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O perigoso homem do topete laranja.

Muitos dos que me concedem a honra da leitura, ainda na adolescência, jogaram War, um game muito interessante que simulava uma guerra por espaços no planeta. Não estava na regra, mas era muito comum que os adversários fizessem acordos tácitos de não agressão e de divisão do mundo entre suas cores, priorizando destruir os demais e só depois decidir quem seria o chefe do planeta. Neste momento, nem tão implícito assim, Vladimir Putin, Xi Jinping e o indomável Donald Trump negociam suas áreas de influência e atropelam os demais players, todos enfraquecidos. Uma regra mudou; não importam apenas territórios, mas riquezas minerais e energia.



Putin iniciou a brincadeira com seu projeto de expansão que, neste momento, barbariza a Ucrânia, com a omissão de dezenas de nações que fingem que não enxergam nada. O leste europeu é sua área e, sem adversários, deve avançar por outros territórios. Xi Jinping é muito mais discreto, estabelecendo seu domínio com alianças econômicas que, aos poucos, vão impondo seu domínio político, com planos já maiores que a própria Ásia. Todavia, o mais perigoso é Donald Trump, a águia laranja, sentado no melhor exército do mundo, com bala na agulha para impor suas vontades como um garoto mimado. Sem freios, tem potencial para ser mais danoso que Adolf Hitler.


A história da humanidade é repleta de guerras de conquistas, em especial na Idade Média, onde extensão e terras era sinônimo de riqueza, além da era dos descobrimentos com o mundo civilizado ampliando suas fronteiras para novos continentes, todavia, desde a segunda guerra mundial, exceto por conflitos localizados, vivemos um período de relativa tranquilidade com a comunidade internacional administrando bem as situações críticas principalmente pela força e credibilidade dos organismos regionais, Otan e outros, ou mundiais como a ONU. Mas americanos, russos e chineses tem planos muito maiores que suas fronteiras.

O século XXI acelerou a preocupação dos governos com a prevista escassez de recursos e de energia, além da alteração da matriz de riquezas da humanidade.

Países sem energia, petróleo ou formas alternativas, e sem matérias primas para a grande competição que se iniciou com a era digital, perderam competitividade e ainda que inundados de comodities dependerão do comércio externo para sobreviverem e estarão em flagrante desvantagens nas trocas comerciais, com expectativa negativa para suas economias. Para além dos sonhos imperialistas, Putin, Xi Jinping e Trump conhecem a regra do jogo.


Vladimir Putin foi o precursor do trio, usando ostensivamente a força militar para expandir suas fronteiras ao sul da Rússia e, quatro anos após, controlando quase trinta por cento do território original da Ucrânia, recorrendo à raízes históricas em suas justificativas como se pudesse iludir a todos acerca de sua cobiça das riquezas minerais ucranianas. Observe que não é um conflito tradicional com questões complexas a serem definidas, mas apenas uma agressão absurda contra uma nação independente que, ainda assim, não recebe a necessária condenação da comunidade internacional, mostrando que as conveniências impõem um silêncio vergonhoso ou apenas uma tímida reação diplomática para não gerar arestas como o mais poderoso.


A China de Xi Jinping é mais discreta e amplia sua área de influência com mais diplomacia e se valendo de sua força econômica. A estratégia tem se mostrando muito eficiente com os chineses assumindo o domínio e a exploração de riquezas em territórios alheios de forma pacífica, porém preocupando seus rivais pela posse de matérias primas, além daquelas em seu território, a colocando em vantagem na competição em diversas áreas estratégicas fundamentais. Nada, porém, indica que não possa pegar carona na ousadia de Putin e Trump e invadir Taiwan, aspiração sempre contida pela desaprovação da comunidade internacional, algo sem peso na atualidade.


Por fim, os olhos do planeta se concentram no homem do topete laranja, chefe da mais poderosa arma de guerra do planeta e com inegável vocação imperialista. É importante também considerar que Donald Trump age sempre como um experiente jogador de pôquer, blefando com maestria, arrotando sua superioridade para pavimentar suas reais ambições, nem sempre as mais explícitas. Ainda assim é provavelmente o ser humano com maior potencial destrutivo desde Adolf Hitler.


Trump invadiu a Venezuela, em ação cinematográfica, capturando o ditador Nicolas Maduro, facilitou a vida de Israel permitindo a destruição da Faixa de Gaza, constrange uma dúzia de países e já ameaçou invadir o México, Canadá, Colômbia e, com mais ênfase a Groelândia. É certo que a fila não termina por aí e, embora não efetive todas estas ações, em cada situação, respaldado pela força militar, soma vantagens comerciais com negociações ou tarifas unilaterais. Nada indica qual o limite do homem do topete laranja.


Ainda que, na maioria das vezes, o blefe seja apenas um handicap para a negociação, Trump representa o perigo mais iminente das últimas décadas, nos levando a imaginar que a reconstrução da teia de defesa da humanidade, através de suas instituições multilaterais, vai precisar de mais de uma década para ser refeita e algumas demandas coletivas, como a luta para defender o planeta do aquecimento, estão irremediavelmente comprometidas.


Desconsidere a questão ideológica, e o abandono pragmático de Jair Bolsonaro o demonstra, porque é o dinheiro que move Donald Trump e, se necessário, atropela o Judiciário americano, como já o fez, e o Congresso, restando saber qual será o mecanismo que vai utilizar para lhe permitir um novo mandato. Trump é um risco para a paz mundial e ainda assim recebe a solidariedade de setores inconsequentes da direita mundial. Seus aliados são ocasionais e descartáveis após estenderem a escada que o leva aos seus objetivos e não há nenhum contexto ideológico nisto.


Donald Trump divide o mundo em três forças complementares, abre os olhos para o continente americano, como se fosse o quintal americano, e estende as mãos para impor seu domínio na Europa Ocidental, deixa o caminho livre para Putin no leste europeu e assiste impassível o avanço da influência chinesa pela Ásia.


Como no tradicional jogo de war, deixa apenas três cores no tabuleiro e depois, na era pós Trump, os sucessores que resolvam o problema. Talvez reconstrua o poderio econômico americano, combalido depois de décadas atuando como patrono da humanidade, mas, certamente, deixará uma conta absurda para a humanidade pagar por seus arroubos e sua irresponsabilidade.


Infelizmente, somos impotentes para detê-lo e isto é missão exclusiva dos americanos, porque literalmente, quem pariu o monstro que o embale.

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