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Trump ao lado de Eduardo Bolsonaro na coordenação de Lula?

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.


É consenso mundial que o patrão de Donald Trump é o dinheiro, ainda que se utilize o discurso ideológico para atingir seus objetivos. Mesmo assim, o jogo de sedução com o presidente brasileiro Lula, no dia 23 de setembro em evento no ONU, surpreende e emite sinais controversos.


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Lógico que a primeira impressão, e talvez esteja certa, é de Trump pode estabelecer um diálogo direto com Lula e reduzir tensões e taxas nas relações entre ambos os países, pressionado pelos reflexos negativos na economia americana, com as sobretaxas gerando pressão inflacionária, mas certamente é na esfera política que se espera maiores reflexos.


Lula estava em um complexo inferno astral, com índices preocupantes de desaprovação, inúmeras questões sem respostas, como o escândalo do INSS, e inércia absurda no combate ao déficit das contas públicas. Mais que sem respostas, Lula estava sem discurso, mas, como um presente de um querido amigo, Eduardo Bolsonaro saiu da linha compreensível de defesa do pai e passou a defender agressões à economia e a soberania nacional, com duas consequências fragrantes; expor a fragmentação da direita e a entrega de discurso e uma bandeira simpática para que o presidente conseguisse mudar a pauta que o oprimia.


O resultado das trapalhadas de Eduardo, admitindo que o termo trapalhada possa ser substituído por trairagem, mais preciso, se mostra cristalino no conjunto das pesquisas. Se as qualitativas apontam para uma leitura mais neutra do governo, sem a seta apontada para o abismo, os números das fotos eleitorais mostram um Lula mais consistente, inclusive fortalecido pela quebra da unidade que se avistava no horizonte em torno do governador Tarcísio de Freitas.


Ainda com muitos capítulos à frente, a novela do tarifaço americano já produziu alterações consistentes na sucessão nacional. Pessoalmente, cheguei a cogitar que o atual presidente usaria sua idade ou sua saúde para justificar sua saída do páreo para fechar a carreira sem uma derrota no epílogo, e agora, nas pesquisas recentes, habilita até a hipótese de vitória no primeiro turno, algo ainda muito nebuloso na dinâmica política nacional. Todavia, é justo afirmar que a direita parece contabilizar prejuízos irrecuperáveis.


Havia no ar uma sensação de vitória inevitável da direita em 2026, com Tarcísio com a camisa 22 no centro da disputa, sendo a busca da unidade a maior preocupação para tentar fechar a conta no primeiro turno. Recorde-se que no primeiro semestre, a direita capitalizava com êxito a narrativa de perseguição ao ex-presidente, somada aos excessos do STF e com a ineficiência do governo atual em questões primordiais.


Talvez a virada do jogo tenha vindo do gol contra de explicitar que a pretendida anistia, que também incluiria os bagrinhos do 8 de janeiro, estava focada em salvar a pele dos tubarões da tentativa de golpe. A PEC da blindagem, um oportunismo ridículo que uniu extrema direita e centrão em defesa de uma licença preventiva para cometer crimes, teve também um peso significativo para mostrar ao cidadão comum que, para além da ideologia, os políticos sempre priorizam seus interesses, raciocínio válido para qualquer ponto da régua ideológica, respeitando as honrosas exceções.


Lógico que o calendário, com longos doze meses para as eleições, mostra tempo suficiente para muitas outras cambalhotas e trapalhadas da nossa classe política, diante de tantas variáveis, algumas exógenas, sobre as quais existem um conjunto de forças atuando e ninguém com força suficiente para ajustá-las à sua estratégia, mas, ainda assim, podemos enxergar alguns atalhos em direção a 2026.


O imprevisível Donald Trump pode até dar um beijinho na testa de Lula, mas também pode submetê-lo a um momento Zelenski, em alusão a humilhação imposta o presidente ucraniano, e qualquer resultado do possível encontro vai liberar a criatividade de todos para a construção de uma narrativa adequada, mas, a princípio, Lula tem muito mais a ganhar com a abertura do diálogo.


Enquanto não terminar abril, sempre será possível reconstruir unidade em torno de Tarcísio que lhe devolva o favoritismo, embora, em qualquer circunstância o governador paulista incidirá em riscos muito maiores que a eleição paulista, incluindo uma relação de confiança com as diversas alas da família Bolsonaro e o homem de negócios que comanda o PL.


Importa também registrar que sem o quadro de polarização radical, nomes como o de Ciro Gomes podem atravessar o processo político sem sofrer de raquitismo eleitoral e inclusive se transformar em aliado involuntário da direita ao se oferecer como único nome, escalado até agora, com potencial para frear a caminhada de Lula em direção à centro esquerda.


Da mesma forma, um quadro mais aberto, onde o bom senso evite o voto do contra desde o início, com a mediocridade do voto útil, uma apologia ao menos ruim, pode abrir espaços até para nomes alternativos, como de Danilo Gentili. Considerando que a nossa eleição sempre alterna comédia e tragédia, um humorista pode cumprir algo mais que sua missão de viabilizar uma nova sigla, considerados os limites da hipótese listada.


Mesmo com Lula podendo até admitir a candidatura de nome alternativo, disputando a vice com a função de transferir seu legado eleitoral, não há a menor dúvida que deve agradecer a dois nomes que forma muito mais efetivos na sua reabilitação do que seus companheiros; Eduardo Bolsonaro, artilheiro dos gols contra e o imprevisível Donald Trump assinam a atual foto da sucessão.


Por fim, registro a real possibilidade de que um Ratinho esteja em condições de mexer no queijo de Brasília, assunto para o nosso próximo encontro.

 



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