Raízes do Petróleo e a Venezuela Moderna - Episódio 1
- Nelson Guerra

- há 9 horas
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Como o petróleo moldou um país
(por Prof. Guerra)
Venezuela cuja palavra significa “pequena Veneza”, referindo-se ao famoso ponto italiano, representava bem o bom nível de vida do venezuelano no século passado, quando o país era considerado o mais desenvolvido da América do Sul. A presente análise investigativa traça as raízes históricas do petróleo venezuelano, o declínio produtivo e o papel estratégico que explica a atual disputa geopolítica.
A história do petróleo venezuelano é central para entender sua política e sua economia. O petróleo transformou a Venezuela no século XX, criando riqueza e dependência; essa relação com o recurso também moldou a forma como potências externas pensam e atuam na região. Estudos clássicos mostram que o controle do petróleo tem sido um fator recorrente nas escolhas da política externa americana ao longo do século XX e XXI.

Imagem criada por IA – Nelson Guerra
Nacionalização e legado institucional
A indústria petrolífera venezuelana passou por ciclos de investimento estrangeiro e nacionalização, com marcos que consolidaram a propriedade estatal sobre os recursos e a criação da estatal PDVSA como pilar econômico do país. Hoje a Venezuela detém as maiores reservas provadas do mundo — cerca de 300 bilhões de barris — mas isso não se traduz em produção devido a problemas técnicos, falta de investimento e gestão da estatal.
A capacidade não tem como virar produção. A combinação de infraestrutura envelhecida, êxodo de técnicos e restrições financeiras explica por que a produção caiu de milhões de barris por dia para menos de 1,2 milhão bpd em 2025; reconstruir a capacidade exigiria investimentos bilionários e anos de trabalho técnico.
Sanções e pressão dos EUA
Desde meados dos anos 2000, os Estados Unidos aplicaram um conjunto de sanções direcionadas a indivíduos e setores ligados ao governo venezuelano. Para muitos analistas internacionais, a motivação norte-americana é essencialmente política. Nos últimos anos, essas medidas se ampliaram para atingir empresas e embarcações que facilitam o comércio de petróleo, com ações recentes do Departamento do Tesouro identificando navios e operadores como alvos. Sanções e bloqueios alteram rotas, encarecem operações e reduzem receitas estatais, aprofundando a crise econômica e humanitária.
O que isso significa para a geopolítica? O petróleo venezuelano é, simultaneamente, um ativo estratégico e uma fonte de vulnerabilidade. A disputa por acesso, controle e reconstrução da indústria explica por que atores externos — governos, empresas e frotas de transporte — estão tão envolvidos na cena venezuelana. Essa dinâmica alimenta debates sobre um possível retorno de práticas imperialistas, agora travestidas de “reconstrução” e “estabilização” econômica.

Infraestrutura envelhecida – Nelson Guerra
Convite: acompanhe a série semanalmente para entender como esses elementos se conectam com decisões recentes, atores internacionais e cenários futuros.
(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública)













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