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O ESPETÁCULO DO BURACO NEGRO: CIANORTE E O GIGANTE HOSPITALAR QUE ENGOLIRÁ A SAÚDE PÚBLICA (E A PRÓPRIA CIDADE)

Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP


A saúde pública em Cianorte pede socorro, agonizando em meio a filas quilométricas que, em alguns casos, duram mais do que um mandato (E AS ATUALIZAÇOES SÃO DO PRÓPRIO PORTAL DA TRANSPARÊNCIA DA PREFEITURA - NÃO É DADO FAKE como falam em redes sociais e em grupos de whatsapp algumas pessoas subservientes ao poder executivo atual).


Lista de espera para Consultas na Saúde Pública de Cianorte - atualizada em 05/11/25 - 17:00 hrs.

Em se tratando de assistência Hospitalar, temos dois extremos: de um lado, um hospital de média complexidade que sucumbiu à penúria financeira depois de anos lutando (e demonstrando a verdade que só um cego não enxergaria), resultando em uma intervenção municipal para manter um serviço mínimo. No começo, a intervenção buscava entender e sanar os problemas. No final, parecia que estava no começo (de tanto tentar, terminou a intervenção, ainda sem entender); no outro extremo, temos uma obra faraônica, um hospital que emerge no horizonte, onde mais de 60 milhões já foram investidos (destes, vários milhões foram tomados em empréstimo pela Prefeitura para nós, cidadãos, pagarmos em centenas de suaves prestações) e, salvo engano, 9 milhões parece "que sumiram"; e até o Vereador Afonso Lima (AVANTE) perguntou em plenário - Cadê o dinheiro que estava aqui? A câmara está verificando e na próxima sessão de 10/11/25 será pauta no plenário e vamos de fato saber se estes 9 milhões foram realmente colocados no hospital como era o destino anuncioado pelo próprio poder esxecutivo municipal ou se foram usados em outras atividades de "interesse da coletividade". A conta não fecha.

 

Imagem criada com I.A - Meramente Ilustrativa.
Imagem criada com I.A - Meramente Ilustrativa.

Com o dobro do tamanho, quase 2,5 vezes mais leitos e a miragem de ser um centro de alta complexidade com UTIs adulto e neonatal, e dezenas de especialidades, este novo empreendimento (que deveria ser um sinal de progresso), está mais para um monumento irresponsável e megalomaníaco, uma afronta à lógica orçamentária e à inteligência dos cidadãos. ​O mais elementar senso de gestão é ignorado com desdém na construção desse novo gigante de concreto. Se o hospital existente, com seus 101 leitos e 12 especialidades, já se provou economicamente inviável a ponto de precisar de uma "muleta" da prefeitura para sobreviver, como (COMO, em nome da sanidade financeira, alguém me responda sem vídeos editados e reels, pelo amor de Deus!) será mantida uma estrutura que beira o triplo da complexidade e demanda? A promessa de alta complexidade, que inclui UTI adulta, UTI neonatal e leitos em psiquiatria (cujos custos são extremamente altos), exige um aporte financeiro mensal estratosférico, muito além da capacidade municipal. A conta não fecha.

 

A ausência de um compromisso formal (algo que não seja só no fio do bigode) firmado com o Estado e/ou a União sobre o custeio deste gigante da saúde demonstra o risco: o município está construindo um império de gastos na esperança de um milagre político que, historicamente, nunca se concretizou para cobrir buracos; aliás, como haveria milagre, se nem o santo (um Deputado “nosso” Nós temos? Quem é ele?) Para que você leitor entenda melhor: adianta alguma coisa um município comprar uma ambulância, sem pensar nos custos com revisões, troca de peças, pneus, seguro veicular e seguro de vida dos que utilizarão o bem móvel, contratação de motoristas, técnicos e afins? Pois é ... Agora imagine em se tratando de um hospital com milhares de metros quadrados. Não baste construir, pintar, instalar uma placa de inauguração e pronto, ai está o hospital: hospital para ser hospital precisa de gente (e gente boa, gente técnica, gente capacitada; precisa de equipamentos, de orçamento, de planejamento orçamentário, planejamento estratégico, compliance e tantos outros temas e questões que são dignas de um hospital que almeja por um mínimo de qualidade e segurança em seus serviços prestados. A conta não fecha.

