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O PREFEITO LOBO VALENTE QUE PODE VIRAR OVELHINHA MANSA

Por Marcio Nolasco — Opinião | Portal Bisbilhoteiro


A campanha eleitoral para o Governo do Paraná começou oficialmente neste domingo, 16 de agosto. E, com ela, começa também a temporada dos palanques, dos discursos inflamados, das fotografias sorridentes, dos abraços calculados e, principalmente, das demonstrações públicas de lealdade política.


Sergio Moro, Sandro Alex e os demais candidatos entraram oficialmente no jogo.

E o jogo, como se sabe, é duro.


Mas existe um personagem que merece atenção especial nessa eleição: o prefeito Lobo Valente.


É aquele prefeito que, quando está cercado pelos seus aliados (só ao fica corajoso), sobe no palanque, pega o microfone e parece ter descoberto a fórmula definitiva da política. Grita. Ovaciona. Bate no peito. Exalta seu candidato. Ataca adversários. Distribui certezas. Fala que sua cidade é a primeira do Brasil em quase tudo, menos na verdade dos fatos das ruas sentido pelo povo. Acha até que ele é que é o candidato ao Govertno do Estado... é cômico!


É o prefeito que se comporta como se fosse dono da verdade — e como se o grupo político ao qual pertence fosse permanecer eternamente no poder assim cmo ele na cadeira de sua prefeitura.


Só que a política tem uma característica que muitos esquecem:

o poder muda de mãos.


E quando muda, o lobo pode descobrir que não era tão lobo assim, nem ovelinha, mais pode descobrir que era outro animal o burro...


O Lobo que pode virar Ovelhinha
O Lobo que pode virar Ovelhinha

O PALANQUE NÃO É ETERNO


Hoje, prefeitos aliados de Sandro Alex podem falar como se Sergio Moro fosse o grande problema do Paraná.


Da mesma forma, prefeitos alinhados a Sergio Moro podem tratar Sandro Alex como se sua candidatura fosse o maior erro político do Estado.


O problema não está em apoiar um candidato.


Prefeito tem todo o direito de escolher lado, defender projeto e participar da campanha.


O problema começa quando a defesa política ultrapassa os limites da divergência e transforma adversários em inimigos pessoais.


Porque, terminado o período eleitoral, a política institucional continua.


E o prefeito continuará sendo prefeito.


Pelo menos até o fim do mandato (2028).


E é aí que mora o perigo...


E SE O ADVERSÁRIO VENCER?


Vamos imaginar uma situação perfeitamente possível.


O prefeito Lobo sobe ao palanque.


Grita.


Aplaude.


Ironiza.


Desqualifica.


Faz discurso inflamado contra o candidato adversário.


Diz que seu candidato será o futuro governador.


Diz que o outro não serve.


Diz que o outro representa o atraso.


E faz tudo isso diante de câmeras, celulares e redes sociais.


Só que chega outubro!!1


As urnas falam.


E o adversário vence, pronto...


E agora, prefeito?


A campanha acabou.


O governador eleito tomou posse.


E aquele mesmo prefeito que passou meses com o peito estufado terá pela frente dois anos de administração municipal — ou o período restante de seu mandato — diante de um Governo do Estado comandado justamente pelo político que ele atacou durante a eleição.


É aí que o Lobo Valente pode descobrir que precisa virar Ovelhinha Mansa. Ou deixar de ser Lobo e conrtinuar Burro como sempre foi...


Não porque tenha mudado de opinião.


Mas porque governar uma cidade exige responsabilidade institucional.


A POLÍTICA TEM MEMÓRIA


É preciso entender uma coisa que parece óbvia, mas que muitos esquecem:

a política tem memória.


Vídeo não desaparece depois de gravado em centenas de computares ou celulares.


Fotografia não desaparece.


Discurso não desaparece.


Publicação nas redes sociais não desaparece.


O que hoje é aplauso de militância pode amanhã se transformar em registro histórico.


E não existe nada mais constrangedor na política do que assistir a alguém que ontem gritava contra determinado grupo aparecer amanhã, sorridente, estendendo a mão para o mesmo grupo, uma Ovelhinha mansa...


Não há problema em dialogar.


Não há problema em construir pontes.


Aliás, prefeito responsável precisa dialogar com qualquer governador legitimamente eleito.


O problema é a incoerência.


É vender valentia eleitoral e depois apresentar submissão institucional.


OS "PREFAKES" DA POLÍTICA


E aqui entra uma expressão que precisa ser entendida no contexto deste editorial:

PREFAKE.


Não é uma acusação contra um prefeito específico.


É uma crítica a um comportamento político.


O Prefake é aquele que constrói uma imagem de prefeito perfeito, de líder absoluto, de político acima de qualquer crítica.


No palanque, parece um leão.


Nas redes sociais, parece um gigante.


Na frente dos aliados, parece invencível.


Mas, quando o vento político muda, rapidamente procura uma posição confortável.


O problema é que a população está cada vez mais atenta.


O eleitor observa.


Compara.


Lembra.


E cobra coerência.


A ELEIÇÃO AINDA ESTÁ ABERTA


E existe outro detalhe importante: ninguém ganhou a eleição em agosto.


