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Trump Dá Tiro no Pé: Guerra no Irã Vira Presente para Putin

O Feitiço Virou Contra o Feiticeiro (e a Rússia Agradece) 


Sabe aquela história de tentar dar um nó cego no inimigo e acabar tropeçando no próprio cadarço? Pois é, a geopolítica é uma novela mexicana com toques de comédia pastelão e drama shakespeariano. E o atual capítulo, que se desenrola no Oriente Médio, tem um enredo que faria qualquer roteirista de Vale Tudo se curvar: a ofensiva militar liderada por Washington e Tel Aviv contra o Irã, que tinha tudo para ser um golpe duro nos aliados de Moscou, está se transformando num autêntico "balão de oxigênio" para Vladimir Putin. É o tipo de ironia que só a vida (e a política internacional) consegue nos entregar, com um sorriso maroto no canto da boca.


Imagem criada por IA – Nelson Guerra 


A coisa começou quente, como churrasco de domingo com a família toda. A eliminação do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, foi um choque, um terremoto na política persa. Não foi só ele, não. A operação, batizada de Operation Epic Fury (Operação Fúria Épica), foi um verdadeiro "limpa" na cúpula iraniana, com mais de 40 líderes seniores sendo tirados de cena. A ideia era clara: decapitar a cobra para que o corpo parasse de se mexer. Mas, como a gente sabe, cobra tem irmãos, e a cabeça cortada nem sempre significa o fim da linhagem. A ação, que parecia um xeque-mate no tabuleiro do Oriente Médio, abriu um buraco que, em vez de enfraquecer, acabou criando um vácuo e uma instabilidade que reverberam até a gelada Moscou.


O Petróleo Subiu, e a Rússia Fez a Festa


Agora, vamos falar de dinheiro, que é o que move o mundo (e a guerra, infelizmente). O conflito no Irã, com o bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial –, jogou os mercados de energia numa montanha-russa. O preço do barril de Brent subiu quase 14%, chegando a estratosféricos US$ 93. Para quem vende petróleo, isso é como ganhar na loteria sem precisar arranhar a raspadinha. E quem é um dos maiores vendedores do mundo? Acertou: a Rússia.


O Kremlin, com aquele ar de quem não quer nada, já confirmou um "aumento significativo na demanda" por petróleo e gás russos, segundo a Al Jazeera. É como tentar afogar o vizinho na piscina e acabar enchendo a sua própria com água mineral. O Tesouro dos EUA, numa manobra que mostra o desespero da situação, até emitiu uma isenção de 30 dias permitindo que a Índia comprasse petróleo russo que estava encalhado no mar. Ou seja, a Rússia, que estava com a corda no pescoço por causa das sanções, agora vê seus cofres se enchendo. É a lei de Murphy em ação, mas a favor de Putin.


O Guarda-Chuva da Ucrânia Foi Emprestado (e a Tempestade Continua)


E a Ucrânia nessa história toda? Ah, a Ucrânia... coitada. É como estar no meio de um temporal e ver seu único guarda-chuva sendo emprestado para o vizinho que está com uma garoa. O presidente Zelensky soltou o verbo, e a Al Jazeera noticiou: mais mísseis Patriot foram usados em três dias de guerra no Irã do que na Ucrânia desde 2022! Pensa bem: a Ucrânia, que luta pela sua sobrevivência contra a Rússia, recebeu até oito sistemas Patriot, o que já é pouco para cobrir um país do tamanho dela. Agora, com a demanda no Oriente Médio, a Europa e os EUA estão tirando o cobertor de um para cobrir o outro, deixando os céus ucranianos ainda mais desprotegidos numa hora crítica do conflito. Os europeus, claro, já estão com a pulga atrás da orelha, preocupados que a guerra no Irã desvie as armas que seriam destinadas a Kiev. É a velha máxima: quando a casa do vizinho pega fogo, a sua também corre risco.


O Cozinheiro que Queimou o Jantar Tentando Impressionar


E o nosso protagonista, Donald Trump? O homem que, com sua retórica de "América Primeiro", sempre criticou o apoio dos EUA à Ucrânia, agora se vê numa situação curiosa. Sua política externa, ao atacar o Irã, acabou indiretamente fortalecendo a posição russa no conflito europeu. É o cozinheiro que, tentando impressionar os convidados com um prato exótico, acaba queimando o jantar e ainda por cima serve a sobremesa para o desafeto.


O New York Times revelou que Trump prevê uma guerra de "quatro ou cinco semanas" no Irã, mas, como de costume, não tem um plano claro para o "dia seguinte". Ele até mencionou um modelo "Venezuela" para o Irã, mas seus próprios assessores já disseram que a situação é bem diferente. É a velha história do "faça o que eu digo, não faça o que eu faço", mas em escala global. A ironia é que, ao tentar desestabilizar um inimigo, ele acabou dando um empurrãozinho para outro, mostrando que, na política, nem sempre o que parece óbvio é o que acontece.