 

​A irresponsabilidade não reside apenas na matemática deficitária, mas também na notória falência de gestão que já macula o sistema de saúde local, se não conseguimos administrar a fila de consultas que é vergonhosa para Cianorte que já investiu de BOCA CHEIA COM RECURSOS PROPRIOS EM PRAÇAS E MAIS PRAÇAS ( E PEDE DINHEIRO PRA SAUDE PRA DEUS E O MUNDO), COMO PELO AMOR DE DEUS VÃO ADMINISTRAR UM GIGANTE DESTES NA SAÚDE? A conta não fecha.


É assustador notar que, se uma unidade hospitalar significativamente menor já é palco de uma sucessão de escândalos (respondendo a processos, investigações recentes do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público do Estado, além de denúncias graves de assédio moral e ouvidorias que não páram de chegar), o que se pode esperar da administração de uma estrutura dessas, colossal? Ou com medo de assumirem essa administração vão terceirizar essa responsabilidade ou entregar ao Governo estadual - será que nossos altamente capacitados administradores com medo do futuro CAOS DO GIGANTE HOSPITALAR vão entregar sua gestão para terceiros? Apostas aberta!!!

Aumentar o tamanho do problema em 250% sem resolver os vícios de gestão atuais é uma receita garantida para o colapso generalizado, multiplicando as denúncias, os processos e, pior, o sofrimento dos pacientes e profissionais (e, por falar em profissionais, fica a dúvida: onde encontraremos tantos e tantos enfermeiros, técnicos e médicos para atuar neste gigante, se hoje em dia fechar uma escala de plantão já é difícil no pequenino hospital? E todas as demais áreas de atuação, formações e funções existentes no âmbito hospitalar que, ainda que não sejam voltadas à assistência, são a base para que o assistencialismo aconteça de forma minimamente segura? Cianorte tem mão de obra suficiente para isso?). A conta não fecha.

 

​A saúde pública não deve(ria) ser um palanque eleitoral - 2026 será e com muita força, ou assunto de boteco e de paginas de redes sociais de alguns mestres paraguaios subservientes do atual prefeito (lugar apropriado para cada um dar a sua opinião baseada em achismos e pontos de vista, sem nenhuma prática ou vivência no meio); é uma ciência administrativa complexa – uma das mais complexas, segundo a Teoria Geral da Administração – que exige profundo conhecimento e prática gerencial. A gestão hospitalar, sobretudo a de alta complexidade, demanda uma bagagem técnica e teórica de altíssimo nível para calibrar o equilíbrio entre corpo clínico, tecnologia, insumos, recursos humanos e o inexorável custeio (que, nem sempre, se pode prever, haja vista a matemática ser ciência exata, enquanto que a medicina e assistência em geral não). Não se trata de uma empresa de costura, onde se tem uma linha de produção e você padroniza o processo, as peças e o que o controle de qualidade não aprova, é rejeitado e desovado com preço mais barato com “pequenos defeitos”. Dois pacientes, ambos submetidos à mesma cirurgia, podem ter resultados muito diferentes (e cada um gerará um custo na mesma distinção). Ciaonorte tem problemas para adiministrar uma única UPA! A conta não fecha.

