pode pesquisar em qualquer site de busca pela frase “crise nos hospitais filantrópicos do Brasil” e apertar Enter; pronto, centenas de páginas, com vídeos, notícias e reportagens surgirão). Claro que problemas de gestão, transparência e competência podem vez ou outra existir, mas não chega nem perto dos motivos do endividamento das milhares de Santas Casas espalhadas pelo nosso país (e, no caso da nossa, isso já restou comprovado não fazer parte da realidade).

Há ainda aqueles que podem eventualmente dizer que, em se tratando de nossa Santa Casa/Fundhospar, “o município já repassa há anos valores que, inclusive, foram maiores que a inflação”. Para estes, realmente é importante uma pesquisa fundamentada em livros, artigos, estudos e reportagens sérias sobre o assunto, uma vez que a inflação nacional não chega nem perto da inflação na área da saúde (mas, para facilitar, deixa-se, a seguir, uma breve explicação do porquê esse tipo de colocação é, na verdade, mera falácia, um argumento pífio que não agrega em nada na discussão e distorce a realidade fática.

Fonte: IEPS – Instituto de Estudos para Políticas de Saúde
Pois bem amigos(as) cianortenses, em se tratando de nossa cidade, nos últimos meses tivemos uma verdadeira montanha-russa envolvendo a nossa Santa Casa/Fundhospar: a antiga Administração informando que os repasses municipais eram insuficientes e, para piorar, haviam cessado (coincidentemente, logo após as eleições de 2024; em fevereiro de 2025, a então Diretoria da Fundhospar foi até a Câmara Municipal e apresentou em mais de 140 páginas um documento comprovatório da situação da entidade, os motivos e as ações realizadas nos últimos anos, onde apenas alguns vereadores se fizeram presentes; o Prefeito seguiu afirmando que o problema não era falta de recursos, mas sim falta de Gestão (que não havia competência, fluxo de caixa e boa gestão). Aí veio a Intervenção, que, depois, a Justiça anulou em parte por ser considerada, em alguns pontos ilegal e inconstitucional (o processo segue em andamento no judiciário); a Diretoria antiga retornou, depois foi trocada novamente e, as pessoas que estavam lá (indicadas pelo Prefeito) após saírem, retornaram mais uma vez. Ficou confuso né? Pois é, ficou mesmo. Ficou e ainda está! E mostrar aqui alguns fatos...
Aqui, desde já, convido você leitor(a) a fazer a seguinte reflexão: Se fosse você o Gestor Público, ou se fosse você um membro da Assembleia Diretiva (o Conselho Diretor) da Fundhospar, em meio a toda essa situação, o que você faria? Bem, eu contrataria pessoas com muito cuidado e análise curricular, por meio de entrevistas, recrutamento e seleção de bons profissionais de recrutamento e seleção especializada para melhor gerir a nossa Entidade (é para isso, também, que o hospital possui um RH, ou não?). Mas, não foi isso que aconteceu.
O que aconteceu então:
Na prática, a Secretária Executiva do CICENOP – Consórcio Intermunicipal do Centro Noroeste do Paraná, foi desligada de sua função para ser contratada através de empresa jurídica pela Fundhospar, burlando a legislação trabalhista, uma vez que cumpre jornada de trabalho regular e assume cargo na instituição que possui descrição de cargos (logo, a contratação deveria se dar por CLT (carteira assinada).

Aqui, abre-se um parêntese interessante: antes de assumir a Secretaria executiva do Consórcio, o salário do antigo Secretário era de aproximadamente R$ 8 mil mensais. Um servidor do município, concursado, Enfermeiro, com vasta experiência na área de saúde há mais de 1 década, já tendo sido, inclusive, Secretário de Saúde da nossa cidade (uma pessoa entendedora das políticas públicas de saúde, pessoa que, além de competente, seria ideal para o cargo). Só não entendemos porque um ganhava aproximadamente 8 mil mensais e, de repente, o salário quase que dobrou.

Em resumo: analisando o histórico de pagamentos às pessoas que já assumiram este cargo, percebe-se que a profissional assumiu o serviço ganhando valor bem acima da média que era, há anos, paga. O motivo? Desconhecido. Ainda sobre o exposto, chama ainda mais atenção o fato de sua formação sequer ser na área da saúde, como é possível verificar a seguir.



Como já informado, a atual Diretora da FUNDHOSPAR, além de não possuir formação acadêmica relacionada à área de administração, saúde ou gestão, foi contratada através de Pessoa Jurídica (mesmo tendo jornada de trabalho diária presencial na entidade, descrição de cargos e atividades e seguindo hierarquia e subordinação) o que representa um RISCO JURÍDO do ponto de vista trabalhista para a Fundhospar, uma vez que, em caso de desligamento da profissional, esta poderá ingressar com ação judicial para requerer seus direitos trabalhistas (CLT), o que traria prejuízos à Santa Casa (até porque, por mais que o Chefe do Executivo é quem a tenha indicado, em eventual ação, quem arcaria com o ônus seria o hospital).
Sobre o exposto anteriormente, importante destacar que, ser contratada via PJ e, depois, ter ingressado com ação judicial junto à instituição, já foi prática realizada no passado.