O Vendedor que Prometeu Demais e Agora Precisa Entregar


A situação política de Trump, aliás, não é das mais tranquilas. 2026 é um ano de definições para seu possível segundo mandato, e a eleição de meio de mandato nos EUA costuma ser um calvário para o partido do presidente. Ele é como aquele vendedor que prometeu mundos e fundos para fechar a venda e agora precisa entregar a mercadoria para não perder o cliente. Trump precisa mostrar resultados, precisa de vitórias para manter sua base fiel e convencer os indecisos. E uma guerra no Irã, com consequências imprevisíveis e um custo político alto, pode ser uma faca de dois gumes. Se der certo, ele se consagra. Se der errado, a conta chega, e ela pode ser bem salgada.


Lula Acelera para Fazer o Gol Enquanto o Adversário Tropeça


Enquanto isso, do lado de cá do Atlântico, o presidente Lula observa o cenário com a atenção de um técnico de futebol que vê o adversário tropeçar e acelera para fazer o gol. Lula avalia que Trump tem um futuro político difícil, e essa percepção o impulsiona a buscar um protagonismo mais agressivo no cenário internacional e local. Só em janeiro deste ano, Lula conversou com 14 chefes de Estado, intensificando a articulação internacional com países como Venezuela, e se posicionando em temas como Gaza e Groenlândia.


O Brasil, sob sua liderança, busca se firmar como um país capaz de manter a estabilidade na América Latina, um "irmão mais velho" que tenta apaziguar os ânimos. Lula tem uma viagem agendada aos EUA em março, mas o Planalto avalia se mantém o encontro com Trump, dada a instabilidade. O governo brasileiro, com sua tradicional diplomacia da neutralidade, condenou os ataques e apelou para a negociação. É a estratégia do "paz e amor" em meio ao caos, tentando se posicionar como um mediador global, um "árbitro" que tenta colocar ordem na partida.


O Namorado que Não Quer Escolher Entre a Mãe e a Sogra


A posição do Brasil nesse conflito é delicada, como a de um namorado que não quer escolher entre a mãe e a sogra. O país mantém relações com ambos os lados, e o Irã, inclusive, integrou recentemente o BRICS+, o que adiciona uma camada de complexidade. Por um lado, o Brasil é praticamente autossuficiente em petróleo, o que nos dá uma certa blindagem contra a alta dos preços. Por outro, analistas recomendam uma postura neutra para não se queimar com ninguém.


Se o Brasil for visto como defensor do Irã, pode enfrentar riscos de tarifas e retaliações comerciais, especialmente com os EUA. É um jogo de cintura, um samba de uma nota só, onde o importante é não pisar no pé de ninguém e tentar manter a harmonia, mesmo que o salão esteja pegando fogo.


A Aposta no Cavalo Errado (Até Dar Errado)


As consequências de um conflito prolongado no Irã são como uma aposta no cavalo errado: pode dar certo por um tempo, mas a chance de dar errado é enorme. Se o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado, o petróleo pode ultrapassar os US$ 100 o barril, o que seria um desastre para a economia global. No Brasil, a pressão inflacionária seria sentida no bolso de todo mundo, desde o preço da gasolina até o frete dos alimentos, afetando toda a cadeia logística rodoviária e o diesel.


Por outro lado, o Brasil, como produtor de petróleo e polo de atração de investimentos, poderia até se beneficiar num primeiro momento. Mas, como diz o ditado, "a alegria de pobre dura pouco". Se o conflito virar global, se o caldo entornar de vez, todos perdem. É um cenário onde não há vencedores, apenas diferentes graus de perdedores.


A Geopolítica é Uma Caixinha de Surpresas (e de Risadas)


E assim se encerra mais um capítulo dessa saga geopolítica que faria qualquer roteirista de novela das oito se coçar de inveja. Donald Trump, o homem que prometeu "drenar o pântano", acabou, sem querer, jogando um balde de água fresca no moinho de Vladimir Putin. A Ucrânia, que já estava com a corda no pescoço, agora vê seu guarda-chuva sendo usado em outra tempestade. E o Brasil, com seu presidente Lula, tenta dançar conforme a música, aproveitando as brechas para mostrar que também tem seu lugar no palco global.


A política internacional é assim: uma caixinha de surpresas, onde o que parece óbvio nunca é, e onde o inimigo do meu inimigo nem sempre é meu amigo, mas pode ser o amigo do meu desafeto. É um jogo de xadrez em 3D, com peças que se movem sozinhas e regras que mudam a cada lance. Então, da próxima vez que você vir uma notícia sobre guerra e paz, lembre-se: por trás do drama, sempre tem uma pitada de humor, uma ironia do destino, e um vizinho que, sem querer, acabou se dando bem. E a gente, aqui do Bisbilhoteiro Global, segue de olho, com a pipoca na mão e o senso de humor afiado, porque rir para não chorar ainda é a melhor estratégia.


Imagem criada por IA – Nelson Guerra 


(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública que observa o jogo geopolítico e torce para o Brasil não levar cartão vermelho)

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