top of page
572954291_18300745243267772_2025636869234957554_n.jpg

O filho de mil homens

Eu sigo o perfil da CNN de Portugal no Instagram e sempre gostei das postagens “Para terminar, uma boa notícia”, que trazem momentos aleatórios em que são mostrados fatos, acontecimentos, situações, pessoas, em histórias felizes, otimistas, e nos fazem abrir um sorriso apesar de tanta loucura que existe no mundo hoje em dia. O cinema brasileiro, de uns tempos para cá, está recheado de boas notícias, e não apenas os filmes premiados internacionalmente, como “Ainda Estou Aqui” ou “O Agente Secreto”, que por si só nos enchem de orgulho, mas outras produções nacionais, menos badaladas nas mídias, mas com uma qualidade muito acima da média. Uma das produções nacionais é o filme “O Filho de Mil Homens”, dirigido por Daniel Resende, com Rodrigo Santoro como seu ator principal, baseado no livro homônimo de Valter Hugo Mãe. O livro é de 2011 e o filme é de 2025.

 


 

Em síntese, o enredo do filme gira em torno de Crisóstomo, um pescador calado, em torno de seus 40 anos, que mora em uma casinha um tanto afastada do povoado, que sonha em ser pai e que teve uma infância muito trágica, pai desconhecido e a mãe foi morta pelos moradores do vilarejo por ser considerada prostituta. Crisóstomo encontra Camilo, um menino órfão, que tinha um pai conservador e preconceituoso, Isaura, que está fugindo de uma situação que a oprimia, e Antonino, um jovem incompreendido por sua homossexualidade. Os quatro acabam por formar uma família atípica, que aprendem a compartilhar seus medos e juntos se fortalecem. A história dos quatro personagens é narrada de uma maneira muito sensível e a atuação dos artistas é irreparável.

 

Ainda vivemos um mundo em que existe muito preconceito e intolerância. As redes sociais, para quem tem paciência e “estômago”, é um território em que, em nome de alguma ideologia ou “apenas” para marcar posição, pessoas destilam sua xenofobia, seu racismo, sua aporofobia (que é o preconceito contra pessoas pobres), sua homofobia, suas intolerâncias religiosas. Me chamou particularmente a atenção neste início de ano dois vídeos: um em que um homem curitibano deu uma entrevista (que não era para qualquer meio de comunicação tradicional) em que tentava defender que o povo sulista é melhor do que o povo nordestino; e outro em que um rapaz de Santa Catarina dizia, com muito orgulho, que pediu para sua noiva deixar a faculdade de Odontologia na UFSC alegando que as mulheres só fazem faculdade para buscar emprego depois e ter uma renda, e que, no caso dele, como ele é rico, pode sustentar muito bem sua futura esposa e dar a ela tudo o que ela quiser (roupas, joias, cabeleireiro...).

 

O filme mostra as duas realidades que existem hoje: a do preconceito e a da tolerância. Se por um lado, temos ainda preconceitos arraigados e até militantes, por outro temos cada vez mais pessoas que praticam, no dia-a-dia da vida, a empatia. Temos pessoas que rompem com aquilo que está, ainda, presente; pessoas que adquirem uma sensibilidade de acolher os diferentes, sensibilidade com “os loucos, lazarentos, moleques do internato, os velhinhos sem saúde, as viúvas sem porvir” (emprestando as palavras de Chico Buarque, em “Geni e o Zepelim”). Essas pessoas acolhem e se acolhem para se fortalecerem e enfrentar a violência das que não aceitam as diferenças. Seu mundo não é quadrado, delimitado por linhas bem definidas que não devem ser ultrapassadas, seu mundo é redondo, e em expansão sempre, sem limites intransponíveis que separam as pessoas. Seu mundo não se fecha em “meus semelhantes”, mas se abre para “meus diferentes”. O filme é o retrato dramático, difícil, de quem ousa ser diferente do que se espera, mas que teima em valorizar a sua história, sua sabedoria e, por isso mesmo, acolhe, de peito aberto, aquelas pessoas que teimam juntas. O filme é uma boa notícia!!

 

 

Meu Instagram: @costajuvenalcelio

Comentários


3133.png

Nota do editor: os textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais iconográficos publicados nos espaços “colunas” não refletem necessariamente o pensamento do bisbilhoteiro.com.br, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

* As matérias e artigos aqui postados não refletem necessariamente a opinião deste veículo de notícias. Sendo de responsabilidade exclusiva de seus autores. 

Portal Bisbilhoteiro Cianorte
novo-logotipo-uol-removebg-preview.png

Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

Selo qualidade portal bisbilhoteiro

Bisbi Notícias: Rua Constituição 318, Zona 1 - Cianorte PR - (44) 99721 1092

© 2020 - 2025 por bisbinoticias.com.br - Todos os direitos reservados. Site afiliado do Portal Universo Online UOL

 Este Site de é protegido por Direitos Autorais, sendo vedada a reprodução, distribuição ou comercialização de qualquer material ou conteúdo dele obtido, sem a prévia e expressa autorização de seus  criadores e ou colunistas.

bottom of page