 

A forma com que se conduz esse monumento (de forma sempre no tempo futuro do verbo, com pomposidade e promessas que estão sempre no "será", "vai ser", "vamos fazer" mas nunca estão no tempo presente) e a maneira como se fala sobre e se sugere que o gigante é encarado como um empreendimento meramente de engenharia, ignorando-se a intrincada e desafiadora máquina de vida e morte que ele representa. Esta falta de preparo e a presunção de que "qualquer um" pode gerir uma estrutura desse porte é o maior atestado de bestialidade que ameaça a saúde de toda a região. Caro leitor, se eu pudesse prever o futuro, diria que, quando a obra se findar, o chefe dirá assim: “pronto, tá aí, agora vocês tocam”. E se der errado? Bem, aí o problema não é meu. O abismo financeiro é gritante e inegável. Atualmente, Cianorte recebe cerca de R$ 4 milhões mensais da União para toda a sua rede de saúde — que engloba UBSs, Saúde da Família, UPA, vigilância, os dois hospitais em funcionamento, enfim, TODA a saúde tem que caber nesse orçamento. As estimativas mais conservadoras apontam que, sozinho, o novo hospital, (se cumprir minimamente as promessas de alta complexidade), exigirá um custeio de, pelo menos, R$ 10 milhões por mês. Este montante, apenas para um hospital, equivale a 250% de todo o recurso federal que a cidade recebe hoje para toda a sua saúde. A diferença de R$ 6 milhões mensais — e provavelmente muito mais — que falta para fechar a conta apenas de UM único hospital (o gigante) representa um rombo inexplicável e insustentável. A conta não fecha.

 

​A falta de transparência sobre a origem e a perenidade desse montante adicional, bem como a sinceridade em responder tais questões, é uma confissão silenciosa, um silêncio ensurdecedor de que o projeto é uma obra de gestão hospitalar e não de politicagem sem conhecimento de causa. A obra avança, mas o plano de custeio é uma sombra, um cheque em branco assinado com o dinheiro público e a saúde da população. Não se trata aqui caro leitor de oposição ao progresso, mas de repúdio à imprudência; o que está sendo construído não é um hospital, mas um fosso financeiro que arrastará o já fragilizado sistema de saúde municipal mais para o fundo. É a materialização da gestão por propaganda puramente política e para suprir egos elanfanticamente enormes, onde a aparência se sobrepõe à funcionalidade e à responsabilidade. A conta não fecha.


 

Se o que aqui escrevo não procede, ou não se sustenta, fica aqui o amplo espaço para resposta, e sugiro aos ententidos que responderem também aos seguintes questionamentos:


1. Os pavimentos devem contar com forros removíveis, facilitando as futuras manutenções preventivas e corretivas (isso foi observado?);


2.  As áreas de espera como recepções e salas para acolhimento e discussão dos casos devem ser generosas, com espaço para acomodar pessoas em conformidade ao número total de leitos da instituição (isso foi observado?);


3.  A unidade de urgência e emergência deve estar interligada a setores como UTI, centro cirúrgico, centro de diagnósticos e imagem (isso foi observado?);


4. Muitos projetos arquitetônicos ainda são elaborados sob a ótica do hospital enquanto um local que trata doentes, indo contra à tendência mundial – e que o SUS, ainda que de maneira incipiente, já começa a dar sinais – de vê-lo como um gerador de saúde; os motivos para tal ótica são: falta de conhecimento acerca da temática, quantidade de normas a serem seguidas, projetar “mecânico”, sem interação com a equipe médica, assistencial e técnica da Instituição (isso foi observado? O Gigante de Cianorte será um hospital de doentes, ou gerador de saúde?);


5. O arquiteto deve estar a par das exigências da instituição dona do projeto, da equipe de trabalho do hospital e da população de pacientes que utilizará o espaço (por isso, conhecer a epidemiologia da região, o modus operandi da regulação e o nível de resolução da atenção primária é fundamental (isso foi observado?);


6. Alguns cruzamentos internos são proibidos, a citar como exemplo o de alimentos com rouparia (isso foi observado?);


7. A complexidade em termos de gestão hospitalar e a individualidade de cada instituição em termos de epidemiologia, corpo técnico e médico, parque tecnológico, capital intelectual, habilitações e planejamento estratégico e diretor, requer um EAS robusto, visto que abrange muitas funções, setores, fluxos e acessos que são praticamente únicos para cada realidade assistencial (isso foi observado?);


