O BRASIL DE LUTO NO DIA DA INDEPENDÊNCIA
- Redação Bisbilhoteiro

- 8 de set.
- 3 min de leitura
Créditos:
Vídeo: Mike Madeira - Advogado
Texto: Kaio Feroldi Motta - Administrador
No domingo de 7 de setembro, o Brasil parou. Não para a celebração grandiosa de sua liberdade do império, mas para o triste e apequenado espetáculo de sua própria divisão. O que era para ser um dia de festa cívica, de reverência à bandeira e de união nacional, se transformou em palco para a batalha de cores partidárias, onde o patriotismo foi substituído pelo amor doentio. O 7 de setembro foi politizado e, ao invés de entoarmos juntos o hino que exalta a beleza de uma pátria amada, testemunhamos o coro desafinado de um país que se esqueceu do significado de nação. O luto não é pela morte, mas pela perda da união.

Essa divisão, que antes se manifestava apenas em discussões acaloradas sobre times de futebol ou dogmas religiosos, agora se infiltrou na política com uma ferocidade avassaladora. A busca por um ideal, que deveria ser um exercício de razão e debate de ideias, transformou-se em obsessão, um fanatismo que nega a possibilidade de autorreflexão. A polarização política destrinchou o 7 de setembro e, no lugar de diálogos com respeito, vieram os gritos (e grunhidos). A política, antes um campo de atuação pragmática, tornou-se uma arena de culto, onde a idolatria a líderes supera qualquer análise crítica e onde o dissenso é visto como traição.
A cegueira por um grupo político é tão profunda que torna cidadãos eleitores em um bando dependente. Deixamos de ser livres para pensar, questionar e ter um olhar crítico sobre as ações de nossos representantes (sejam eles quais forem). A dependência por um dos extremos tornou-se mais forte do que a independência que deveríamos celebrar. Esquecemos que a liberdade conquistada em 1822 nos deu o direito de ser uma nação livre e de pensarmos por conta própria; entregamos essa liberdade em troca de validação e pertencimento. O resultado? A desunião.
O bom senso, que acima de tudo deveria ser a bússola de uma sociedade saudável, foi esmagado pela polarização. A defesa em prol da soberania/democracia ou liberdade/anistia dividiu o país de modo que não houvesse um meio-termo. Até mesmo a redação de um simples texto, ou a verbalização em um vídeo, se tornam tarefas hercúleas para que o receptor da mensagem a entenda sem vieses e lados. A irracionalidade tomou conta do debate público, e a agressividade se tornou a linguagem comum. Amizades foram desfeitas, famílias foram rachadas, e o respeito mútuo, elemento fundamental de qualquer civilização, foi esquecido. Cada vez menos se ouve e cada vez mais se aguarda ansiosamente a sua vez de gritar. O eco de palavras de ódio e a falta de empatia ressoam mais do que o tilintar da esperança por um futuro de prosperidade.
A racionalidade, que deveria guiar as escolhas políticas, deu lugar à emoção. Os princípios da Legalidade, Impessoalidade e Moralidade da Administração Pública se tornaram meros coadjuvantes em um Brasil onde a lei virou ponto de vista, a pessoalidade assumiu o trono e a imoralidade é aceita, a depender de quem seja o grupo político. O que move os cidadãos não é mais a busca por soluções para os problemas crônicos do país, como saúde e educação, mas sim o desejo de defender um político a qualquer custo. A obsessão pela derrota do adversário se tornou a única meta. O fanatismo, que se manifesta em ataques pessoais e na incapacidade de reconhecer a complexidade do mundo, nos impede de encontrar um terreno comum e de enxergar o Brasil como um todo, mesmo em sua diversidade. Constroem-se muros, ao invés de pontes.
Que este 7 de setembro nos sirva como um lembrete doloroso de que a maior ameaça à nossa nação não vem mais de fora, mas de dentro de nós mesmos. O luto que sentimos não é apenas pela data perdida, mas pela alma do Brasil que sangra com sua divisão. Que a reflexão sobre essa dor nos inspire a reconstruir o que foi quebrado, a resgatar o bom senso, e a lembrar que, acima de paixões e ideologias, somos todos brasileiros, unidos por uma mesma bandeira, por um mesmo país. Somos todos sobreviventes em um Brasil cheio de futuro, mas vazio de um presente sólido. Que possamos refletir e voltar a celebrar, verdadeiramente, a nossa independência, com as cores de NOSSA BANDEIRA! Não com azul vermelho e estralas brancas, nossa bandeira é verde, amarela, azul e branco, que representam nossas riquezas naturais...
Triste 7 de setembro!















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