Meu Malvado Favorito: De vilão a cupido, Trump aproximou Europa e Mercosul e fortaleceu Lula
- Nelson Guerra

- há 1 dia
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A política comercial agressiva de Donald Trump ajudou, sem querer, a empurrar a União Europeia para fechar o acordo UE‑Mercosul — um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões — criando um cenário político que Lula soube transformar em vantagem eleitoral.
Se fosse filme, Trump seria o vilão como o Coringa que, sem querer, entrega o tesouro da fama para Batman no final de cada episódio. A escalada protecionista e os choques geopolíticos promovidos pelos EUA criaram um efeito colateral: a Europa, assustada com a instabilidade e buscando parceiros confiáveis, acelerou a adesão ao acordo com o Mercosul, o maior tratado do planeta — um pacto que reúne 720 milhões de consumidores e um PIB combinado de US$ 22 trilhões.
No roteiro, Lula aparece como o protagonista que soube negociar nos bastidores, enquanto o “malvado” americano, ao estilo de um vilão de filme de ação, acabou empurrando a plateia (a UE) para o abraço do herói brasileiro. Analistas internacionais já destacaram esse empurrão involuntário de Trump como fator relevante para destravar o tratado.

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EM MIÚDOS O QUE ACONTECE
Mercado combinado: 720 milhões de pessoas; PIB agregado: US$ 22 trilhões; ganho estimado para o Brasil: aumento do PIB em cerca de US$ 9,3 bilhões até 2040 e alavancagem em investimentos que, segundo estudos do Ipea, serão relevantes para o Brasil que é, entre os países do Mercosul, o mais bem posicionado para a Europa, inclusive no que se refere à posição geográfica.
Setores como agroindústria, alimentos processados, bens industriais e logística são os maiores beneficiados; por outro lado, há riscos de assimetrias, pressão sobre pequenos produtores e exigência de investimentos em infraestrutura e padrões sanitários.
Item | Mercosul | União Europeia | Total UE com Mercosul |
População | 265 milhões | 455 milhões | 720 milhões |
PIB (nominal) | Regional concentrado | Alto PIB per capita | US$ 22 trilhões |
Setores beneficiados | Agro; alimentos; manufatura | Indústria; serviços; tecnologia | Agro + indústria + serviços integrados |
Fluxo de investimentos | Investimento em infraestrutura e agro | Investimentos em cadeias | Maior IDE e integração |

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POLÍTICA E VOTOS: A GUINADA DOS EMPRESÁRIOS
No enredo político, empresários tradicionalmente de direita começam a ceder diante da lógica econômica: contratos, investimentos e previsibilidade pesam mais que rótulos. Esse movimento pragmático pode deslocar apoio para Lula e fortalecer sua base eleitoral e bancada aliada no Congresso, principalmente em uma eleição no qual dois terços do Senado serão renovados — um efeito que lembra cenas de novela em que o antagonista perde aliados quando o prêmio fica claro.
Também é visível que alguns deputados e senadores do Centrão começam a diminuir ataques pessoais a Lula diante do risco de ver sua imagem desgastada junto a eleitores preocupados com emprego e renda — eleitores que agora enxergam no acordo uma promessa concreta de oportunidades. A continuidade de ataques pode ser percebida como “política pequena” diante de ganhos econômicos palpáveis.
GLOBO DE OURO É ASSUNTO DA SEMANA
Se fosse filme, Lula ganha o Oscar de “Melhor Aproveitamento de Cena” enquanto Trump, sem querer, virou coadjuvante do roteiro. E no final, o eleitor avalia quem melhor atuou no cenário nacional e internacional — o vilão ou o herói? A resposta, por ora, está na cabeça do eleitor e futuramente pode refletir nas urnas.
(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública. Estuda política enquanto observa as tramas do poder com a paciência e o senso de humor de quem já viu de tudo)













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