A campanha apenas começou.


A disputa pelo Governo do Paraná envolve diferentes candidaturas e alianças, e o cenário eleitoral ainda pode mudar significativamente até outubro.


Pesquisas recentes e análises de especialistas políticos mostram fotografias diferentes da corrida, reforçando justamente que eleição não é uma ciência exata e que vantagem momentânea não significa vitória antecipada. Isso viemos publicando desde Janeiro de 2025 neste portal acompanhando o movimento político do Paraná.


Portanto, talvez seja prudente que alguns prefeitos diminuam um pouco o rugido.


Porque o rugido de hoje pode virar o silêncio constrangido de amanhã.


CUIDADO, PREFEITO LOBO!


Se você é prefeito e está fazendo campanha para Sandro Alex, tudo bem.


Defenda seu candidato.


Mostre suas realizações.


Apresente argumentos.


Peça votos.


Se você é prefeito e apoia Sergio Moro, faça exatamente a mesma coisa.


Defenda seu projeto.


Mostre suas razões.


Conquiste eleitores.


Isso é democracia.


Mas cuidado com os excessos.


Não transforme adversário eleitoral em inimigo institucional.


Porque você não sabe quem estará sentado na cadeira do Palácio Iguaçu pelos próximos quatro anos.


E mais:


você não sabe quem estará sentado naquela cadeira quando ainda faltarem dois anos para terminar o seu mandato de Lobão ou Ovelhinha...


É aí que a valentia precisa encontrar a prudência.


Porque o governador passa.


O prefeito passa.


Os partidos mudam.


As alianças mudam.


Mas a cidade continua.


O PALANQUE DESMONTA. A PREFEITURA FICA.


Essa talvez seja a maior lição.


O palanque desmonta.


As bandeiras são recolhidas.


Os carros de som desaparecem.


Os jingles param.


As camisetas de campanha vão para o armário.


Mas a prefeitura continua funcionando.


As demandas continuam chegando.


Os investimentos continuam sendo necessários.


As obras continuam dependendo de recursos.


Os municípios continuam precisando do Governo do Estado.


Por isso, prefeito que pensa na cidade precisa compreender que apoio eleitoral não pode significar ruptura institucional.


Você pode ser 100% Sandro Alex.


Pode ser 100% Sergio Moro.


Mas amanhã terá que governar para todos.


E, dependendo do resultado das urnas, poderá precisar conversar justamente com aquele candidato que hoje está sendo atacado no seu palanque.


E QUANDO O LOBO PRECISAR PEDIR AJUDA?


Imagine a cena.


O prefeito que passou meses chamando o adversário de incompetente precisa, depois da eleição, solicitar uma obra.


Precisa de uma ambulância.


Precisa de recursos.


Precisa de infraestrutura.


Precisa de convênio.


Precisa de apoio institucional.


Precisa sentar à mesa.


E quem estará do outro lado?


O governador que ele ajudou a combater.


Nesse momento, talvez o Lobo Valente precise respirar fundo.


Guardar o orgulho.


Engolir algumas palavras ,a seco pois seu ego vai lhe sufocar...


E vestir a fantasia de Ovelhinha Mansa.


Não porque isso seja bonito.


Mas porque a realidade do poder é assim.


AOS LOBOS DE SANDRO. AOS LOBOS DE MORO.


Este editorial não é para um lado.


É para os dois.


Aos Lobos de Sandro Alex: cuidado.


Aos Lobos de Sergio Moro: cuidado também.


Não existe imunidade política.


A urna pode surpreender.


O eleitor pode mudar de opinião.


Uma campanha pode virar.


Uma liderança pode crescer.


Outra pode cair.


E aquilo que hoje parece uma certeza absoluta pode virar apenas uma lembrança constrangedora.


Portanto, antes de subir no palanque e abrir a boca para atacar, talvez seja interessante lembrar de uma velha regra da política:


Nunca feche uma porta que amanhã você poderá precisar abrir.


O AVISO ESTÁ DADO


Prefeito Lobo, seja valente.


Mas seja inteligente.


Defenda seu candidato.


Mas respeite o adversário.


Faça campanha e não seja Burro!


Não destrua pontes.


Grite menos.


Pense mais.


Porque o governador eleito não será governador apenas dos prefeitos que votaram nele.


Será governador de todos os paranaenses.


E você, prefeito, continuará precisando dele.


Então, cuidado, valentão.


A eleição é passageira. A administração é permanente.


Hoje você pode estar no palanque, peito inflado, cercado de aliados, rugindo e uivando como um lobo.


Mas, dependendo do resultado das urnas...


amanhã pode estar de cabeça baixa, batendo à porta do adversário.


E talvez seja justamente aí que o grande Lobo Valente descubra que sua caminhada para virar Ovelhinha Mansa estava muito mais próxima do que imaginava.


Cuidado, Prefeito Lobo.


Na política, quem hoje ruge alto demais pode ser obrigado amanhã a falar bem baixinho.


Opinião editorial. Os conceitos de “Lobo Valente”, “Ovelhinha Mansa” e “Prefake” são utilizados como metáforas para comportamentos políticos e não identificam, neste texto, um prefeito específico.

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