A Verdade que Liberta
- Christina Faggion Vinholo

- 4 de nov.
- 3 min de leitura
Tenho acompanhado as publicações da influenciadora Cíntia Chagas sobre o tema do abuso, e me entristece saber da dor que ela e tantas outras mulheres enfrentaram. Nenhuma mulher deveria ser violentada — nem física, nem emocionalmente.

Mas, ao observar suas falas, percebo algo que merece reflexão: a tentativa de associar o sofrimento das mulheres a rótulos ideológicos, como se as conservadoras sofressem mais abusos que as feministas, ou como se uma estivesse de um lado político e outra do extremo oposto.
A dor humana não se explica por polarizações. Abusos não respeitam fronteiras ideológicas, nem bandeiras políticas.
Sou uma mulher conservadora, mas não porque deseje sustentar tradições humanas ou estruturas de poder. Sou conservadora porque creio que a Palavra de Deus é suficiente e verdadeira, e nela encontro o padrão mais digno e elevado de vida — inclusive para a mulher.
Não me identifico com o movimento feminista porque não estou em guerra com os homens. A Bíblia me ensina que fomos criados para cooperar, não para competir; para servir, não para dominar. Homem e mulher, ambos portadores da imagem de Deus, têm papéis distintos, mas igualmente preciosos, dentro do propósito divino.
Mesmo sendo conservadora, nunca sofri abuso. Já entrei em relacionamentos que poderiam se tornar abusivos, mas, pela graça de Deus, sempre consegui sair antes que se agravassem. Às vezes o coração teimava em permanecer, por acreditar amar — mas o Espírito Santo me dava discernimento e força para me retirar.
Essa sensibilidade para perceber o perigo e escolher a verdade em vez da ilusão não veio de mim, mas de Deus, que conduz os seus filhos em segurança.
Em meu ministério, já aconselhei muitas mulheres que viviam em relacionamentos abusivos. Sempre digo com amor e firmeza: saia enquanto é tempo; denuncie, se for o caso; preserve sua vida.
Um tom agressivo hoje pode se transformar em violência amanhã. Deus não nos chamou para viver uma aparência de família, mas para experimentar relacionamentos que reflitam Seu amor e Sua verdade.
Ele não nos criou para o medo, mas para a liberdade que há em Cristo.
Também ensino que a mulher deve ter uma profissão, uma forma de sustento. Não por independência arrogante, mas por sabedoria.
A mulher virtuosa de Provérbios 31 não era dependente e passiva — era ativa, prudente, trabalhadora e temente ao Senhor. O sustento não está apenas em um homem, mas, antes de tudo, em Deus, que supre cada uma de nossas necessidades.
Por isso, a diferença entre a mulher que permanece aprisionada e a que se levanta com coragem está em seu relacionamento com Cristo.
Quando conhecemos o amor de Deus, não aceitamos viver sob o jugo da humilhação. O Evangelho liberta, restaura e devolve dignidade.
Não sou conservadora por moralismo ou por apego a tradições. Sou conservadora porque creio que a verdade de Deus é eterna e imutável, mesmo quando o mundo muda seus discursos.
E, como mulher, sei que fui criada para refletir a glória de Deus — com firmeza, sabedoria e graça — neste tempo em que tantas vozes se levantam, mas poucas realmente apontam para Cristo, o único que transforma e cura o coração humano.
“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.”
(João 8:36)
E é essa liberdade que quero viver e ensinar.Uma liberdade que não nasce de ideologias, mas da cruz; que não precisa de bandeiras humanas,mas do estandarte da graça.
Ser mulher em Cristo é carregar a dignidade do céu em um corpo terreno —é saber quem somos, a quem pertencemos e o propósito eterno que nos sustenta.














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