Carnaval: Brasil e Itália — duas almas, uma mesma alegria
- Renata Bueno

- há 9 horas
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Por Renata Bueno, ex-parlamentar italiana, advogada e empreendedora
Viver há mais de vinte anos na Itália sem jamais perder o vínculo com o Brasil me deu um privilégio raro: celebrar o Carnaval a partir de dois mundos distintos, mas unidos pela mesma vontade de festa, identidade e expressão coletiva. Entre idas e vindas para rever família e amigos, aprendi que o Carnaval não é apenas uma data no calendário é um espelho da alma de cada país.

Ritmo e expressão: o corpo que fala
No Brasil, o Carnaval explode em cores, sons e suor. O chão vibra com o batuque dos tambores, ruas inteiras se tornam palcos para quem dança sem pedir licença. Blocos e trios elétricos passam, e é impossível não se deixar levar. Cada passo, cada samba, é uma declaração de liberdade um convite irresistível à alegria.

Na Itália, o Carnevale flutua entre a história e a fantasia. Máscaras cuidadosamente moldadas escondem identidades, fantasias elaboradas contam histórias silenciosas. O desfile não corre; ele desliza com elegância, ironia e teatralidade. É uma festa que se observa tanto quanto se vive, onde cada gesto parece ensaiado, mas cada sorriso é verdadeiro.
Histórias que as máscaras e os ritmos contam
No Brasil, a sátira política e social está no coração da festa. Sambas-enredo narram memórias históricas, denunciam injustiças, celebram heróis invisíveis. A música é um grito coletivo, pulsando com o povo.

Na Itália, cada máscara carrega séculos de tradição. Ela oferece anonimato, liberdade e a chance de inverter papéis sociais um eco dos tempos em que o Carnaval era o único momento em que regras e hierarquias podiam ser temporariamente esquecidas.
Sabores que dançam na boca
O Brasil pede energia: feijoada fumegante, acarajé picante, churrasco à beira da rua. Bebidas geladas correm pelas mãos suadas. Comer é recarregar o corpo para mais horas de festa.

Na Itália, o doce é protagonista. Chiacchiere crocantes, frappe douradas, castagnole e zeppole quentinhas, passadas de mão em mão. Aqui, a festa é também na mesa, entre risos e histórias compartilhadas em família.
Viver ou apreciar?
O brasileiro “vive” o Carnaval como se o mundo inteiro fosse um bloco: do amanhecer à madrugada, sem pausas, apenas ritmo e movimento. O italiano “aprecia” o Carnaval: caminha entre palcos e praças, fotografa, observa, participa de bailes e eventos cuidadosamente planejados.

Não existe um jeito melhor ou pior, apenas formas diferentes de celebrar a mesma alegria coletiva. Um é calor, improviso e energia; o outro, tradição, estética e encantamento.
Dois Carnavais, um mesmo coração
Entre o batuque que faz o peito vibrar e o silêncio elegante das máscaras, existe um fio comum: o desejo humano de celebrar, rir, esquecer as regras por alguns dias e reafirmar quem somos.
Talvez por isso eu ame tanto os dois Carnavais. Um me lembra de onde venho; o outro, de quem me tornei. Ambos mostram que cultura não se compara se vive, se sente, se celebra.
Buon Carnevale e feliz Carnaval!













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