Banco Master; não tem virgem no Cabaré Brasil.
- Walber Guimarães Junior

- há 2 horas
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Estamos todos, mais uma vez, impactados com a desfaçatez das lideranças brasileiras, de todos os poderes, apanhados em relações estranhas, talvez espúrias, com o presidente e diretores do Banco Master, com episódios que envergonham a nação.
Como cidadão, eventualmente investido da função de analista político, tenho observado que as informações que nos chegam estão sempre contaminadas pelas mãos que as escreveram, como se, intencionalmente, quase todos quisessem colocar o escândalo no colo de apenas um polo da política brasileira, por isso me proponho a apresentar um breve relato das relações entre figuras expressivas, apenas alguma porque a lista é infindável, com descrição direta do elo de ligação, repassando indistintamente lideranças de todos os poderes, a saber;

1) Congresso Nacional;
A imprensa até cunhou a expressão “Bancada Master”, em referência ao grupo suprapartidário, com forte presença do PP e União Brasil, que operava nos bastidores, exercendo, muitas vezes, a função de “maçaneta”, abrindo a porta para o presidente do Master, Daniel Vorcaro.
Foi amplamente noticiado os esforços que a cúpula do Congresso, liderada na Câmara por Artur Lira e seu pupilo Hugo Mota, atual presidente da Casa, e por Alcolumbre no Senado para esfriar e travar a instalação de CPI exclusiva para o Banco master nas Casas, com evidente intenção de proteção política e obstrução investigativa.
Sobre os nomes citados, dentre outras lideranças congressuais, existem fortes indícios de tráfico de influência e lobby legislativo, sugerindo que o banco possuía relações financeiras de sustentação de campanhas com parlamentares influentes que não desejam a quebra de seus sigilos.
2) Governadores e Prefeitos;
Neste caso, vamos nos concentrar apenas nos principais nomes envolvidos;
Ibaneis Rocha, governador do DF do MDB.
Está sob investigação por operações suspeitas com o BRB (Regional de Brasília) e o Master. Já foi demonstrado que o governador era informado detalhadamente de cada passo das operações conjuntas destas instituições. Corre sério risco de configuração de desvio de finalidade e gestão temerária de fundos públicos para beneficiar a expansão do Banco Master, em operações financeiras motivadas por “camaradagem” e interesse político.
Cláudio Castro, governador do RJ do PL;
É o líder em exposição no caso Master, com fundos ligados ao governo e municípios fluminenses tendo aplicador$ 970 milhões em papéis do banco. Tem muita proximidade com Vorcaro nos bastidores, com forte suspeita de corrupção passiva e tráfico de influência para direcionamento dos fundos de previdência de servidores em troca de favorecimento político ou financeiro,
Clécio Luís, governador do Amapá do Solidariedade;.
O pequeno estado do Amapá, através do fundo de previdência dos servidores públicos direcionou R$ 400 milhões em investimento ao Master, em alocação de recursos de alto risco, está sob investigação sobre possível pagamento de propina a gestores do fundo para utorizar o aporte milionário. É ligado ao Senador Alcolumbre.
Prefeitos e Fundos municipais.
De acordo com dados consolidados após a liquidação, cerca de quinze municípios do RJ e AP investiram, somados, mais de R$ 1,5 bilhão. Registre-se que estes municípios sofrem influência de Cláudio Castro e de Alcolumbre.
As investigações sugerem a existência de lobistas do Banco Master atuando sistematicamente sobre prefeitos e gestores do fundo para captar recursos de aposentadoria de forma irregular.
3) Gestão anterior;
Jair Bolsonaro, ex-presdiente;
Sofre o efeito da tentativa do polo oposto de o vincular ao escândalo, mas documentos apontam que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e diretor do Master fez doações financeiras robustas para a campanha de 2022, inclusive para a campanha do governador paulista Tarcísio de Freitas.
Recai sobre o ex-presidente a suspeita de possível tráfico de influência para inserção do banco em mercados públicos durante a sua gestão;
Paulo Guedes, ex-ministro da Fazenda;
Suspeito de ter autorizado facilitação regulatória ou vista grossa durante a ascensão vertiginosa do Banco Master.
Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central.
Sob acusação de omissão ou negligência regulatória, permitindo que o banco multiplicasse seu patrimônio artificialmente sem intervenção prévia. Não há processos judiciais formais contra ele até o momento sobre este caso, tratando-se de um risco político e de imagem.
4) Gestão atual;
