O STF é só a ponta do iceberg
Não estamos diante de uma crise do STF, nem de um esforço solitário de Alexandre de Moraes para evitar ser investigado. Há um conjunto de Poderes e interesses trabalhando para que as investigações sobre ele não avancem.

Depois de André Mendonça tornar públicas informações que alcançam Moraes, a PGR, chefiada por Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que amparava as investigações e, inclusive, citava o próprio Gonet.
Moraes, ao retaliar Mendonça, pedindo que o colega fosse investigado, abriu caminho para a anulação não apenas das investigações que o alcançam, mas também das que alcançam Lulinha, filho do presidente, conhecidamente próximo de Moraes. Para arrematar, Alcolumbre, presidente do Senado, segundo a imprensa, articula um bizarro e inacreditável impeachment contra Mendonça.
E não surpreende: Lula, Alcolumbre e Moraes já foram encontrados em um jantar secreto na casa do ministro, no último dia 4 de agosto. Segundo informações do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, o encontro serviu para que confabulassem sobre como fragilizar Mendonça.
Ou seja, mais do que abanar, o rabo nesse caso apunhala e devora o cachorro. Alcolumbre, Lula e Moraes fazem parte de uma ciranda que gira em torno dos mesmos interesses, pouco ou nada republicanos.
Por sua vez, Fachin, presidente do STF, diante do caos, anuncia medidas fortes; só não disse quais nem quando e já cogita deixar tudo para depois das eleições, apostando na característica pátria mais conhecida: o esquecimento.
De outra banda, parte da cúpula da OAB federal, nesse momento delicado do país, viajou para a Suíça, em um evento, decerto, mais interessante do que nossos problemas mundanos. E parte da advocacia que orbita em torno do poder supremo já se diverte com a possibilidade de repetir o mesmo enredo da Lava Jato, dirigindo a Mendonça suas críticas e retirando o caso de seu eixo, para discutir se o investigador podia investigar e o juiz julgar.
O que se vê é um Estado armado contra a lei. Há setores do Judiciário, do Executivo, do Legislativo e da advocacia interessados em preservar o sistema do qual extraem poder, dinheiro ou influência.
O STF é só a ponta do iceberg. Moraes é hoje o capítulo mais visível da história de um país institucionalmente falido. Isso não alivia a situação de Moraes. Apenas mostra por que investigá-lo é tão difícil e tão necessário




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