Grupo C; representantes de três continentes no caminho brasileiro.
- Walber Guimarães Junior

- há 11 horas
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Sem dúvida, o Grupo C da Copa do Mundo de 2026, com Brasil, Marrocos, Escócia e Haiti, é uma chave fascinante para o amante do futebol, com a mistura do peso da camisa mais pesada do mundo, a melhor seleção africana da atualidade, a combatividade britânica e um azarão caribenho que retorna ao Mundial após mais de 50 anos. Por conta da diversidade, o grupo foi batizado.

É possível apontar favoritismo no grupo, com Brasil e Marrocos em destaque, mas com armadilhas táticas que podem complicar a vida dos cabeças de chave. Abaixo, repassamos uma breve análise dos componentes do grupo.
Brasil:
A Seleção Brasileira chega à América do Norte com o peso de quebrar um jejum de 24 anos sem o título mundial. Após um ciclo turbulento nas Eliminatórias, o Brasil tenta se consolidar. Seus pontos fortes continuam sendo a qualidade técnica individual inigualável no ataque, imprevisibilidade no terço final e reposição de altíssimo nível e os pontos fracos seguem sendo o sistema de criação no meio-campo por vezes sofre apagões contra equipes muito fechadas. A instabilidade emocional em momentos de adversidade continua sendo uma sombra desde os últimos mundiais.
Tecnicamente, o Brasil joga focado na transição rápida, explorando as pontas. A equipe é altamente dependente da inspiração de Vinícius Júnior e Rodrygo, que quebram as linhas com dribles e acelerações. O estilo de jogo busca sempre encurralar o adversário, mas exige que volantes como Bruno Guimarães estejam em dias perfeitos para proteger a transição defensiva.
Sem dúvidas, leva tem total vantagem técnica contra os três. A Escócia não tem laterais velozes o suficiente para parar os pontas brasileiros. O grande teste de paciência do Brasil será contra Marrocos: a defesa marroquina é a exata "kryptonita" que costuma frustrar atacantes brasileiros que precisam de espaço.
Marrocos:
A sensação do Catar 2022 não é mais uma surpresa, mas uma realidade consolidada e letal. A equipe manteve sua espinha dorsal e aprimorou o refino com a bola no pé. Com uma defesa extremamente sólida, um dos melhores blocos defensivos do mundo, transições velozes e excelentes laterais, a equipe, porém, sofre, ocasionalmente de "esterilidade ofensiva" quando precisa ditar o ritmo de jogo contra adversários que "estacionam o ônibus" na defesa.
Em campo, o técnico Walid Regragui é mestre em compactação. Marrocos joga de forma reativa e pragmática, geralmente em um 4-1-4-1 que se fecha em duas linhas sólidas sem a bola. O talento técnico flui pelos pés de Brahim Díaz, criador de jogadas e as subidas incisivas de Achraf Hakimi pela direita, fundamentais para espetar contra-ataques cirúrgicos.
Espera-se que Marrocos, leve boa vantagens contra times como a Escócia, a agilidade dos marroquinos nos flancos facilmente supera a defesa escocesa. Contra o Haiti, a qualidade coletiva deverá se traduzir em vitória sem sobressaltos.
Escócia:
Uma seleção de operários táticos. Os escoceses chegam com um elenco habituado à intensidade da Premier League, embora tenham oscilado em torneios recentes como a Eurocopa de 2024. O forte continua sendo o jogo aéreo agressivo, combatividade física brutal e eficiência mortal em jogadas de bola parada, mas sofre com a falta de criatividade no setor de armação e lentidão da linha de zaga para lidar com atacantes de grande explosão.
Dentro de campo, prevalece o estilo britânico raiz, adaptado para um sistema de alas, geralmente num 3-4-2-1. Eles apostam em povoar o meio-campo e forçar o erro adversário. Andrew Robertson (Liverpool) é a válvula de escape pela esquerda, cruzando bolas para chegadas-surpresa de volantes pisando na área, como Scott McTominay.
Contra o Haiti, terá a vantagem da organização europeia e veremos um embate de pura imposição física contra os haitianos, com melhor disciplina tática e na qualidade do passe. É possível que neste jogo, a Escócia esteja pressionada pela necessidade de construir um bom placar para garantir um saldo de gols que garanta, no mínimo, a terceira vaga.
Haiti:
O retorno romântico de uma seleção que não disputava o Mundial desde 1974. O aumento de vagas para a Concacaf abriu essa porta, mas a equipe caribenha é inegavelmente o elo mais fraco tecnicamente. Como pontos fortes, o vigor atlético, velocidade pelos flancos e a leveza psicológica de quem não tem absolutamente nada a perder, todavia tem a inexperiência crônica no mais alto nível tático global, fragilidade defensiva contra trocas rápidas de passe e pouca profundidade no banco de reservas.
Ainda que a equipe seja ingênua, atua em um moderno 4-4-2 ou 4-3-3 focado puramente em sobreviver e espetar bolas longas. A principal arma é a presença física do centroavante Frantzdy Pierrot, buscando segurar a posse no campo de ataque à espera dos extremas.
Fora de campo, o Haiti terá um apoio assombroso. Há uma gigantesca diáspora haitiana na Costa Leste dos EUA, especialmente na Flórida e Nova York. Os haitianos jogarão "em casa", com uma torcida barulhenta que pode criar um clima de pressão tremendo e inflar o ego dos jogadores.
Não se pode desprezar o papel da arquibancada neste grupo, que é um dos mais beneficiados pela democracia migratória americana. Brasil e Marrocos, ambos com apelo mundial também terão ótimos apoios. A torcida brasileira sempre lota qualquer estádio nos EUA, garantindo festas massivas. Marrocos provou no Catar que sua torcida, e de simpatizantes do mundo árabe, consegue transformar os estádios em verdadeiros caldeirões hostis para os adversários.
Por seu lado, a Escócia chega com a famosa Tartan Army (Exército de Tartan) que viajará em peso da Europa. Eles cantam os 90 minutos, bebem todos os estoques de cerveja das sedes e empurrarão a equipe, dando o oxigênio extra necessário nos minutos finais.
Especialistas apostam na classificação de Brasil e Marrocos, talvez nesta ordem, com boas chances da Escócia avançar com uma possível terceira vaga, principalmente porque pode obter saldo no jogo contra o Haiti.
A liderança do Brasil não é inquestionável, basta lembrar que Marrocos foi semifinalista em 2022 e chega bem-organizado e com confiança para a Copa, mas, passando bem pelo grupo, a nossa seleção pode pensar em uma bela competição.
















