SETEMBRO VERDE E AMARELO: A TOGA E A URNA NO JULGAMENTO DO SÉCULO
- Nelson Guerra

- 18 de ago.
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Por Nelson Guerra
Resumo rápido (para quem só veio pelo título): no começo de setembro o Supremo inicia um julgamento com potencial de mudar a cena política e econômica do país — sobre acusações graves que juristas dizem fundadas em um vasto arquivo de provas reunidas pela Polícia Federal e uma denúncia robusta da PGR. Será?
Ah, o Brasil... Terra de samba, futebol e, claro, tramas políticas que fariam inveja a qualquer roteirista de novela das nove. Imagine só: um ex-presidente acusado de planejar um golpe de Estado, com pitacos internacionais de um gringo alaranjado e tarifas que parecem saídos de um script de um filme de Hollywood.
Pois é, o julgamento de Jair Bolsonaro no STF promete ser o blockbuster do ano. Com sessões extraordinárias entre os dias 2 e 12, a Primeira Turma do Supremo – presidida pelo ministro Cristiano Zanin – vai decidir se o "mito" vira réu condenado ou absolvido em grande estilo.
Tudo isso em volta do Dia da Independência, para dar aquele tempero patriótico. Vamos mergulhar nessa história, com um toque de humor para não chorar (ou rir) de nervoso.
AS PROVAS JUNTADAS PELA PF REALMENTE INCOMODAM?
Começando pelo básico: a PF não brincou em serviço na Operação Contragolpe, deflagrada em novembro de 2024. Indicou Bolsonaro e uma turma de 37 a 40 aliados por crimes pesados como abolição violenta do Estado Democrático, golpe de Estado e organização criminosa. As provas? Um banquete de mensagens de celular, pen drives cheios de segredos, anotações pessoais que parecem diário de adolescente conspirador e depoimentos que confirmam tramoias.
O destaque ficou para o plano "Punhal Verde e Amarelo" – nome que soa como filme de espionagem ruim –, que incluía ideias malucas como assassinar Lula, Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, além de montar um gabinete pós-golpe como se fosse reforma de cozinha.
E as testemunhas? Vários ex-chefes militares (não só Mauro Cid) cantaram como canários, reforçando os indícios da PF e da PGR. Mas a defesa reclama: "Ei, STF, cadê o acesso total às provas? São mais de 2.000 GB de arquivos – isso dá mais de 200 horas de download! É cerceamento de defesa ou teste de paciência?" Imagina baixar isso na internet brasileira... Seria mais fácil ganhar na Mega-Sena!
DENÚNCIAS DA PGR: UMA LISTA MAIOR QUE FILA DE LOTÉRICA!
Em fevereiro deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) soltou a bomba: denúncia contra Bolsonaro e 33 aliados, expandida depois para mais. Os crimes envolviam golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado de Direito, dano qualificado e até deterioração de patrimônio público – tipo, quebrar o Congresso como se fosse vaso da avó. O STF aceitou tudo por unanimidade em março, tornando réus o ex-presidente e sete do "núcleo crucial": Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Almir Garnier, Anderson Torres e Alexandre Ramagem.
As acusações vão de invasões no 8 de janeiro de 2023 a planos pós-eleições, sequestros e uso de instituições estatais como brinquedo particular. É como se dissessem: "Vocês não só pensaram em bagunçar a democracia, como quase fizeram um churrasco com ela!"
DEFESA EM CAMPO: "FOI SÓ UMA BRINCADEIRINHA CONSTITUCIONAL!"
Agora, a defesa de Bolsonaro e companhia não fica parada. Eles batem o pé: "Cadê as provas concretas? Isso é cerceamento, excesso de documentos – 2.000 GB é mais que biblioteca inteira!" Contestam a delação de Mauro Cid como "inconsistente e coagida", tipo testemunha que muda de ideia no confessionário do Big Brother. Invocam até o teórico jurídico alemão Claus Roxin para dizer que tudo foi "tentativa de tentativa" – atos preparatórios sem violência real, como planejar uma viagem que nunca sai do papel.
