A Copa americana para os primos pobres do Sul.
- Walber Guimarães Junior

- há 16 horas
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Sem dúvida, um dos espaços do planeta onde a paixão pelo futebol é mais impactante, por isso, mesmo com o evento fora do continente, a América do Sul sofre enorme influência da Copa de 2026.
Nestes países, principalmente naqueles mais ao sul, o futebol é parte central da identidade social e cultural de países como a Argentina, Uruguai, Brasil e mesmo a Colômbia, onde torcedores tendem a transformar estes eventos globais em momentos culturais intensos recheados de cânticos, manifestações barulhentas da torcida e enormes encontros comunitários.

Mesmo com eliminatórias bem menos cruel que as anteriores, porque entrega seis vagas diretas, com chance da sétima na repescagem, tornando o caminho mais suave, e permitindo retornos como do Paraguai, depois de muito tempo e pode abrir as portas para a Bolívia, pelo caminho da repescagem e sendo mera formalidade para os gigantes do futebol, Brasil e Argentina, o futebol é tratado como parte da identidade cultural em muitos países sul-americanos, inclusive havendo quem diga que em certos lugares o esporte “virou religião”. A expectativa em torno da participação de seleções tradicionais como Brasil e Argentina na Copa de 2026 reforça esse papel emocional do futebol na vida das pessoas, seja pela torcida vibrante, seja pelas histórias e tradições que se constroem ao longo das gerações.
Os torcedores sul-americanos já vinham mostrando seu impacto cultural em competições internacionais realizadas na América do Norte, como no Mundial de Clubes de 2025. Nesses jogos, a energia, os cânticos e a atmosfera trazidos por torcidas de clubes como Boca Juniors e Palmeiras foram destacados como algo que “transformou o estádio em algo mais parecido com La Bombonera ou os grandes palcos sul-americanos”, traduzindo a cultura futebolística regional em outro continente.
Essa presença antecipada prepara o terreno para 2026, com torcidas que vivem o futebol como evento cultural completo, incluindo festas de rua, encontros de “banderazo”, músicas e gastronomia ligada ao futebol, influenciando diretamente as experiências nas sedes da Copa.
Neste momento, a América do Sul discute ativamente seu lugar no panorama mundial do futebol e já manifestou posições fortes sobre o futuro do Mundial, como no caso da proposta de ampliar o torneio de 48 para 64 seleções (para a edição de 2030). Isso mostra que as federações sul-americanas veem não apenas um aspecto esportivo, mas também um potencial cultural, econômico e simbólico em ter uma presença maior no maior evento do futebol mundial.
Embora essa proposta não tenha sido aceita para 2026, ela sinaliza a importância cultural que a região associa ao Mundial e à oportunidade de sediá-lo novamente no futuro, embora o impacto cultural mais duro para o torcedor comum tem sido o custo. Com o dólar alto e as novas taxas da FIFA, como a polêmica taxa de serviço de aproximadamente R$ 1.500 anunciada agora em fevereiro, ir à Copa tornou-se um símbolo de status.
Apesar disso, o famoso “torcedor de sofá” talvez não seja a única rotina na América do Sul, porque, com os no fuso horário das Américas, a rotina de trabalho e lazer será totalmente alterada, resgatando a tradição de decorar ruas e parar o comércio, algo que foi perdido no fuso do Catar em 2022. Portanto, mesmo sem sediar jogos de 2026 em seu território, o continente sul-americano está profundamente envolvido culturalmente com o evento por meio do fervor e da tradição futebolística, além de carregar um peso cultural de reafirmação e exportação de identidade. Como o continente detém o atual título mundial da Argentina, o impacto gira em torno da manutenção da hegemonia técnica e da adaptação a um novo modelo de "futebol-espetáculo".
Reforço que a leitura da Copa, envolve ingredientes completamente diferentes para cada seleção. Se para a Argentina, a defesa do título é a essência, o Brasil busca a redenção após 24 anos de jejum. A Colômbia promete o retorno da alegria e da dança no campo e o Uruguai tentando harmonizar a garra Charrua com um toque europeu. Já o Paraguai exibe o orgulho de voltar à elite do futebol e, por fim, o Equador tenta se consolidar como a terceira força técnica.
O que segue sendo único, que iguala todas as nações da região, é a capacidade do futebol de despertar paixões, inflar o nacionalismo e colocar todos os corações em uma só cadência na busca da glória esportiva. Nisto, nenhum outro continente consegue reproduzir a importância de uma Copa do Mundo de futebol na alma do sul-americano.
















