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A ascensão do futebol asiático.

A ascensão do futebol asiático é um dos fenômenos mais fascinantes do século XXI, pois envolve não apenas a evolução técnica, mas um gigantesco projeto de soft power, investimentos estatais e a busca por prestígio global.



Para melhor compreender este movimento, vamos analisar cada uma de suas vertentes, divididos em três eixos principais:


1. O Eixo do Extremo Oriente (Japão e Coreia do Sul)


Esses países foram os pioneiros na modernização estrutural, sendo a Copa de 2002 foi o divisor de águas. O Japão utilizou o futebol para projetar uma imagem de modernidade e organização. Diferente de outros lugares, o futebol lá cresceu atrelado à cultura pop (como o anime Captain Tsubasa / Super Campeões), influenciando gerações, enquanto na Coreia do Sul, o esporte é visto como uma forma de afirmação nacionalista perante o Ocidente e, historicamente, perante o próprio Japão.


2. O Eixo do Oriente Médio (Catar, Arábia Saudita e Emirados)


Aqui, o futebol é tratado como geopolítica e economia. Não se trata apenas de jogar, mas de ser o "centro do mundo", foi assim com o Catar em 2022 e pode ser com a Arábia Saudita, com visão para 2034, que usam o evento também para diversificar suas economias para além do petróleo e limpar sua imagem internacional. A visão cultural aponta o futebol como luxo, prestígio e ponte diplomática entre o mundo árabe e o Ocidente.


3. A Gigante Adormecida (China)


A China vive um movimento pendular entre o investimento massivo e a introspecção. Em destaque o "Plano de 50 Pontos" do governo chinês para se tornar uma superpotência do futebol até 2050. É o futebol como projeto de Estado e orgulho nacional. O esporte, como visão cultural, funciona como ferramenta de unificação nacional sob a égide do governo central.


A própria configuração deste artigo deixa claro que a Ásia não é um bloco uniforme, muito além da visão simplificada apontada por estes três blocos e que de modo geral pode ser simplificada com a comparação entre o Japão que foca na estética e civilidade (lembra da torcida limpando o estádio?), o Oriente Médio foca na grandiosidade e influência.


Importa registrar que há quase um consenso dos analistas que argumentam que a cobertura da Copa do catar foi repleta de preconceitos, com o conceito de orientalismo para tentar explicar como a mídia ocidental olhou para o Catar. A questão central foi a ideia que o ocidente usou a pauta de direitos humanos de forma seletiva, enquanto o catar usou o evento para a firmar sua soberania cultural, impondo, por exemplo, a proibição do álcool nos estádios e a vestimenta Bisht entregue para Messi na cerimónia final.


Uma outra grande questão cultural se apresenta como bastante relevante em referência ao custo humano da infraestrutura, com intensa discussão sobre as condições de trabalho dos migrantes (nepalenses, indianos e paquistaneses) que evidenciou, durante a Copa, um debate sobre escravidão moderna e capitalismo global, abrindo brecha para a visão do futebol como fachada que esconde desigualdades estruturais profundas entre cidadãos e trabalhadores.


Apesar disto, 2022 foi a primeira vez que o mundo árabe sentiu que a Copa era "sua", especialmente com a campanha histórica de Marrocos, com vitórias expressivas sobre potências europeias (Espanha e Portugal) foi lida como uma vitória do "Sul Global". As celebrações unificaram do Cairo a Casablanca, e o uso da bandeira da Palestina pelos jogadores tornou-se um ato político potente dentro do mosaico cultural.


Uma análise sofisticada do evento anterior, que consolidou o avanço asiático, mostra que o Catar usou o futebol para se proteger e se projetar, buscando uma certa notoriedade global, se destacando em todo o cenário mundial, até como forma de garantir que sua existência não seja ameaçada por vizinhos, como o bloqueio pela Arábia Saudita de anos anteriores.


Encerramos enfatizando que o futebol é também uma grande ferramenta de orgulho para o mundo árabe e até africano e permitindo que se conclua que a Copa é muito mais que a simples disputa esportiva dentro de campo.

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Charge - Nolasco

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