Sergio Moro dispara na liderança da corrida ao governo do Paraná
- Marcio Nolasco

- há 3 horas
- 5 min de leitura
A menos de seis semanas da votação, o senador do PL aparece à frente em todas as pesquisas divulgadas em agosto, com vantagem de até 20 pontos sobre o segundo colocado
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
Faltando pouco mais dende um mês para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026, a corrida pelo governo do Paraná já tem um favorito nítido. O senador Sergio Moro (PL), ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, lidera com folga todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas neste mês, na disputa pela sucessão de Ratinho Junior (PSD), que cumpriu dois mandatos seguidos e não pode concorrer novamente.

O cenário atual
Ao todo, oito candidatos disputam o Palácio Iguaçu, mas a eleição paranaense se consolidou como uma disputa de três nomes: Moro, o deputado estadual Requião Filho (PDT) e o deputado federal Sandro Alex (PSD), este último indicado por Ratinho Junior para dar sequência ao atual governo.
Os levantamentos mais recentes confirmam a mesma ordem, com variações de metodologia:
Quaest (804 entrevistados, 20 a 23 de agosto, cenário estimulado): Moro 37%, Requião Filho 21%, Sandro Alex 15%. No espontâneo, Moro tem 13% ante 7% de Requião Filho e 4% de Sandro Alex.
Paraná Pesquisa (1.520 entrevistados, 13 a 16 de agosto): Moro 46,1%, Requião Filho 23,4%, Sandro Alex 16,5%.
Neokemp (primeira pesquisa após as convenções partidárias, meados de agosto): Moro 45,7% no cenário estimulado.
IRG/Grupo Ric (1.350 entrevistados, 8 a 12 de agosto): Moro 40,2%, Sandro Alex 24,8%, Requião Filho 21%.
Nos cenários de segundo turno simulados pela Quaest, Moro venceria com folga em qualquer confronto direto: 51% a 27% contra Requião Filho, e 48% a 19% contra Sandro Alex.
O quadro de rejeição, porém, mostra uma disputa mais equilibrada em termos de antipatia: Requião Filho lidera a rejeição (44% na Quaest), seguido por Moro (33%) e Sandro Alex (16%) — sinal de que a vantagem de Moro nas urnas convive com uma parcela relevante de eleitores resistentes a seu nome.
Vale notar que o governo Ratinho Junior mantém avaliação positiva alta (68% positiva/ótima-boa na Quaest), o que ajuda a explicar o desempenho de Sandro Alex, escolhido como candidato da continuidade.
Como Moro chegou até aqui
Natural de Maringá (PR), Moro, 54 anos, é bacharel em Direito pela Universidade Estadual de Maringá e tem mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Paraná. Ficou nacionalmente conhecido a partir de 2015 como um dos juízes à frente da Operação Lava Jato. Foi ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro (2019–2020) e, em 2022, chegou a ser pré-candidato à Presidência antes de migrar para disputar — e vencer — uma vaga no Senado pelo Paraná.
Para concorrer ao governo estadual em 2026, Moro trocou o União Brasil pelo PL, a convite de Flávio Bolsonaro, e monta sua primeira candidatura a um cargo do Poder Executivo. Sua coligação reúne PL, Podemos e Novo. A plataforma de campanha concentra-se em segurança pública, combate à corrupção, modernização da máquina pública e tecnologia, além de propostas de desenvolvimento econômico e infraestrutura.
Quem são os concorrentes diretos
Requião Filho (Maurício Thadeu de Mello e Silva), 46 anos, é advogado e deputado estadual desde 2014, hoje em seu terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, onde ocupa a 3ª Secretaria da Mesa Diretora. É filho do ex-governador e ex-senador Roberto Requião, que comandou o Paraná em três oportunidades. Concorre pelo PDT, com apoio explícito do presidente Lula e uma coligação de oito partidos, incluindo PT, PSOL e PV — Michele Caputo (Solidariedade) é sua vice. Sua campanha aposta na valorização dos serviços públicos, na presença do Estado e na defesa de trabalhadores, ocupando o campo de oposição a Ratinho Junior.
