"Entre o Brasil e o Thanksgiving: descobrindo a gratidão que sustenta”
- Christina Faggion Vinholo

- há 3 dias
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Nestes últimos dois anos, tenho vivido entre o Brasil e os Estados Unidos. E, estando aqui neste mês, é impossível não perceber como tudo respira em torno do Thanksgiving — o Dia de Ações de Graças, que será celebrado nesta quinta-feira, 27 de novembro. A gratidão se torna assunto nas escolas, nas universidades, nos lares, entre amigos, no trabalho — e, de alguma forma, todos encontram motivos para agradecer. Embora saibamos que o coração deve permanecer grato em todo o tempo, há algo profundamente significativo em separar um dia para que tudo gire em torno da gratidão.

Nesta semana, enquanto muitos se reúnem em torno de mesas fartas, entre risos, memórias e reencontros, há um convite silencioso que ecoa além das tradições: o de pausar, contemplar e reconhecer. A gratidão, quando verdadeira, não é fruto da ausência de lutas, mas da consciência de que, mesmo nas lutas, não caminhamos sozinhos.
Há uma beleza singular em separar um dia para agradecer. Não porque a gratidão deva ser pontual — ela é, ou deveria ser, respiração da alma — mas porque somos inclinados a esquecer. As dores, os fracassos, os diagnósticos inesperados, as ausências que ainda doem… tudo isso costuma falar alto. Um dia como este nos convida a silenciar as vozes da inquietação e escutar, por um momento, o sussurro da providência.
Gratidão não é negar a realidade, é enxergá-la à luz de uma realidade maior. É perceber que, mesmo quando portas se fecharam, não estivemos abandonados. Que, mesmo quando lágrimas foram inevitáveis, fomos sustentados. Que, quando forças faltaram, houve graça suficiente. A verdadeira gratidão nasce quando o coração reconhece que o sustento não veio apenas pelo pão sobre a mesa, mas pela mão que o proveu. Não apenas pelas vitórias, mas pelo cuidado nas derrotas. Não apenas pelos dias de bonança, mas pela fidelidade nas tempestades.
A alma que entende que tudo coopera segundo um propósito sábio — ainda que inexplicável — aprende a descansar. A agradecer não só pelo que veio, mas por Quem permaneceu. Porque agradecer não é fechar os olhos para a dor, mas abrir os olhos para a esperança. É lembrar que, em cada capítulo da história, por mais complexo que tenha sido, havia um Autor soberano conduzindo com propósito e amor.
Então, enquanto muitos hoje listam bênçãos, talvez a maior delas seja poder reconhecer que fomos guardados. Que chegamos até aqui. E que, apesar das marcas, ainda há vida, respiro, fé e razão para continuar. A gratidão, quando amadurecida, não depende das circunstâncias; ela repousa na certeza de que cada passo foi acompanhado, cada queda foi assistida e cada novo amanhecer ainda é prova de misericórdia.
Hoje, que o nosso coração não apenas agradeça, mas seja transformado pela gratidão. Porque um coração grato não é apenas aquele que fala “obrigado”, mas aquele que, mesmo no escuro, continua confiando.
E se, neste instante, entre tudo o que viveu, você ainda consegue reconhecer algo — por menor que pareça — pelo qual agradecer… então saiba: esse reconhecimento já é graça. E é exatamente aí que a esperança recomeça.
Com gratidão, seguimos.
Porque a fidelidade já nos alcançou antes mesmo que a gratidão fosse pronunciada.














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