Saúde de Cianorte: quando a fila anda para trás, quem paga a conta é o cidadão
- Marcio Nolasco

- há 2 horas
- 8 min de leitura

A saúde pública de Cianorte volta ao centro das preocupações. Uma nova denúncia encaminhada por morador aponta uma situação grave dentro do sistema municipal: pacientes estariam sendo obrigados a retornar para o fim da fila mesmo após consultas especializadas, enquanto exames já realizados ou ainda válidos não estariam sendo devidamente aproveitados no fluxo de atendimento.
Se confirmada, a denúncia revela mais do que um problema burocrático. Revela uma possível falha estrutural de gestão, capaz de gerar desperdício de dinheiro público, atraso no diagnóstico, sofrimento prolongado para pacientes e desorganização em uma das áreas mais sensíveis da administração municipal.
Por Marcio Nolasco - Analista e Políticas Públicas - ENAP

A engrenagem que pune o paciente
Segundo o relato, a Secretaria Municipal de Saúde estaria liberando retornos de consultas sem liberar automaticamente os exames necessários. Com isso, o paciente vai à consulta, recebe encaminhamento, mas não consegue completar o ciclo de atendimento. O resultado é previsível: volta para a fila, espera novamente e perde tempo.
Em outros casos, ainda conforme a denúncia, o problema seria inverso: os exames estão liberados ou já foram realizados, mas a consulta de retorno não é autorizada dentro do prazo adequado. O detalhe é importante. Muitos exames possuem validade clínica por quatro ou seis meses. Quando esse prazo vence, o paciente pode ser obrigado a repetir tudo.
Isso significa mais gasto para o município e mais sofrimento para quem depende do SUS.
Reclamação de cidadão:

Atenção: Nossa equipe entrou em contato com as autoridades públicas de Cianorte e também com a Secretária de Saúde do Município, más ninguém até o momento se manifestou... preferindo o silêncio!

A pergunta é simples: quem está controlando esse fluxo?
Porque saúde pública não funciona apenas com consulta marcada. Saúde pública exige continuidade, planejamento, regulação eficiente, acompanhamento de prazos e integração entre exames, especialistas e retornos médicos.
Quando uma dessas etapas falha, todo o sistema começa a empurrar o cidadão de volta para o início da fila.
O custo da desorganização
O problema não é apenas administrativo. É humano.
Atrás de cada exame vencido existe uma pessoa esperando resposta. Atrás de cada retorno não autorizado existe uma mãe preocupada, um idoso aguardando diagnóstico, um trabalhador perdendo dias de serviço, uma família tentando entender por que o sistema não consegue concluir aquilo que ele mesmo começou.
Quando uma consulta é realizada sem que o exame necessário esteja garantido, o atendimento vira procedimento incompleto.
Quando o exame está pronto, mas o retorno não acontece a tempo, o dinheiro público investido naquele exame pode ser desperdiçado.
E quando isso se repete em escala, não estamos falando de caso isolado. Estamos falando de possível falha de gestão.
A denúncia afirma ainda que boa parte das consultas e exames não estaria sendo aproveitada porque os pacientes não estariam sendo avisados corretamente. Se isso procede, estamos diante de outro ponto crítico: comunicação pública deficiente.
Não adianta a administração afirmar que o atendimento existe no papel, se na prática o cidadão não recebe a informação necessária, perde prazo, perde consulta ou é jogado novamente para o fim da fila.
Exemplo de Desorganização:
O Prefeito Marco Franzato, soltou nas redes sociais vídeo onde ele e a equipe saúde falam para a população sobre nova gestão na saúde, liberações de exames, novas pessoas contratadas para gestão de saúde pública, troca de sistema que que esse portal de notícias por várias vezes informou que os números não eram verdadeiros sobre as filas, etc... um mundo perfeito e todo lindo. Só esqueceram de informar ao prefeito que agora, neste momento atual, a gestão da saúde de Cianorte ainda esta com problemas e parece que não tem gente competente para analisar, exemplo verdadeiro disso é liberar por várias vezes um Exame de Risco Cirúrgico para um cidadão que JÁ REALIZOU cirurgia em janeiro/2026, já fez exames pós-operatório e querem liberar NOVAMENTE o primeiro exame de risco cirúrgico!!! um erro operacional grave que gera filas, má administração de recursos públicos e libera exame pra quem já não tem mais necessidade, deixando quem realmente precisa sem fazer o exame... isso a Secretaria de Saúde e o Prefeito Marco Franzato não respondem e não falam para a sociedade: veja a prova dessa situação, um paciente que já fez cirurgia e já fez pós-operatório, agora entram em contado avisando que esta tudo liberado novamente, como é isso, é a administração perfeita do melhor prefeito que Cianorte, o Paraná e o Brasil já teve?
Liberação de exames que paciente já realizou 5 meses antes!!!
O paciente aqui no exemplo, já fez cirurgia em janeiro/26, já fez pós-operatório e já esta tudo ok com ele, agora tem liberado NOVAMENTE todos os procedimentos para junho/26. Quem administra hoje isso na Secretaria de Saúde de forma errada? Que gestão da saúde é essa?
Creio aqui sem dúvida alguma que a gestão da saúde publica municipal não esta informando a verdade para nosso prefeito, é fato!

