Uma campanha medíocre que envergonha os brasileiros.
Para os que não me conhecem, informo que tenho a mesma idade das pessoas idosas, com experiência e vivência próximo da política que, pelo menos deveria me isentar de qualquer surpresa com o jogo político. Já estive muito perto de disputas onde o lado B, do jogo obscuro, prevaleceu, mas nada, nem remotamente, se compara a sujeira e o odor fétido que exala da disputa nacional.

E esta última semana será ainda pior!
Todos nós sabemos que a etapa final da campanha, onde o tempo de se contrapor às calúnias é mínimo, principalmente em um país onde a fofoca anda de avião e a verdade de bicicleta, é sempre impactante. Neste ano, é necessário que estejamos com o espírito preparado para uma guerrilha de factoides e narrativas, apenas vagamente vinculadas aos fatos, no entanto saiba que literalmente tudo que paira no ar, todo tipo de acusação e hipótese corre o risco de ser verdade, exceto se afirmarem que nesta “zona política” existe alguma virgem.
O trauma tende ser mais amplo. Aqueles que me acompanham, sabem que sempre critiquei as reeleições e a eternização de políticos e suas teias hereditárias, fonte inesgotável de concentração de poder e tráfico de influência e, principalmente no Legislativo. Observar os sobrenomes nos faz voltar no tempo e reconhecer a firma das históricas Capitânias e a vocação genuinamente brasileira de blindar a elite e preservar o andar de cima que, placidamente, acomoda como irmãos siameses, a elite econômica e política.
Apesar disto, 2026 será um ano para registro icônico no calendário das tragédias nacionais porque o conjunto de revelações assombrosas nivela organizações partidárias ou grupos políticos com organizações criminosas. Ainda que pareça uma afirmação muito forte, porque não respeita as honrosas exceções, merece um Power Point da imoralidade, colocando lado a lado, lideranças de todo o espectro político, sem distinção porque o escândalo pedagógico do Banco Master nos ensinou que a principal diferença entre direita e esquerda é apenas retórica porque os hábitos e os preços são muito parecidos.
Desculpem-me a sinceridade, mas, depois de Daniel Vorcaro, achar que corrupção repousa em qualquer dos polos é hipocrisia pura. Sinceramente, se é o teu caso, com todo respeito, te liberta urgentemente das amarras do logaritmo que aprisiona todos teus neurônios e busque novas fontes, embora eu aceite, com tranquilidade que se reconheçam diferenças quantitativas. Como meu avô me ensinou “quem rouba tostão, rouba milhão”. De novo, friso o intenso respeito pelas raras exceções.
Lamento também dividir a fatura não apenas entre Executivo e Legislativo porque o Judiciário reivindica a sua porcentagem na pilhagem. Com decepção, e até preocupação, afirmo que não votaria na metade dos ministros do STF para síndico do meu prédio, muito menos lhes confiaria a contabilidade da nossa confraria de futebol, todavia guardaria com carinho o contato dos escritórios de advocacia de seus parentes. Entristecido, afirmo que também o STF envergonha a Nação.
Quase ao fim da campanha, os dois principais candidatos não foram capazes, nem mesmo tiveram o menor interesse em responder as principais questões que afligem o Brasil. Para ficar no básico; Lula não fez o menor aceno em direção ao equilíbrio fiscal, nem Flávio Bolsonaro consegue garantir normalidade democrática. Para aprofundar a questão; nenhum deles consegue explicar por que o mar de lama do INSS e do Master bate no peito de centenas de amigos ou partidários e respinga em suas botas.
Infelizmente, o espírito beligerante que atinge até eleitores comuns não permitiu que as demais candidaturas fossem ouvidas, embora seja notório que foram eles que demonstraram algum empenho para falar em ideias e projetos, sem a preocupação quase única de chutar a canela do adversário e lhes impor uma rejeição maior.
Sim, vamos para as urnas praticamente para escolher entre dois nomes que tem 50% de rejeição! O resultado pode ser imprevisível, mas a resultante é um país que seguirá dividido, refém da hipocrisia e do ódio que divide o Brasil em duas metades, amarelo e vermelho. Ainda que uma pequena parcela dos eleitores, pouco mais de 15%, insistam em registrar seus protestos, através de votos nulos, brancos, abstenção ou, decisão tristemente equivalente, escolher um candidato alternativo.
Não vou torcer por ninguém porque minhas esperanças foram vencidas pela mediocridade da disputa. Vou para as urnas porque o dever cívico é imperativo, mas ciente que mais da metade dos brasileiros vai votar sem ilusão, apenas para tentar livrar o país do mau maior, seja ele qual for.
Com forte cultura política, com ampla tradição democrática familiar, votar sempre foi um momento solene na minha vida até 2026. A campanha medíocre e suas pautas explosivas me impõem uma certeza; vou votar com vergonha de ser brasileiro.
No fundo, uma tênue esperança; que ao bater no fundo do poço, os brasileiros percebam que algumas reformas são urgentes .... política, tributária, administrativa e, aquela que virou unanimidade; a reforma do STF.

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