Dos Tribunais às Urnas: O Veto de Lula e a Estratégia para Renovar o Congresso
- Nelson Guerra

- há 4 dias
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O veto de Lula ao chamado “PL da dosimetria” acende uma nova cena na novela política brasileira: um teste público para o PT e um tabuleiro de xadrez onde o Congresso pode transformar o veto em vitória ou em derrota simbólica — com reflexos diretos nas estratégias para as eleições de outubro.

Imagem criada por IA – Nelson Guerra
Como esperado, o presidente Lula finalmente assinou o veto total ao projeto conhecido como PL da dosimetria, que mexia na forma de calcular penas para crimes relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. A decisão, tomada durante cerimônia em defesa da democracia, já provocou reações acaloradas no Congresso e entre líderes políticos.
O PT aposta que o veto será derrubado — e transforma essa expectativa em estratégia: se conseguir mobilizar a opinião pública, o partido amplia o desgaste sobre parlamentares de direita e sobre parte do Centrão; se o veto resistir, a esquerda terá, ao menos, antecipado um ganho simbólico na narrativa política. Em outras palavras: é um risco calculado, com potencial de virar manchete e munição eleitoral.
No tabuleiro eleitoral, a esquerda tem pressa. Dois terços do Senado serão renovados este ano, o que obriga o PT a “garimpar” nomes competitivos e a disputar votos no centro e na direita moderada. O calendário eleitoral — com prazos do TSE para registro de candidaturas em abril — transforma janeiro, fevereiro e março em meses decisivos para costurar alianças e testar candidaturas. Afinal o prazo eleitoral parece mais curto quando há uma Copa do Mundo.
A disputa entre lulismo e bolsonarismo ganha, então, tom de novela de fim de temporada: há cenas de confronto público, mas também bastidores de negociação. Metaforicamente, é como se o país assistisse a um samba-enredo em que cada escola tenta puxar o coro para seu lado — ora com denúncias que explodem como fogos de artifício, ora com acordos silenciosos que se costuram nos bastidores.
O Centrão aparece como o ouro do garimpo: uma parcela “não apodrecida” pode ser decisiva nos primeiros 90 dias do ano. Por isso, espere bombas políticas — denúncias e reportagens com potencial de abalar reputações — sendo lançadas como se fossem rojões em noite de São João, para testar resistência e colher nomes úteis para a urna eletrônica em outubro.
Comparação Rápida: Veto Derrubado x Veto Mantido
Cenário | Efeito político | Estratégia do PT | Risco |
Veto derrubado | Vitória legislativa; narrativa de força | Consolidar alianças e capitalizar na opinião pública | Reforça polarização |
Veto mantido | Vitória simbólica do Executivo | Usar como prova de firmeza democrática | Pode energizar oposição |
A temporada eleitoral de 2026 promete capítulos quentes: entre vetos, derrubadas e garimpos de candidaturas, o Brasil vai assistir a um jogo de cintura político digno de novela das nove — com menos figurino e mais estratégia. Fique de olho: os próximos meses vão dizer quem dança no salão e quem fica de fora do baile.
(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública. Estuda política, enquanto se diverte separando estilhaços e escolhendo quem vai para a urna)













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