Orgulho de Quê?
- Leonna Moriale

- 27 de jun.
- 2 min de leitura
Junho é o mês do Orgulho LGBTI+,dia 28 representa o dia internacional do orgulho, uma celebração que marca um momento crucial na história da comunidade: a Revolta de Stonewall, em 1969. Um ano depois, a primeira caminhada gay, que hoje conhecemos como Parada LGBT, tomou as ruas, reivindicando visibilidade e direitos. Mas, afinal, orgulho de quê?

É o orgulho de ser quem se é e amar quem se ama em uma sociedade que, infelizmente, ainda nos violenta e nos mata diariamente. Pessoas LGBTI+ sempre existiram, mas por muito tempo foram forçadas a viver nas sombras. Famílias inteiras sentiam vergonha de assumir seus membros “esquisitos”, o que na sigla ganhou espaço como quer, as famílias tradicionais acabavam escondendo-os em quartos escuros ou porões. Homens gays, temendo o preconceito, muitas vezes se casavam e tinham filhos com mulheres, prática ainda comum nos dias atuais, não à toa os aplicativos gays estão cheios de perfis “casado no sigilo”. Mulheres eram impedidas de viver sua sexualidade abertamente, o que dizer de mulheres lésbicas. Pessoas trans eram vistas como aberrações, submetidas a tratamentos psicológicos ou de choque, e as que ousavam assumir sua transição eram frequentemente marginalizadas, confinadas a papéis como "mulheres barbadas" em circos ou forçadas a esconder sua verdadeira identidade de gênero para se encaixar em expectativas cisgêneras dentro de prostíbulos e bordéis. Dentro da moral e dos bons costumes não havia e ainda há pouco espaço para a diversidade sexual e de gênero. Gozar é um tabu!
Visitar documentários como “As Divinas Divas” ou “A Morte e a Vida de Marsha P. Johnson”, nos dá um panorama histórico, nacional e internacional das vivências LGBTI+. O que ajuda a manter viva e circulando a memória das nossas ancestrais ou pelo menos de uma parte delas, o que dizer das que tiveram suas vidas ceifadas e histórias apagadas? Aquelas mulheres trans enterradas de terno e gravata.
As principais datas para a comunidade LGBTI+ incluem o Dia Nacional da Visibilidade Trans (29 de janeiro), o Dia Internacional da Visibilidade Trans (31 de março), o Dia Internacional de Combate à Homofobia (17 de maio), o Dia do Orgulho LGBTI+ (28 de junho), o Dia da Visibilidade Lésbica (29 de agosto) e o Dia da Visibilidade Bissexual (23 de setembro). Essas datas marcam a existência e resistência de muitas pessoas e não apenas números. É o lembrete de que somos uma comunidade e que a diversidade existe principalmente entre nós, o que faz com que cada um de nós tenha suas especificidades.
Em 2025, assistimos a um cenário de esperança e avanço. Vemos mulheres trans na política, homens gays construindo famílias e adotando filhos, e mulheres lésbicas vivendo suas histórias e protagonizando suas sexualidades abertamente. Essas conquistas são fruto de muita luta e resistência.
Apesar de todos esses avanços, ainda há um longo caminho a ser percorrido. O Brasil, lamentavelmente, ainda é o país que mais mata pessoas LGBTI+ no mundo. Todos os direitos conquistados são mérito do movimento social, e é crucial lembrar que eles não são permanentes. Com a crescente onda conservadora global, especialmente dos Estados Unidos, precisamos nos manter ainda mais vigilantes e continuar a lutar em todo o mundo até que nossos sonhos de uma sociedade verdadeiramente igualitária sejam coroados com sucesso.
Leonna Moriale
Travesti Arte'ativista














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