Saúde mental e prevenção ao suicídio: o papel do Setembro Amarelo
- Renata Bueno

- 1 de set.
- 4 min de leitura
Por Renata Bueno, ex-parlamentar italiana e advogada internacional
Setembro é um mês marcado por uma campanha de extrema relevância global: o Setembro Amarelo, uma iniciativa dedicada à conscientização e prevenção ao suicídio. Como ex-parlamentar italiana e advogada, sempre defendi a importância de políticas públicas e ações sociais que promovam o bem-estar e a saúde mental. O suicídio é uma questão de saúde pública que transcende fronteiras, afetando pessoas de todas as idades, gêneros, culturas e classes sociais. No Brasil e no mundo, a campanha Setembro Amarelo se destaca como a maior iniciativa antiestigma, trazendo à tona um tema que, por muito tempo, foi envolto em tabus e silêncio.

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado oficialmente em 10 de setembro, é o marco central da campanha, mas suas ações se estendem por todo o ano. Com o lema, “Se precisar, peça ajuda!”, a campanha reforça a mensagem de que buscar apoio é um ato de coragem e pode salvar vidas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente em todo o mundo, sendo a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, os números são alarmantes: cerca de 14 mil casos são registrados por ano, o equivalente a 38 pessoas por dia. Esses dados, muitas vezes subnotificados, evidenciam a urgência de ações preventivas e de conscientização.
A importância do Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo, iniciado no Brasil em 2015 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV), tem como objetivo principal romper o estigma associado à saúde mental. Falar sobre suicídio ainda é um desafio em muitas sociedades, mas o silêncio só perpetua o sofrimento. A campanha busca incentivar o diálogo aberto, a escuta ativa e a empatia, mostrando que é possível prevenir o suicídio por meio da informação, do acolhimento e do acesso a tratamentos adequados.
Como advogada, entendo que a prevenção ao suicídio não se limita à esfera da saúde, mas também exige esforços conjuntos de governos, organizações, comunidades e indivíduos. Políticas públicas que garantam acesso universal à saúde mental, como as oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, são fundamentais. Além disso, é crucial que a sociedade como um todo se engaje em ações que promovam a valorização da vida e a redução do estigma em torno dos transtornos mentais.
Um chamado à ação
O lema “Se precisar, peça ajuda!”, é um convite direto para que as pessoas em sofrimento emocional busquem suporte, seja com amigos, familiares ou profissionais de saúde. A mensagem também é um lembrete para que todos nós estejamos atentos aos sinais de quem está ao nosso redor. Mudanças de comportamento, isolamento social, expressões de desespero ou perda de interesse em atividades rotineiras podem ser indicadores de que alguém precisa de ajuda. A escuta ativa, sem julgamentos, e o incentivo para buscar ajuda profissional, como um psiquiatra ou psicólogo, são passos cruciais para salvar vidas.
A campanha também destaca a importância de desmistificar o suicídio. Muitas vezes, as pessoas em crise sentem que estão sozinhas ou que seus problemas não têm solução. No entanto, a OMS estima que até 90% dos casos de suicídio podem ser evitados com prevenção adequada, incluindo o diagnóstico e tratamento de transtornos mentais, como depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias.
Prevenção
Como sociedade, todos temos um papel a desempenhar na prevenção do suicídio. Aqui estão algumas ações práticas que podem fazer a diferença:
:: Promova o diálogo: falar abertamente sobre saúde mental ajuda a normalizar a busca por apoio. Seja em casa, no trabalho ou na escola, crie espaços seguros para que as pessoas compartilhem suas emoções.
:: Esteja atento aos sinais: observe mudanças de comportamento em amigos, familiares ou colegas. Ofereça apoio e incentive a busca por ajuda profissional.
:: Divulgue recursos de apoio: no Brasil, o CVV oferece suporte emocional gratuito 24 horas por dia pelo telefone 188, chat ou e-mail. Compartilhar essas informações pode salvar vidas.
:: Apoie políticas públicas: como ex-parlamentar, reforço a importância de leis e programas que ampliem o acesso à saúde mental, como a Lei nº 13.819/2019, que estabelece a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio no Brasil.
:: Eduque e conscientize: participe de eventos, palestras e ações do Setembro Amarelo para disseminar informações responsáveis e combater o estigma.
O papel da sociedade
O estigma em torno da saúde mental é uma das maiores barreiras para a prevenção do suicídio. Muitas pessoas evitam buscar ajuda por medo de serem julgadas ou incompreendidas. Sendo advogada e defensora dos direitos humanos, acredito que é nosso dever coletivo criar uma cultura de empatia e apoio. O Setembro Amarelo nos lembra que cada pequeno gesto, uma conversa, um gesto de acolhimento ou a divulgação de informações, pode ter um impacto significativo.
Iniciativas como as do CVV, que realiza mais de 3 milhões de atendimentos por ano, e as ações do SUS, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), demonstram que o Brasil está avançando na construção de uma rede de apoio psicossocial. No entanto, ainda há muito a ser feito, especialmente em um contexto em que as taxas de suicídio entre adolescentes e jovens estão aumentando.
Entre 2016 e 2021, houve um crescimento de 49,3% nas taxas de mortalidade por suicídio entre adolescentes de 15 a 19 anos, o que reforça a necessidade de ações voltadas para essa faixa etária. Um compromisso contínuo Embora o Setembro Amarelo seja uma campanha sazonal, a prevenção ao suicídio é uma missão que deve ser abraçada durante todo o ano.
Como ex-parlamentar, sempre lutei por iniciativas que promovam a dignidade e o bem-estar das pessoas. A saúde mental é um direito humano fundamental, e todos nós temos a responsabilidade de proteger e valorizar a vida. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando dificuldades emocionais, lembre-se: pedir ajuda é um ato de força. Entre em contato com o CVV pelo telefone 188, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou busque um profissional de saúde mental. Juntos, podemos construir uma sociedade mais acolhedora e resiliente, onde ninguém se sinta sozinho em sua luta.














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