PRUDÊNCIA POLÍTICA: O MAPA DO PODER PODE MUDAR EM JANEIRO
- Marcio Nolasco

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Opinião Política — Portal Bisbilhoteiro.com.br
Por: Marcio Nolasco
O Portal Bisbilhoteiro.com.br já alertou. E, diante do cenário que começa a se desenhar para as eleições de 2026, vale reforçar o aviso: prefeitos e lideranças políticas do Paraná precisam começar a olhar para além de outubro.
Faltando pouco mais de cinco semanas para a votação, Sergio Moro aparece em vantagem sobre Sandro Alex nas pesquisas divulgadas recentemente. Isso não significa eleição ganha — pesquisa não deposita voto na urna —, mas seria irresponsabilidade política ignorar o cenário.

E aqui está o ponto central desta análise.
Política é também a arte de entender para onde o vento está soprando.
Prefeitos que hoje estão integralmente alinhados ao grupo político do governador Ratinho Junior precisam ter consciência de que o poder pode mudar de mãos. Se Moro confirmar uma eventual vitória e assumir o Governo do Paraná em janeiro de 2027, o mapa político do Estado será redesenhado.
E quem hoje ocupa prefeitura sabe muito bem o que isso significa.
Convênios, investimentos, obras, programas estaduais, articulações políticas e interlocução com o Governo do Estado fazem parte da realidade administrativa dos municípios. Portanto, não é inteligente transformar uma eleição em uma guerra pessoal ou apostar todas as fichas em um único grupo político sem considerar os cenários possíveis.
Não se trata de abandonar aliados.
Não se trata de oportunismo.
E muito menos de defender que prefeito algum faça política de acordo com pesquisas.
Trata-se de uma palavra que, na política, vale ouro:
PRUDÊNCIA.
Porque o prefeito que hoje pode acreditar estar sentado em uma posição confortável poderá descobrir, depois da eleição, que o tabuleiro mudou.
E há um detalhe que não pode ser ignorado: os prefeitos ainda terão dois anos de mandato pela frente.
Se o cenário eleitoral mudar, será necessário conviver com o novo governo estadual até o final das atuais administrações municipais.
Por isso, talvez seja hora de alguns prefeitos diminuírem o tom, evitarem declarações precipitadas, preservarem pontes e, principalmente, não transformarem divergências eleitorais de 2026 em conflitos institucionais que poderão cobrar uma conta política em 2027 e 2028.
Porque política passa.
A administração pública fica.
E prefeito nenhum deveria colocar os interesses do município em risco por causa de uma fotografia eleitoral.
A pergunta que alguns gestores deveriam fazer agora não é apenas “quem eu quero que ganhe?”
A pergunta mais inteligente é:
“E se ganhar o outro?”
Essa é a diferença entre paixão política e responsabilidade política.
Se Sergio Moro vencer, ninguém poderá dizer que não havia sinais de mudança no horizonte.
O alerta está dado.
Prefeitos: prudência.
Lideranças: prudência.
Aliados: prudência.
Porque em política, quem queima todas as pontes hoje pode descobrir amanhã que precisava atravessá-las.
E quando janeiro de 2027 chegar, pouco importará quem estava gritando mais alto durante a campanha.
Importará quem terá capacidade de sentar à mesa, dialogar e defender os interesses do seu município.
O poder muda. Os governos passam. Os municípios ficam.
Fica a dica do Portal Bisbilhoteiro.com.br: neste momento, prudência política não é covardia. É inteligência.



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