O Puxadinho do Paço: Quando a Câmara de Cianorte Esquece que o Povo é o Patrão
- Marcio Nolasco

- há 2 dias
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Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
Antes de você começar a ler este artigo caro leitor, quero dizer para você que na Câmara de Cianorte existe bons vereadores e não se pode generalizar todos como obedientes ao sistema. Porém a maioria deles minam a ética e moral do parlamento municipal e isso fica evidente em cada sessão ordinária...
A democracia em Cianorte respira por aparelhos. O que deveria ser a "Casa do Povo" transformou-se, nos últimos tempos, em uma extensão burocrática do Poder Executivo. Onde deveria haver o som do debate e o rigor da fiscalização, ouve-se apenas o silêncio constrangedor da submissão ou o bater de carimbos em projetos que descem prontos da colina do Paço Municipal.

A Ilusão da Independência
O vereador que se ajoelha diante do prefeito levanta-se contra o cidadão. É um cálculo matemático perverso: cada vez que um parlamentar abre mão de sua função de fiscalizar para se tornar um "soldado" do Executivo, ele anula os votos de milhares de cianortenses. Vereador não foi eleito para ser amigo de prefeito; foi eleito para ser o guardião do dinheiro público. Prefeitura não é banca de jogo de azar nem mesa de jogatinas, prefeitura deve ser FISCALIZADA!
A falta de independência não é apenas uma falha política, é uma anemia moral. Quando a Câmara abdica de sua autonomia, ela deixa de ser um poder para se tornar um acessório. E acessórios não questionam, não investigam e, acima de tudo, não protegem o povo.
Ética em Frangalhos: O Preço da Obediência
Não é coincidência que este cenário de subserviência caminhe lado a lado com processos de cassação por falta de ética e moral. A corrupção dos valores começa na omissão. Onde não há fiscalização ativa, a erva daninha da imoralidade cresce sem controle.
"Uma Câmara que não incomoda o Executivo é uma Câmara que não serve ao cidadão."
Os processos que mancham o histórico do nosso Legislativo são o sintoma óbvio de uma doença profunda: a troca da ética pela conveniência. Quando o vereador troca o chicote da fiscalização pelo afago do poder, ele perde o direito de falar em nome da moralidade.
O Papel do Fiscalizador vs. O Papel do Submisso
O artigo 31 da nossa Constituição é claro, mas parece escrito em grego para alguns ocupantes das cadeiras de Cianorte. Fiscalizar não é "atrapalhar o governo", é garantir que o asfalto, a saúde e a educação não se percam nos labirintos da má gestão.
Cianorte não precisa de vereadores obedientes. Precisamos de representantes independentes.
Obediência é para quem serve a um senhor.
Independência é para quem serve a uma causa e ao povo.
O Despertar das Urnas
Em outubro de 2025, escrevi neste portal que em 2028 teríamos 80% de renovação na Câmara de vereadores, agora pelos fatos que se estendem desde fevereiro de 2025 e mais os acontecimentos inesperados do presente que surpreendem a sociedade em geral, posso afirmar que teremos 90% de nossa Câmara renovada em 2028... só aguardar! Será que da pra mudar isso? Somente com independência e memos conversas moles e abarrotadas de politicagem!
O cidadão de Cianorte não pode mais aceitar o papel de espectador passivo deste teatro de sombras. A legitimidade de um político termina no momento em que ele coloca os interesses do prefeito acima das necessidades do bairro, da economia local, da segurança pública, da saúde, educação e geração de empregos.
É hora de exigir que a Câmara recupere seu DNA de altivez. Ou os vereadores assumem o compromisso com a ética e a fiscalização rigorosa, ou serão lembrados apenas como a geração que transformou o Legislativo de Cianorte em um puxadinho submisso e irrelevante.
"A política não perdoa a covardia. E o eleitor, este ano de 2026 e 2028, terá boa memória".
O Teatro da Submissão: Cianorte Exige Vereadores, Não Animadores do Paço Municipal
Cianorte cansou do discurso açucarado. Enquanto as sessões da Câmara de Vereadores são inundadas por agradecimentos efusivos e elogios carinhosos ao Prefeito e seu secretariado, o cidadão na ponta da linha enfrenta a crueza dos fatos. O plenário, que deveria ser o tribunal da razão e da cobrança, transformou-se em um balcão de gentilezas que ignora a realidade quem paga a conta. Hoje se espera em filas até para fazer exames de sangue equanto o discurso meloso aflora no plenário municipal...
Menos Carinho, Mais Cobrança
O povo não elegeu vereadores para serem "relações públicas" do Executivo. A linguagem do parlamento deve ser a da objetividade e da urgência.
Na Saúde: Não queremos saber da "boa vontade" da gestão; queremos saber por que as fila da especialidades, de médiaso em geral, as filas dos exames não anda e por que faltam insumos básicos e remédios.
Na Educação e Segurança: Menos "tapinha nas costas" e mais rigor na aplicação das verbas e na cobrança de resultados palpáveis. Nossas crianças e motoristas vão andar em onibus sucateados até quando? ATÉ QUANDO?
Emprego e Habitação: Onde estão os projetos de impacto real que não passam pela aprovação prévia do Paço? Onde estão?
Cada minuto gasto em elogios protocolares é um minuto roubado da solução dos problemas que afligem o pai de família e o jovem em busca de oportunidade.
"Lugar de carinho é em casa; na Câmara, o papel é de fiscalização implacável."
A Fantasia Digital vs. A Ética Parlamentar
Assistimos hoje a um fenômeno perigoso: vereadores que governam para o algoritmo, mas falham com o eleitor. O excesso de vídeos fantasiosos nas redes sociais, com trilhas sonoras heróicas e edições que escondem a inércia, é um desrespeito à inteligência do cidadão.
O mandato não é um "reality show". Essa busca frenética por curtidas cria uma cortina de fumaça que mascara a falta de independência. Enquanto o vereador se preocupa com o melhor ângulo para o vídeo, a fiscalização ativa morre no altar da vaidade.
A Crise Ética e o Resgate da Moral
A submissão do Legislativo ao Executivo não é apenas uma escolha política errada; é um desvio ético. Quando a Câmara se torna obediente por conveniência, ela abre as portas para a imoralidade. Os recentes processos de cassação e os escândalos que rondam o parlamento municipal são frutos diretos desse silêncio comprado e dessa subserviência cega.
A ética parlamentar exige distância. Exige a coragem de dizer "não" ao Prefeito quando o interesse da cidade está em jogo. Uma Câmara que não incomoda, que não questiona e que se perde em autoelogios virtuais, é uma Câmara que perdeu sua razão de existir.
Concluindo caro leitor:
O Voto não é uma Procuração em Branco. Cianorte precisa de vereadores que troquem o celular pela lupa de fiscalizador e o discurso carinhoso pela cobrança técnica.
"A moralidade e a ética de um parlamento se mede pela sua independência. Se a Casa de Leis continuar a ser um puxadinho obediente e um estúdio de vídeos irreais para as redes sociais, o cidadão terá apenas um caminho: usar o silêncio das urnas para varrer a covardia da vida pública cianortense". - Marcio Nolasco.













Boa matéria esperamos que cada poderes cumpram com seus Deveres assim os cidadãos só tem a ganhar Cianorte não pode virar terra sem lei.