ATÉ QUANDO? PREFEITO MARCO FRANZATO...
- Marcio Nolasco

- há 3 horas
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Mãe denuncia atendimento na UPA de Cianorte após filha de 9 anos com crise grave de asma quase ser liberada sem o tratamento adequado
Silêncio da administração municipal diante da denúncia reacende o debate sobre a qualidade do atendimento na saúde pública de Cianorte e traz novamente à memória o caso da pequena Helena.
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP

Uma denúncia que levanta novos questionamentos
Na noite de 17 de julho de 2026, a equipe de reportagem do Portal Bisbilhoteiro recebeu uma denúncia encaminhada pela moradora Érica Fraciele Gazzotto, mãe de uma menina de nove anos portadora de asma crônica, doença que, segundo ela, já provocou diversas internações hospitalares e episódios de extrema gravidade.
O relato descreve um atendimento que, caso confirmado pelos órgãos competentes, levanta sérias dúvidas sobre os protocolos clínicos adotados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cianorte e sobre a segurança oferecida aos pacientes em situações de urgência respiratória.
Segundo a mãe, sua filha chegou à unidade apresentando intensa dificuldade para respirar, quadro compatível com uma crise asmática grave.
Apesar disso, afirma que a primeira avaliação médica teria concluído que a criança não apresentava alterações significativas, sendo indicada apenas a administração de um calmante, uma inalação e posterior alta.
A situação somente teria sido revertida porque a mãe se recusou a deixar a unidade após liberada pela médica (a primeira que atendeu).
"Eu conheço a minha filha"
Em depoimento gravado e encaminhado à reportagem, Érica relata que conhece profundamente o histórico clínico da filha.
Segundo ela, as crises de asma costumam evoluir rapidamente e já colocaram a criança em risco de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Ao perceber que a filha continuava com dificuldade respiratória, a mãe afirma ter solicitado que a saturação de oxigênio fosse novamente aferida.
De acordo com seu relato, o pedido teria sido negado.
A médica, segundo a denúncia, teria afirmado que essa responsabilidade seria exclusiva da equipe de triagem.
Ainda conforme a mãe, o diagnóstico apresentado naquele momento teria sido de ansiedade, sendo indicada apenas medicação calmante.
Vídeos do Caso ne audios feitos pela mãe...
A mãe nos encaminhou audios e vídeos desta ocorrência, onde mostra claramente a menina de 9 anos com forte crise e com muita dificuldade de respirar. A pedido da mãe e para preservar a criança não iremos publicar esse material que são fortes nesta matéria, porém os mesmos foram encaminhados para as autoridades municipais que até o momento estão em total SILÊNCIO...

No caso que tivemos da pequena Helena, até agora a família aguarda por justiça...
A insistência que mudou o desfecho
Após receber alta, Érica afirma que decidiu permanecer na UPA.
Segundo ela, sair da unidade naquele momento poderia colocar a vida da filha em risco.
Enquanto aguardava, a criança voltou a apresentar piora clínica
.
A situação, segundo o relato, chamou a atenção de outros pacientes que aguardavam atendimento e também da equipe de enfermagem.
Foi então que uma nova aferição da saturação teria identificado índices entre 94% e 95%, abaixo do considerado normal para uma criança saudável.
A partir dessa nova avaliação, a menina foi encaminhada para outra médica plantonista.
Segundo a denúncia, essa profissional constatou sinais compatíveis com uma crise asmática, incluindo chiado pulmonar, e imediatamente iniciou outro protocolo terapêutico.
Foram realizados procedimentos como:
nebulização com medicação específica;
administração de medicamentos;
suporte clínico para estabilização respiratória.
Somente após essas intervenções, segundo a mãe, a criança apresentou melhora significativa.
Uma pergunta inevitável
Durante todo o depoimento, uma frase se repete diversas vezes.
"Eu conheço a minha filha." - Erica, a mãe.
A afirmação revela algo que frequentemente acompanha pacientes com doenças crônicas: familiares conhecem o comportamento clínico da doença e conseguem identificar quando a situação foge do habitual.
Em casos de asma grave, protocolos nacionais e internacionais recomendam avaliação clínica contínua, monitoramento da saturação, exame físico pulmonar e observação da resposta ao tratamento antes da alta médica.
Naturalmente, cabe exclusivamente aos órgãos competentes apurar se todos esses protocolos foram efetivamente observados no atendimento descrito pela denunciante.