Como, atualmente, a Diretora é contratada da Fundhospar via PJ (Pesssoa Jurídica), quando for desligada da antiga Santa Casa (já que é uma pessoa indicada politicamente e, na política, tudo tem tempo para terminar), é possível que ela ingresse com ação trabalhista cobrando todos os benefícios de uma contratação via carteira de trabalho (CLT), ou seja:
→ Férias;
→ 13º salário;
→ 1/3 sobre férias;
→ Eventuais benefícios;
→ Descanso semanal remunerado;
→ Horas extras;
→ FGTS;
→ Intervalo intrajornada;
→ etc.
Do Risco:
Com isso, a Fundhospar, ao contratá-la via PJ, trouxe para si um risco trabalhista sem necessidade alguma (ou, TALVEZ o tenha feito para que o alto salário da Diretora não seja contabilizado na folha, dando a ‘falsa informação’ de que houve redução na folha de pagamento). Além disso, o ato pode ser visto como fraude perante a legislação trabalhista.
Além disso, cabe a seguinte reflexão:
Tanto se falou no início da intervenção de que a FUNDHOSPAR não tinha gestão, faltava competência e fluxo de caixa e foi, inclusive, noticiado que a pessoa atualmente ocupando o cargo aqui mencionado possuía “vasta experiência em gestão hospitalar”.

Fonte: Folha de Cianorte.
Questionamentos:
1. Como é possível uma profissional que atuou menos de 2 anos em um único hospital, na função de vendedora e depois assistente de direção, formada em letras, aparentemente sem especialização na área, ter “vasta” experiência em gestão hospitalar?
2. Falava-se em altos salários da direção da FUNDHOSPAR; quanto a FUNDHOSPAR está pagando hoje, via PJ, para o cargo de Diretora?
3. Por que o contrato da Diretora (cujo cargo gerou tantas acusações acerca de alto valor remuneratório) não consta no Portal da Transparência da Fundhospar, se a transparência sempre foi algo tão pedido pela gestão pública e, inclusive, por alguns vereadores.
Importante aqui destacar:
Entramos em contato com a Diretora atual e Indicada para esta função na Fundhospar, durante o período de 26/09 a 03/10/25, solicitando uma entrevista com objetivos de entendermos sobre suas realizações na Santa Casa e a atual situação em que se encontra o hospital, porém, não conseguimos essa entrevista por várias negativas da Diretora. De qualquer forma ficamos abertos em nosso espaço caso a mesma ainda queira nos conceder uma entrevista...
Este Portal foi, talvez, o único veículo de imprensa que noticiou ao longo dos meses sobre o imbróglio envolvendo a Fundhospar, antes, durante e após a Intervenção Municipal (lembram-se das inúmeras matérias intituladas “a Saga Fundhospar 1, 2, 3, 4... e assim por diante?); além disso, há alguns dias este Portal, também sobre a Fundhospar, veiculou uma matéria a respeito de Servidora Pública que assumiu o cargo de Gestora Administrativa & Financeira, também na nossa Santa Casa (esta, que antes laborava na Secretaria de Saúde (Contratante), agora se encontra no hospital (Contratada) até que sua licença não remunerada vença e ela tenha de retornar ao campo de trabalho enquanto Contratante para, assim, fiscalizar o que ela mesma fez enquanto trabalhava no hospital (?).
Agora, mais uma vez, o Portal Bisbilhoteiro divulga um novo capítulo dessa história que, um final feliz, está ao que parece cada vez mais longe de acontecer.
Altos salários, falta de transparência, dívidas, médicos sem receber os atrasados, fornecedores ingressando com ação na justiça para receber pela venda de fios cirúrgicos, denúncias, ouvidorias... A confusão é tamanha que até confunde o leitor: de qual tempo será que estamos nos referindo: do passado ou do presente? Talvez, a pergunta mais importante seja: E o futuro?
Além de todo o exposto, parece que nossa Comissão de Acompanhamento da Intervenção (Câmara Municipal) não conhece realmente algumas situações envolvendo e oriundas da Intervenção. E por falar em situações esta matéria teve sua origem em levantamentos que começamos a fazer logo após suspeitarmos de "algo errado" depois de recebermos as seguintes denuncias em nosso portal povoconectado.com. Denuncias recebidas entre 23/09 e 03/10/25, relatando possíveis irregularidades na Santa Casa, sendo que apenas uma delas passamos para o vice presidente do Conselho da Fundhospar em 03/10, veja:

Chama atenção nessa denúncia: O Conselho, Presidente do hospital e prefeitos da região estão cientes do que está acontecendo na Santa Casa (Fundhospar).
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Conclusão deste colunista:
TRANSPARÊNCIA É TUDO NA GESTÃO
Pensando bem... Não pode ser... Creio que a melhor pergunta a ser feita é: Não era para ser tudo “sem politicagem”?
Acho que, talvez, seja prudente a Câmara de Vereadores, sempre imparcial e independente, (evitando cair em possível fofoca) convocar a Administração da entidade para prestar contas, PRINCIPALMENTE PEDIR O PLANO DE TRABALHO DA INTERVENÇAO QUE NUNCA ESTEVE NO PORTAL DA TRANSPARÊNCIA - veja aqui (e, por que não, chamar também a Administração anterior em outro momento, com a presença de TODOS, e repito TODOS sem exceção de nenhum vereador para responder aos inúmeros questionamentos que, com certeza, existem na cabeça de muitos?).
"Seja em uma empresa privada, ou em um órgão público, o que sempre se espera é lisura nas atitudes, coerências nas ações e transparência no dia a dia. Para isso, bons profissionais e boas pessoas são – e sempre serão – a chave para o sucesso!" - Marcio Nolasco
Fontes:














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