Bolsonaro nega envolvimento direto. Não houve exatamente reuniões, foram só papos sobre alternativas constitucionais, nada de golpe armado! Pedem absolvição ou, no mínimo, pena reduzida e julgamento no plenário do STF, com mais ministros para diluir o drama. É defesa criativa, hein?
TRUMP NO MEIO: TARIFAS DE 50%, NÚMEROS INVENTADOS E PITACOS COMO TIO EMBRIAGADO!
E aí entra o fator internacional: Donald Trump, o gringo que adora dar palpite. Ele chamou o julgamento de "execução política" e "caça às bruxas", defendendo Bolsonaro como "vítima" em carta direta: "Isso precisa parar imediatamente!" Para pressionar, impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, revogou vistos de magistrados e sancionou Moraes pela Lei Magnitsky. E justificou: "Brasil é péssimo parceiro comercial" – mas todo mundo sabe que é por causa do aliado Bolsonaro, invenção do PIX e outras brigas com big techs.
JULGAMENTO EM SETEMBRO, COM PIPOCA INCLUSA!
O rito é clássico: leitura do relatório por Alexandre de Moraes (o relator que não perdoa), sustentação oral da PGR, defesas em ordem alfabética (para não brigar por vez) e votação na Primeira Turma – cinco ministros, maioria de três decide.
Calendário das Sessões
✅ TER 02/09 (Manhã e tarde): Abertura com relatório; sustentações PGR/defesas.
✅ QUA 03/09 (Manhã): Continuação das sustentações/debates.
✅ TER 09/09 (Manhã e tarde): Voto do relator e início dos demais votos.
✅ QUA 10/09 (Manhã): Prosseguimento dos votos.
✅ SEX 12/09 (Manhã e tarde): Conclusão, com eventual dosimetria.
Se condenado, Bolsonaro pode pegar até 46 anos de prisão – cumulativa, tipo conta de bar que não acaba. Recursos? Embargos, habeas corpus, ida ao plenário do STF... O circo continua! Politicamente, isso polariza o Brasil mais que final de Copa, influenciando as eleições de 2026 e tensões internacionais. Há até especulações de "recuo": condenar agora, anistiar depois via Congresso, para acalmar Trump.
EPÍLOGO: CRÔNICA DE UM PAÍS QUE NÃO PERDE O REBOLADO
No Brasil, a democracia dança conforme a música — às vezes marcha, às vezes samba. Em setembro, a orquestra é a Primeira Turma, o maestro veste toga e o público acompanha em rede nacional. Se o espetáculo terminar em final apoteótico ou em bis prolongado pelos recursos, descobriremos no compasso da lei. Até lá, vale a velha regra da roda de samba: quem não improvisa, não entra no coro; quem desafina, responde ao maestro. E, no palco da República, toda pausa dramática é por conta do processo — sem direito a playback.
(Nelson Guerra é professor e consultor em Gestão Pública; estuda política e prepara pipoca para assistir aos cinco dias de julgamento)














Eu já preparei a pipoca para o episódio de abertura do julgamento.
Mas fico entediado só de pensar que terei de ouvir a apresentação do Ministério Público de cada um dos atos criminosos desses CANALHAS PATRIOTÁRIOS tantas vezes já publicados pela mídia brasileira e repetidos em verso e prosa nas redes socias. E depois, do outro lado, as TESES FAJUTAS dos advogados de defesa tbm tantas e tantas vezes já desqualificadas nos mesmos lugares por juristas e outros profissionais do direito.
Afora isso, ainda haverá uma montanha de novos relatos ainda a serem elaborados e divulgados sobre a atuação desse e daquele réu, desse e daquele advogado, desse e daquele juiz, desse e daquele político, desse e daquele pastor evangélico.…