Sandro Alex (Sandro Alex Cruz de Oliveira), 53 anos, natural de Ponta Grossa, é advogado e deputado federal em seu quarto mandato, além de presidente estadual do PSD. Foi secretário de Infraestrutura e Logística nos dois mandatos de Ratinho Junior e é apresentado como o sucessor direto do atual governador. Tem o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) como vice, e uma ampla coligação formada por PSD, MDB, Republicanos, Avante e outras legendas. Seu programa se organiza em cinco "pontes" e 25 pilares, propondo continuidade e aprimoramento do modelo de gestão estadual.
Quadro comparativo dos três primeiros colocados
Sergio Moro | Requião Filho | Sandro Alex | |
Partido / coligação | PL — coligação com Podemos e Novo | PDT — coligação de 8 partidos (com PT, PSOL, PV) | PSD — ampla coligação (MDB, Republicanos, Avante e outros) |
Idade | 54 anos | 46 anos | 53 anos |
Naturalidade | Maringá (PR) | Curitiba (PR) | Ponta Grossa (PR) |
Cargo atual | Senador pelo Paraná (desde 2023) | Deputado estadual (3º mandato, desde 2014) | Deputado federal (4º mandato) |
Vice na chapa | — | Michele Caputo (Solidariedade) | Rafael Greca (MDB) |
Trajetória | Ex-juiz da Lava Jato; ex-ministro da Justiça (governo Bolsonaro); candidato a presidente em 2022 (retirou-se para concorrer ao Senado) | Filho do ex-governador Roberto Requião; advogado; liderou a bancada de oposição na Alep | Ex-secretário de Infraestrutura e Logística de Ratinho Junior; presidente estadual do PSD |
Posicionamento | Direita; campo bolsonarista, aliado de Flávio Bolsonaro | Esquerda; oposição a Ratinho Junior, apoiado por Lula | Direita/centro; continuidade do governo Ratinho Junior |
Eixos da campanha | Segurança pública, combate à corrupção, modernização da gestão, tecnologia | Fortalecimento dos serviços públicos, presença do Estado, defesa dos trabalhadores, revisão de privatizações | Continuidade administrativa: 5 "pontes" e 25 pilares — economia, infraestrutura, inovação e políticas sociais |
Quaest (24/ago, estimulada) | 37% | 21% | 15% |
Paraná Pesquisa (17/ago) | 46,1% | 23,4% | 16,5% |
IRG/Ric (13/ago) | 40,2% | 21% | 24,8% |
Rejeição (Quaest) | 33% | 44% | 16% |
2º turno simulado vs. Moro (Quaest) | — | Moro 51% x 27% | Moro 48% x 19% |
Fontes: Quaest/RPC (20–23/ago/2026), Paraná Pesquisa (13–16/ago/2026, registro TSE PR-09048/2026), IRG/Grupo Ric (8–12/ago/2026, registro TSE PR-09301/2026), Neokemp, Poder360, Gazeta do Povo, CNN Brasil, Exame, InfoMoney e Brasil de Fato.
O que observar até outubro
Com oito candidatos na disputa — completam a lista Rafael Greca (que na verdade compõe a chapa de Sandro Alex como vice), Samuel de Mattos (PSTU), Adriano Teixeira (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão) e Tayná Miessa (UP) —, a vitória de Moro já no primeiro turno é o cenário mais discutido, dado que ele se aproxima ou ultrapassa os 50% dos votos válidos em parte das pesquisas. Ainda assim, cerca de 18% dos eleitores se declaram indecisos, e mais de 40% afirmam que podem mudar de voto até a eleição — margem suficiente para manter alguma disputa em aberto até 4 de outubro, sobretudo entre Requião Filho e Sandro Alex pela segunda colocação.
O primeiro debate televisivo, promovido pela Band em 9 de agosto, já expôs o contraste de narrativas entre Requião Filho — focado em serviços públicos e presença do Estado — e Sandro Alex — na defesa da continuidade da gestão Ratinho Junior. Novos debates e o desempenho de Moro sob maior escrutínio público, à medida que sua candidatura amadurece, devem ser os principais fatores a observar nas próximas semanas.
Artigo produzido com base em pesquisas eleitorais registradas no TSE e reportagens publicadas até 26 de agosto de 2026. Números de intenção de voto podem mudar até a data da eleição.



.png)






Comentários