8. Os principais problemas encontrados ainda hoje remetem à distância entre as alas de trabalho interdependentes e à perda de tempo da equipe médica e de enfermagem em percorrer grandes distâncias (isso foi observado?);


9. A posição dos postos de enfermagem em relação aos leitos deve ser estratégica, de modo a evitar perda de tempo e locomoção excessiva, além de manter próximo os leitos de pacientes com maior grau de dependência (isso foi observado?);


10. Em se tratando das unidades de internação, é importante que o arranjo espacial das enfermarias permita o isolamento do leito quando necessário (uma planta radial com os quartos ao redor do posto de enfermagem, por exemplo, proporciona redução de estresse no paciente porque a proximidade com os enfermeiros causa sensação de segurança e bem estar, reduzindo consequentemente a sensação de confinamento e institucionalização, o que garante uma recuperação mais rápida e eficiente) (isso foi observado?);


11. Hoje, no Brasil, as duas anatomias predominantes nas edificações hospitalares são a vertical e horizontal, sendo esta última a mais recomendada para construções voltadas ao futuro. Isto porque edifícios hospitalares verticais estão geralmente implantados em meios urbanos, localizando seu acesso principal em ruas de movimento constante de veículos e transeuntes. Além disso, a anatomia vertical dificulta a configuração de um pátio central com jardim terapêutico, por exemplo – algo reconhecidamente importante para o tratamento dos pacientes – pois a altura da edificação acaba formando um espaço sombreado e sem vida (isso não foi observado?);


12.  É possível encontrar soluções para a integração interior/exterior em ambos os casos, mas é fácil perceber que a configuração espacial da anatomia horizontal facilita este trabalho. A anatomia vertical apresenta maiores restrições quanto à forma e localização das características arquitetônicas de integração, tornando as soluções mais caras e menos funcionais (isso não foi observado?).

 

​A população de Cianorte se mantém inerte, assistindo (e testemunha de) um espetáculo de má-gestão e promessas cheias de vazio. O novo e reluzente prédio será, no máximo, uma casca vazia, uma estrutura subutilizada, ou, na pior das hipóteses, um dreno que sugará os poucos recursos que ainda restam à saúde básica. Diante da intervenção no hospital atual (que, assim como começou, terminou – sem resolver e nem provar absolutamente nada) e diante do abismo financeiro projetado para o novo, a resposta para a sustentabilidade é inevitavelmente negativa.


Aliás para fechar essa matéria esse hospiltal ja era para estar pronto segundo nosso Prefeito em 20 de junho de 2025 (em 15 meses a contar de 20 de março de 2024 - palavras NÃO POLÍTICAS do prefeito) vejam vídeo a seguir, pelas promessas do prefeito estamos atrasados em 7 meses, já acabou faz tempo o prazo segundo prometeu no vídeo o Prefeito (em acerto com a construtora) e nada de hospital pronto, e olha que segundo o próprio prefeito a gestão passada só fez conversa política! ouça bem o prefeito falando neste vídeo - Não calcularam bem essa obra Prefeito? Que aconteceu com a promessa de terminar tudo em 15 meses? Era como na gestão passada só politicagem de sua parte também?


Aliás prefeito, falando em gestão passada, a ultima gestão passada foi sua gestão! Então não culpe mais outras gestões e culpe a sua própria pois na sua ultima gestão a senhor não acabou o hospital - e agora prefeito?


É caro leitor, realmente promessas e falta de planejamento fazem com que essa conta desse hospital NÃO FECHE TÃO CEDO! E claro e lógico que essa obra será usada de cabide eleitoreiro em 2026, fotos e videos de candidatos nessa obra serão o foco nas redes sociais para mimimi politico nesse ano de eleições, será que vão prometer mais 15 meses para terminar tudo OUTRA VEZ?? A conta não fecha.


Segundo o Prefeito Marco Franzato, essa hospital já era pra estar pronto em março/2025 - Que aconteceu prefeito? Foi só conversa e politicagem esse vídeo como nas gestões passadas?

 

"A conta não fecha... mas será espetacular!" - Marcio Nolasco

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