Gestão da saúde exige experiência, não improviso
Outro ponto sensível da denúncia envolve mudanças internas na Secretaria Municipal de Saúde. O relato questiona a entrada de novos servidores e chefias sem experiência direta na área da saúde pública ou privada.
É preciso tratar esse tema com responsabilidade. Toda pessoa tem direito de assumir função pública quando cumpre os requisitos legais. Porém, cargos estratégicos em saúde exigem conhecimento técnico, experiência administrativa e compreensão profunda do funcionamento do SUS.
A saúde municipal não é uma empresa comum.
Não se administra fila de exames como se administra estoque de produto.
Não se organiza retorno médico como se organiza agenda comercial.
Não se lida com pacientes como se fossem números em planilhas.
A Secretaria de Saúde é uma das estruturas mais complexas de qualquer município. Envolve regulação, atenção básica, urgência, exames, transporte sanitário, medicamentos, equipes multidisciplinares, contratos, protocolos clínicos, pactuações regionais e responsabilidade direta sobre a vida das pessoas.
Por isso, nomeações e mudanças internas precisam ser explicadas com transparência. A população tem o direito de saber quem está tomando decisões, qual é a qualificação dessas pessoas, quais critérios foram usados e quais resultados estão sendo entregues.
O risco de transformar a saúde em laboratório político
A denúncia também aponta preocupação com escolhas administrativas recentes e com a possível falta de experiência de parte da nova equipe. Esse é um alerta que não pode ser ignorado.
Quando uma gestão troca quadros sem garantir transição técnica, treinamento adequado e domínio dos processos internos, quem sofre é a população.
A saúde pública não pode virar laboratório de aprendizagem para pessoas indicadas politicamente.
Não pode ser tratada como espaço de acomodação administrativa.
Não pode depender de improviso.
Em uma área onde um erro de fluxo pode atrasar diagnóstico, agravar doença e comprometer tratamento, a falta de experiência não é detalhe. É risco.
E risco em saúde pública tem nome: fila maior, exame perdido, consulta desperdiçada, dinheiro público mal utilizado e paciente abandonado.
A Posição do "Representantes do Povo" - Vereadores
Diante da sucessão de denúncias envolvendo a saúde pública municipal de Cianorte, a pergunta que precisa ser feita aos vereadores é direta: Por qual motivo a Câmara Municipal ainda não abriu uma CPI para investigar, com profundidade, os problemas relatados pela população? Faltam respostas sobre filas, consultas de retorno, exames vencidos, falhas de comunicação, possíveis desperdícios de dinheiro público e mudanças administrativas dentro da Secretaria de Saúde com pessoas inesperientes em gestão pública e de saúde.
Quando o sofrimento do cidadão se acumula e o silêncio oficial se repete, o Legislativo não pode se limitar a discursos e falas e redes sociais como propaganda de vereador boy influencer, nem somente em requerimentos ou manifestações protocolares. A Câmara deve Fiscalizar Profundamente é dever constitucional, não escolha política. Nossa Câmara vai agir quando?
A ausência de uma CPI começa a produzir uma dúvida incômoda na população: existe medo de enfrentar o sistema ou estamos diante de corporativismo político? Porque quando vereadores se calam ou evitam medidas mais firmes diante de denúncias graves, a impressão que fica é de proteção institucional, conveniência partidária ou cálculo eleitoral.
"A saúde pública não pertence ao prefeito, à secretária, aos vereadores ou a grupos políticos. Pertence ao povo. E quando o povo adoece na fila, perde exames, perde consultas e perde esperança, a Câmara tem a obrigação moral e legal de agir." - Marcio Nolasco

