QUEM VAI MEXER NO QUEIJO DEIXADO PELO RATINHO?
- Walber Guimarães Junior

- há 35 minutos
- 4 min de leitura
A verdade é que o atual governador Ratinho Junior segue parado na porta da sucessão nacional, nem entra nem sai ou o faz seguidamente em direções opostas.
É seu jogo estratégico que exige paciência, mas que emperra a sucessão estadual no Paraná.

A escolha de Ratinho Junior reflete diretamente nas cartas do jogo eleitoral. Sua candidatura nacional ainda não permite uma melhor avaliação porque pode ser mais uma aposta furada, como todas as candidaturas do estado anteriores ou pode ser competitiva se fortalecida por várias siglas, como opção viável da direita brasileira.
Todavia, como candidato ao Senado, rodará cada cidade do Paraná com muito mais peso para transferir seu índice de aprovação, acima de 80% em todas as pesquisas para o seu escolhido. O time das duas decisões é conflitante; se a definição nacional exige cautela, a disputa no Paraná se aproveita da sua indefinição para desenhar um quadro desfavorável aos seus candidatos.
A decisão do União Progressista de fechar a porta para o Senador Sergio Moro serviu como um freio político para suas pretensões, nada, porém, que tenha afetado os números das pesquisas que o colocam na liderança, sempre próximo de 40% desde outubro de 2024. Por certo não lhe faltarão legenda, por seu histórico e pela viabilidade de sua candidatura O seu destino mais provável deve ser o MDB que, se tiver a competência de costurar acordo com várias siglas desgarradas ou fora do guarda-chuva da situação, pode ser suficiente para lhe conceder tempo no palanque eletrônico e chapas proporcionais que lhe ofereçam palanque físico em todas as regiões, fatores importantes para sustentar seu nome. Apesar das dificuldades, Sergio Moro deve ter facilidade para garantir uma das vagas para o segundo turno.
Roberto Requião Filho, o único nome à esquerda na disputa, roda o estado com desenvoltura, trabalha ideias e tem feito oposição com inteligência, sem arrogância e apontando questões que alimentam a rejeição ao grupo do poder.
Terá o apoio implícito ou explícito do PT que vai lançar candidatos ao Senado, apostando que uma boa parcela dos eleitores fará suas escolhas no mesmo campo ideológico. O histórico aponta para um piso de 15%, já ultrapassado na largada, e exige que o processo eleitoral a eleve para no mínimo 25%, número necessário para garantir ingresso na segunda rodada.
Uma leitura isenta aponta para quase metade do eleitorado com definição prévia, longe das candidaturas oficiais, gerando inequívoca dificuldade para o candidato da situação. Posso avaliar que 45% dos eleitores não mudarão suas escolhas nos dois nomes supramencionados, exigindo muito talento para as opções do PSD de abocanhar a fatia restante, algo possível pelo nível de aprovação do governo, mas que exige uma máquina unida em torno de um único nome.
Isto resume o dilema do PSD, sob a tutela de Ratinho, mas hesitante entre dois nomes importantes e nada que indique uma solução sem sequelas.
O Secretario Guto Silva é, provavelmente, o candidato do coração do governador, todavia o Deputado Alexandre Curi, com maior respaldo político na base, parece ser a solução mais racional, dúvida que se estende aos vices porque são muitos nomes de peso que, além de serem prestigiados, precisam limitar a possibilidade de turbinar o palanque da oposição. Deltan Dallagnol e Rafael Greca são ótimos puxadores de voto e podem compor a chapa com boa possibilidade de alavancar a chapa, principalmente na capital.
Como citei quatro nomes, alguém pode ter pensado em distribui-los nas vagas de vice e nas duas para o Senado, todavia tem a variável Ratinho, que pode ocupar uma delas, e meia dúzia de bons nomes na fila para a disputa ao Senado, tornando inviável a simples distribuição de camisas aos pretensos titulares.
O histórico eleitoral mostra que governos com aprovação acima de 60% dificilmente perdem as eleições, mas não é saudável apostar apenas nisto quando dois bons candidatos, um de cada lado do espectro político, oferecem bons números e ótimas perspectivas para candidatos a deputado que querem a vitória com menos votos, outra variável que favorece Moro e Requião. Enquanto no PSD um estadual precisará ultrapassar cinquenta mil votos, nas outras chapas dez mil a menos parecem suficientes e para federal a diferença deve ser ainda maior, talvez atingindo vinte mil votos. Só para refrescar a sua memória; para políticos experientes, número de votos tem relação direta com investimento na campanha.
Face a análise, é razoável supor que um grupo consistente de lideranças vai buscar espaço nos palanques da oposição, por simples raciocínio matemático e, ainda que façam campanha sem total fidelidade, algo esperado nesta disputa, é mais um fator complicador na equação eleitoral.
Abril, data limite, ainda está longe e a estratégia do atual governador pede um tempo que o quadro estadual quase não tem. Apenas a inabilidade de Flavio Bolsonaro em unir a direita, aliada a anunciada desistência do governador paulista Tarcísio de Freitas, desenha o quadro ideal para Ratinho que, ainda que improvável é, neste momento, a melhor aposta para o Centrão, ainda que seja para abrir mão dos anéis e negociar mão e braço no segundo turno.
Há muitos elementos que podem colocar o Paraná no centro do tabuleiro nacional e, estejam certos, quem mais torce por isto, por ironia, são Sergio Moro e Roberto Requião Filho.













Comentários