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A maior máquina política do Paraná entra em campo: Sandro Alex reúne bloco que controla a maioria das prefeituras do Estado

Por Marcio Nolasco – Analista de Políticas Públicas


A campanha eleitoral para o Governo do Paraná começa a revelar quem realmente possui força política para disputar o Palácio Iguaçu. Mais do que discursos, promessas e caminhadas, as alianças formadas antes mesmo da abertura oficial da campanha demonstram como será travada a batalha pelo poder nos próximos meses.



Nesta quarta-feira (12), Sandro Alex (PSD) e seu candidato a vice-governador, Rafael Greca (MDB), realizam em Curitiba o primeiro grande encontro reunindo todas as forças políticas que sustentam a candidatura da chapa. O evento, batizado de "Unidos e em Paz", pode parecer apenas mais uma agenda eleitoral. Mas, sob a ótica da estratégia política, representa muito mais do que isso.


Não é apenas um encontro. É uma demonstração de poder.


A coligação liderada por Sandro Alex reúne PSD, MDB, Republicanos, Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas), Federação PSDB-Cidadania, Avante e Democrata.


Segundo a própria campanha, esse bloco concentra cerca de 75% dos prefeitos do Paraná.


Na prática, isso significa uma estrutura política gigantesca espalhada pelos 399 municípios do Estado.


Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, lideranças regionais e dirigentes partidários passam a integrar uma engrenagem eleitoral que dificilmente encontra paralelo nesta eleição.


A pergunta que naturalmente surge é inevitável:


Até que ponto uma estrutura política tão ampla influencia o comportamento do eleitor?


A força da máquina política ou a força das ideias?


A política brasileira sempre demonstrou que grandes alianças produzem musculatura eleitoral.


Prefeitos possuem influência regional.


Vereadores conhecem cada bairro.


Deputados movimentam suas bases.


Partidos oferecem estrutura financeira e organizacional.

Tudo isso faz diferença.


Mas também existe outra realidade.


Nos últimos anos, o eleitor brasileiro tem demonstrado que alianças gigantescas nem sempre garantem vitória. O voto tornou-se mais volátil, mais conectado às redes sociais, aos debates públicos e à percepção sobre a capacidade de gestão dos candidatos.


A eleição deixou de ser decidida apenas nos gabinetes partidários.


Ela também acontece na internet, nos grupos de mensagens e na avaliação cotidiana feita pela população.


Rafael Greca: o peso de Curitiba na equação eleitoral


A escolha de Rafael Greca para compor a chapa não foi casual.


Ex-prefeito de Curitiba por três mandatos, Greca leva para a campanha um patrimônio político consolidado na capital e na Região Metropolitana, onde se concentra uma parcela significativa do eleitorado paranaense.


Sua presença amplia o alcance da candidatura e busca equilibrar a trajetória de Sandro Alex, cuja atuação política está historicamente ligada aos Campos Gerais.

É uma composição que procura unir diferentes regiões e perfis administrativos em uma mesma chapa.


A disputa que vai além dos partidos


Este encontro também envia um recado aos adversários.


Ao reunir praticamente todo o arco de alianças em um único evento, Sandro Alex demonstra que chega à campanha cercado por uma das maiores bases políticas já vistas em uma eleição estadual recente.


Mas existe uma diferença importante entre construir alianças e conquistar confiança popular.


A primeira acontece nas negociações partidárias.


A segunda depende do eleitor.


E essa não pode ser assinada em nenhum acordo político.


A eleição começa agora


Nos próximos meses, os paranaenses acompanharão uma disputa marcada não apenas por propostas, mas também pela capacidade de cada candidatura de mobilizar lideranças, ocupar espaços políticos e convencer o eleitorado.


O encontro desta quarta-feira representa um passo importante na organização da campanha de Sandro Alex e Rafael Greca.


Entretanto, a verdadeira resposta virá das urnas.


Porque, em uma democracia, nenhuma aliança — por maior que seja — substitui a decisão soberana do cidadão.


A pergunta que fica


Se um grupo político reúne cerca de 75% dos prefeitos do Paraná, isso representa estabilidade e capacidade de governar ou concentra poder em torno de um único projeto político?


Essa é uma reflexão que cabe ao eleitor fazer ao longo desta campanha.


No fim das contas, mais importante do que o tamanho da aliança será a capacidade de cada candidato apresentar soluções concretas para os desafios do Paraná e convencer a população de que está preparado para governar.

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