As perguntas que a Prefeitura precisa responder
Diante da gravidade da denúncia, a administração municipal e a Secretaria de Saúde precisam dar explicações objetivas à população.
Quantos pacientes aguardam retorno de consultas especializadas em Cianorte?
Existe controle sobre o prazo de validade dos exames realizados?
Os exames são liberados junto com as consultas quando necessários?
Quem é responsável por avisar os pacientes sobre consultas, exames e retornos?
Quantas consultas foram perdidas por falta de comunicação adequada?
Quantos exames precisaram ser refeitos por vencimento de prazo?
Quais critérios técnicos foram usados nas recentes mudanças internas da Secretaria de Saúde?
Os novos servidores e chefias receberam treinamento específico sobre fluxos do SUS, regulação e atendimento municipal?
Essas perguntas não são ataques. São cobranças legítimas.
O dinheiro é público. O sistema é público. A fila é pública. O sofrimento também.

Quando a saúde perde o rumo, a população perde a paciência
Cianorte não pode naturalizar uma saúde em estado permanente de reclamação.
Falta de médicos especialistas, demora em exames, filas extensas, problemas de comunicação, denúncias sobre insumos, questionamentos sobre gestão e agora relatos de retornos e exames sem coordenação adequada compõem um quadro preocupante.
A administração pública precisa entender que saúde não se resolve com discurso, vídeo institucional ou resposta genérica.
Resolve-se com planejamento.
Resolve-se com equipe técnica.
Resolve-se com controle de filas.
Resolve-se com transparência.
Resolve-se com respeito ao paciente.
Se a denúncia não procede, que a Prefeitura apresente dados, documentos e explicações. Se procede, que corrija imediatamente o fluxo, identifique os responsáveis e impeça que o cidadão continue sendo penalizado por falhas administrativas.
O que não pode acontecer é o silêncio.
Porque quando a saúde pública começa a fazer o paciente andar em círculos, a fila deixa de ser apenas uma espera.
Ela se transforma em símbolo de abandono.
E em Cianorte, a pergunta que fica é dura, mas necessária:
A Secretaria Municipal de Saúde está organizando o atendimento da população ou apenas empurrando o problema para o próximo paciente da fila?
O silêncio oficial também comunica
O Portal Bisbilhoteiro.com.br entrou em contato com representantes dos Poderes Executivo e Legislativo de Cianorte, solicitando esclarecimentos sobre os fatos relatados e sobre a condução dos fluxos de consultas, exames e retornos na rede municipal de saúde.
Até o fechamento desta matéria, não houve retorno oficial.
E este silêncio, por si só, já se tornou parte do problema.
Esta não é a primeira, nem a segunda ocasião em que a gestão pública municipal opta pelo silêncio diante de questionamentos legítimos da imprensa e da população. Em uma administração que deveria se orientar pela transparência, pela publicidade dos atos públicos e pelo respeito democrático ao cidadão, a ausência de resposta deixa de ser apenas descortesia institucional. Passa a representar uma postura política preocupante.

Ao entendimento de grande parte da população, quem se cala diante de uma denúncia grave acaba consentindo, ainda que indiretamente, com a existência do problema ou com a incapacidade de enfrentá-lo de forma pública e responsável.
A administração pública não pertence aos gestores de plantão. Pertence ao cidadão. E seus atos devem obedecer aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Quando o poder público é provocado a explicar uma falha que pode atingir diretamente pacientes, exames, consultas e o dinheiro público, a resposta não é favor. É dever.
O silêncio oficial fere a transparência, enfraquece o controle social e amplia a desconfiança da população.
Porque, em uma democracia, gestão pública que não responde não presta contas. E gestão pública que não presta contas se afasta perigosamente do interesse coletivo que jurou defender.














Comentários