O caso de Helena
O episódio inevitavelmente relembra e remete à tragédia envolvendo a pequena Helena, caso lamentável e amplamente divulgado em Cianorte.
Na ocasião, a criança também passou pela UPA, foi liberada e, pouco tempo depois, acabou falecendo no Hospital IBJ.
Embora os dois casos sejam distintos e não possam ser tratados como equivalentes sob o ponto de vista jurídico ou médico, ambos despertam um mesmo sentimento entre familiares e parte da população:
A insegurança sobre a capacidade do sistema de identificar rapidamente situações potencialmente graves.
É justamente essa preocupação que leva a mãe da menina de nove anos a afirmar, em seu depoimento:
"Se eu tivesse ido embora, o que teria acontecido? Poderia ter acontecido igual aconteceu com a menina Helena." - Erica, a mãe.
A declaração representa uma percepção da própria mãe e não constitui afirmação de que os dois casos possuam as mesmas circunstâncias clínicas.
O silêncio da administração municipal
Ainda na noite de 17 de julho de 2026, imediatamente após receber os vídeos e os relatos da mãe, a equipe do Portal Bisbilhoteiro encaminhou todo o material às seguintes autoridades municipais:
Prefeito de Cianorte;
Vice-Prefeito;
vereadores;
Secretaria Municipal de Administração;
Secretaria Municipal de Saúde;
Secretaria Municipal de Comunicação.
O objetivo era oportunizar manifestação oficial antes da publicação desta reportagem.
Até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta foi encaminhada à redação.
O silêncio institucional tem se repetido em diferentes denúncias relacionadas à saúde pública municipal, dificultando o contraditório e impedindo que a população conheça a versão oficial da administração sobre fatos de relevante interesse público. Se na Secretaria de Saúde não temos pessoas que possam esclarecer os fatos, melhor sair de suas cadeiras e dar espaço para quem resolva essas situações que não são poucas e se estendem da UPA para nossas UBSs.
Humanização ou discurso?
Ao longo dos últimos anos, a administração do prefeito Marco Franzato tem utilizado reiteradamente a expressão "atendimento humanizado" para definir a política pública de saúde adotada pelo município.
Entretanto, denúncias sucessivas envolvendo usuários da rede pública têm levado parte da população a questionar se o conceito de humanização está efetivamente sendo percebido por quem busca atendimento.
Humanizar o atendimento significa, entre outros aspectos:
ouvir o paciente;
considerar seu histórico clínico;
acolher familiares;
realizar avaliação compatível com o quadro apresentado;
agir preventivamente diante de sinais de risco.
Quando pacientes ou responsáveis afirmam sentir-se ignorados ou desacreditados, o princípio da humanização naturalmente passa a ser objeto de debate público.
Fica aqui a pergunta ao Prefeito Marco Franzato e sua Secretária de Saúde que até o momento estão em silêncio sobre esse caso.
Prefeito, é esse o atendimento HUMANIZADO na saúde pública municipal que o senhor tanto fala nas redes sociais?

A responsabilidade da apuração
É importante destacar que esta reportagem reproduz os fatos conforme relatados pela denunciante e encaminhados oficialmente à redação.
As alegações apresentadas não substituem eventual investigação administrativa, sindicância, procedimento do Conselho Regional de Medicina ou apuração pelo Ministério Público, caso tais órgãos entendam necessária a adoção de providências.
O espaço permanece integralmente aberto para manifestação da Prefeitura de Cianorte, da Secretaria Municipal de Saúde e das profissionais mencionadas, cujas versões poderão ser publicadas na íntegra, em respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da transparência.
A pergunta que permanece
Mais do que um episódio isolado, a denúncia reacende um debate que vem se tornando recorrente em Cianorte:
Quantos pacientes precisam insistir para serem ouvidos?
Quando uma mãe afirma que somente conseguiu salvar a filha porque se recusou a aceitar a alta médica, a questão deixa de ser apenas individual e passa a interessar toda a sociedade.
A confiança da população no sistema público de saúde depende não apenas de estruturas físicas e investimentos, mas também da certeza de que cada paciente será ouvido, examinado e tratado com a atenção que sua condição exige.
Enquanto respostas oficiais não forem apresentadas, permanece a indagação que ecoa entre muitas famílias do município:
Até quando a população de Cianorte continuará convivendo com denúncias de atendimento que, segundo pacientes e familiares, estão muito distantes da humanização anunciada pelo poder público?



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