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República.
Recebeu Daniel Vorcaro em seu gabinete no Palácio do Planalto em dezembro de 2024. A reunião durou cerca de uma hora e meia e foi omitida da agenda oficial. A oposição explora o encontro como indício de proximidade. O governo defende-se alegando que, na época, não havia "indícios de crime" e que a decisão sobre o banco sempre foi delegada ao Banco Central de forma técnica. O caso ameaça politicamente o projeto de reeleição do presidente.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda.
Atua como anteparo político do governo. Confirmou publicamente a reunião de Lula com Vorcaro, justificando que o presidente afirmou ao banqueiro que qualquer decisão sobre o Banco Master seria estritamente "técnica" e a cargo do Banco Central. Demonstra o esforço do Ministério da Fazenda em blindar o Executivo, isolando o problema e transferindo a responsabilidade pela falta de fiscalização para a gestão anterior do Banco Central.
Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central.
Participou de uma reunião fora da agenda oficial, em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, juntamente com o presidente Lula e Daniel Vorcaro. Após assumir a presidência do BC e decretar a liquidação do banco, Galípolo afirmou ter herdado um "abacaxi" (a maior fraude bancária do país) da gestão de Roberto Campos Neto, agradecendo o apoio político de Lula durante a crise. Embora tenha sido o responsável técnico por estancar a fraude, a reunião prévia sem registro em agenda levanta questionamentos sobre o acesso privilegiado de Vorcaro à cúpula do BC e do Executivo.
5) Ministros do STF;
Dias Toffoli;
É o ministro mais atingido politicamente. A CPI do Crime Organizado aprovou um convite para ouvi-lo e autorizou a quebra de sigilo de uma empresa ligada a ele. Há investigações apontando ligações em empreendimentos, Resort Tayayá no Paraná, ligados a Vorcaro, além de suspeitas de favorecimento em decisões jurídicas. Tem susppeitas de laços societários e empresariais e proximidade pessoal, além de grave violação de conduta e conflito de interesses.
Alexandre de Moraes;
Vazamentos da Polícia Federal apontam a existência de uma planilha que cita Moraes, sua esposa e Toffoli em uma "mesa do Banco Master". Mais gravemente, dados extraídos do celular de Vorcaro revelaram a troca de nove mensagens diretas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro no dia de sua prisão pela PF, embora não haja nenhuma comprovação da veracidade deste fato. Há também escrutínio sobre contratos milionários envolvendo parentes advogados. Está também sob suspeita de vazamento de informações privilegiadas sobre operações policiais e tráfico de influência via bancas de advocacia da família.
Gilmar Mendes;
Citado nos bastidores por manter apoio irrestrito a Toffoli durante o desgaste na Corte. Relatórios apontam decisões liminares que beneficiaram o banco ou seus pares no passado, gerando atrito direto com a CPI que tenta investigar o STF. A acusação é de tentativa de blindagem institucional e atuação jurídica controversa.
Ricardo Lewandowski, ex-Ministro do STF e ex-Ministro da Justiça.
A associação de seu nome aos bastidores do Banco Master, possivelmente por ligações de familiares ou bancas de advocacia próximas, foi citada pela imprensa como uma das razões de desgaste que culminaram na sua saída do Ministério da Justiça do governo Lula. Segue sob suspeita de dano reputacional por associação indireta.
Atentem para a preocupação de apenas bater uma foto, jogando luz sobre todas as variáveis em investigação, sem cores partidárias ou ideológicas, apenas me permitindo concluir que nada disto seria possível sem tráfico de influência, lobbies e corrupção passiva e ativa, que transcende a divisão da política nacional, colocando todos os gatos no mesmo saco.
O "Caso Master" não é apenas um colapso financeiro, mas um esquema de captura do Estado, com a possibilidade de se enxergar a falência moral de nossas lideranças. O cruzamento de dados sugere que Vorcaro e Zettel utilizaram o banco para comprar influência no Executivo, reuniões fora de agenda), aparelhar prefeituras e governos, saqueando fundos de previdência como RJ e Amapá, neutralizar o Legislativo, com obstrução de CPIs pela cúpula do Congresso e contaminar a cúpula do Judiciário, com relações espúrias com ministros do STF.
Que me perdoem todos aqueles que preferem enxergar a patifaria apenas com cores vermelhas ou amarelas. Ouso dizer que no Cabaré Brasil não se pede atestado de filiação partidária para mergulhar na orgiaaa!!














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