CIANORTE: VIOLÊNCIA DE PROFESSORAS CONTRA ALUNAS EM ESCOLAS MUNICIPAIS
- Marcio Nolasco

- 10 de nov.
- 5 min de leitura
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
Sobre este caso, nossa equipe entrou em contato com a Prefeitura de Cianorte más até o momento não obteve retorno...
O caso ocorreu no mês de outubro deste ano, mas só agora veio à tona. Pelas imagens do circuito interno de câmeras da Escola Municipal Vicente Machado (Cianorte/PR), é possível ver a Professora agindo com avidez ao se dirigir em direção à aluna (uma criança de 6 anos de idade), primeiramente retirando-a à força de sua carteira e deixando-a sozinha no corredor por algum tempo; após, a criança retorna à sala de aula e recebe a ordem da professora de sentar em outro lugar (uma carteira posicionada em frente, "colada" à losa/quadro negro – talvez como forma de castigo).
O caso foi pauta na impresa estadual, veja vídeo:
Ao saber do ocorrido, a mãe dirigiu-se até a escola para obter informações do que havia acontecido, porém não obteve respostas ou retorno posterior, e foi informada de que a câmera de monitoramento não estava funcionando. Foi então que a menina foi encaminhada pelos familiares a uma unidade de saúde para avaliação de possíveis ferimentos e, após, à delegacia da polícia civil para registro de Boletim de Ocorrência. Com isso, a polícia conseguiu as imagens da câmera que "não estava funcionando", coma mãe é uma conversa, com a polícia o "buraco é mais embaixo".
Como já informado, o caso ocorreu no mês passado (outubro/2025); durante os dias que se sucederam, a mãe tentou buscar informações e as imagens com a escola, pedindo também que a professora não tivesse mais contato com sua filha ; a escola, por sua vez, alegou que não havia imagens (não funcionamento da câmera) e não tomou medidas que assegurassem o afastamento da professora (ao menos enquanto o caso fosse averiguado), motivo pelo qual a criança passou a faltar às aulas, por medo . Segundo relatos da mãe, sua outra filha (também aluna da professora) também teve problemas envolvendo a mesma profissional docente.
Paralelamente ao caso acima, a polícia já segue investigando um outro caso de possível agressão, que teria acontecido em outra escola municipal (Escola Municipal Liomar Gomes, em Cianorte/PR), há alguns meses (também registrado pelo circuito de monitoramento da Prefeitura – neste caso, uma aluna de 11 anos teve seu cabelo puxado pela professora, recebendo a ordem de retornar à sua carteira). A mãe desta aluna informou que encontrou as mesmas dificuldades que a outra matriarca com a escola, quando procurou o estabelecimento de ensino para denunciar o que havia acontecido. Ambas as mães seguem sendo acompanhadas por advogada, cujos casos provavelmente serão averiguados, juridicamente, do ponto de vista cível e criminal.
Nossa equipe conversou com outras professoras dessa escola e tivemos o seguinte relato sobre a professora envolvida no caso - "Ela vive aprontando aqui na escola com os alunos .. ela é descontrolada".
"Primeiramente, o Portal Bisbilhoteiro manifesta votos de estima às crianças e seus familiares. Além disso, não emitirá qualquer juízo diante das profissionais docentes (deixando que isso seja feito pelas autoridades competentes), pois sabemos o quanto que, há décadas, os professores exercem sua profissão em condições longe do ideal, com salários baixos (por anos não reajustados) e altas cargas e jornadas de trabalho. Não se está aqui justificando as atitudes (que são reprováveis e repudiosas), mas é preciso que se analise os ocorridos como um todo, prezando pela saúde mental e emocional das crianças e, também, das profissionais envolvidas". - Marcio Nolasco - Editor Chefe
Após os fatos narrados, alguns pontos chamam atenção e devem(riam) ser esclarecidos: as escolas/seus funcionários não agiram proativamente para buscarem, em conjunto com os familiares das crianças envolvidas, uma solução; houve, pelo contrário, dificultação (não deram retorno aos familiares, bem como 'ora havia imagens, ora não havia'); ao que parece,não afastaram as profissionais de ensino para investigação.
A função de todo pai e toda mãe é educar seus filhos, de modo que se criem futuros cidadãos em condições de vivência em sociedade (formação do caráter e do indivíduo, envolvendo valores e moralidade); a função das escolas, através de seus profissionais, é a de escolarizar (componente específico da educação, focado na transmissão formal de conhecimentos acadêmicos e científicos dentro de uma instituição de ensino). Obviamente que, no mundo real, isso não se distingue plenamente, de modo que educação e escolarização andam juntas em harmonia e simbiose.
Mas, acima de todas estas questões, nomenclaturas e definições, está o município (agente público tido, neste caso, como o próprio Estado, cujo dever Constitucional é a garantia da educação). Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que tomou providências de maneira "imediata" assim que tomou conhecimento dos fatos. No entanto isso não encontra respaldo diante dos relatos de ambas as mães. Ao que parece, o imediatismo municipal só apareceu quando do vazamento dos episódios lamentáveis de violência contra os menores.

De todo o exposto, o que fica, com mais esta notícia, é a visão da existência de mais uma dentre tantas outras falhas, incoerências e incompetências do Poder Público local em lidar com questões que, constitucionalmente, são suas de direito e dever: garantir saúde, educação e segurança pública à população. Isso não é opinião, é lei! E o "não fazer" isto independe(ria) de justificativas pífias como interpretação erronea da legislação ou alegação de futuras reduções de arrecadação por "culpa" de decisão do governador do Estado. Está na Constituição e ponto. É lei, é dever e ponto. Simples assim.
Nos últimos meses temos visto inúmeros casos escandalosos envolvendo o Município (cancelamento de concurso que melhoraria a segurança pública, filas em UBS, falta de exames, falta de sessões de fisioterapia, falta de pagamento em dia de prestadores de serviços que poderão vir a deixar de assistir os cidadãos caso a situação não se resolva, lista de espera para cirurgias com anos de atraso, CMEIs que deixarão de ser integral, voltando a ser meio periodo, licitação para locação de carros de luxo e, agora, mais essa triste noticia).
De todo o exposto, o que fica é a certeza de que vivemos duas Cianortes: a Ciamarketing (imaginária, alimentada por edições de fotos, vídeos, stories e textos previamente planejados, onde os problemas não existem e o espetacular está sempre por vir), e a Ciafato (real, de verdade, onde os números, indicadores e índices imparciais mostram o declínio da cidade nos últimos anos, onde o prefeito vira as costas para uma manifestação e entra em seu carro de luxo, onde os problemas existem, aparecem e são revelados por todos os lados – menos pelo poder público, é claro).

Espetacular mesmo seria fazer uma live (um vídeo ao vivo), uma audiência pública, ou uma coletiva de imprensa, onde o poder público ficasse à disposição para responder toda e qualquer pergunta e dúvida que surgisse. Se uma gestão afirma não ter viés político, e se o bem sempre vence o mal, seria espetacular que a Ciafato e a Ciamarketing se encontrassem. Isso sim seria uma grande transformação (só não seria maior do que termos políticos que de fato governassem para o povo, e não para si mesmos ou seus interesses e r*** presos... Aí sim, seria surreal).














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