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Reféns do "like".

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.

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O “sistema” foi bem desenhado; um poder, símbolo da moderação e do diálogo, atuando em sintonia com um poder executivo e outro com poderes jurídicos para limitar e julgar excessos. O problema é que todos os três poderes são comandados por seres humanos, sujeitos às tentações da carne, com a vaidade, o poder e o ouro disputando espaço cotidianamente com o bom senso e o interesse coletivo. Todavia, a grande dopamina desta estrutura é o “like”.


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Por mais impactante que seja a pauta, a impressão ao olhar para o plenário em dias de tensão lembra muito mais um grande circo dos likes, talvez uma versão política de um reality show, onde nobres deputados e senadores abandonam a liturgia do local e se esmeram em produzir post dignos dos melhores influencers, especializados em temas políticos.


O acesso ao microfone, a participação efetiva no debate, com contribuições efetivas são limitadas, mas o post polêmico ou bem-produzido está a um clique dos nossos representantes, produzindo um verdadeiro ouro de tolo da era digital; o like. Dessa forma, o circo dos likes atinge as redes e os internautas em processo interminável de retroalimentação que constrói ídolos de terno e gravata, resulta em prestígio, mas segue desfocada da sua real atribuição; a atuação parlamentar.


Não há dúvidas que a performance nas redes tem prioridade sobre as pautas nacionais porque o consumo digital não discute conteúdo, mas exige diversão em sessenta segundos. Lógico que muitos, no mesmo ambiente, vestem a camisa do interesse público, se alinhando aos interesses coletivos, embora sejam notória minoria, superados pelas relações pessoais, pelos lobbies lícitos e ilícitos ou pela pressão do chefe do executivo, simplesmente porque o verdadeiro patrão optou apenas pelas curtidas e eventuais comentários vazios e focados no filtro definido pelo pop star político.


Exatamente neste ponto, por mais tortuoso que seja o caminho, que se aponta para um atalho que “enquadra” os influencers políticos, funcionando como um botão de emergência que cessa a miopia seletiva e exige respostas instantâneas do teatro político. De repente, descobrimos que o grito das ruas é ainda mais forte que o conjunto de likes porque tem o poder inclusive de gerar um tsunami de notificações que inundam a caixa de entrada de todos os gabinetes e explodem no ouvido do parlamentar que, de imediato, trocam o paletó pelo colete de defensor público número 1.


A voz das ruas não é apenas um comentário desagradável na timeline, mas uma sirene que ecoa nas ruas e exige que os influencers abandonem o celular e apertem o botão indicado pelo grito das urnas. O detalhe ainda mais impactante é que o calendário funciona como botão de volume, aumentando os decibéis com a proximidade das eleições.


O calendário também mexe com o coração dos nossos representantes influencers que, durante um período limitado, trocam a paixão pela telinha do celular pelo botão de confirma das urnas eletrônicas porque se o “like” é o chocolate do político, as urnas são uma verdadeira overdose de dopamina, com o poder de alterar, por curto período, a atuação e a postura das nossas estrelas das redes.


Se conseguimos traduzir o comportamento do nosso representante, com a eficiência que se esperava deles para entenderem nossas demandas, talvez o caminho dos grupos de pressão mudasse de endereço, bastando observar os fatos mais recentes.


Nossos deputados cometeram a PEC da Blindagem, uma afronta aos eleitores brasileiros, e só recuaram porque o grito das ruas explodiu como uma bomba no plenário, exigindo imediata e constrangida revisão, inclusive com pedidos de desculpas, em momento raro onde o patrão eleitor exerce o seu real poder. Ainda como efeito secundário, sepultando a anistia com endereço e CEP de Jair Bolsonaro, permitindo concluir que a senha está liberada para todos.


A conclusão óbvia é que o povo não é a audiência passiva, mas o gênio da lâmpada que, quando esfrega o asfalto com força, faz com que seus desejos, regados com decência e justiça social, sejam a real trending topic do dia, produzindo muito mais que o milagre das likes, mas conduzindo a quase totalidade dos nossos políticos pela mão até o botão que garantiu a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais, transferindo esta conta para o andar de cima, resultando em algo completamente imprevisível; o andar de cima, onde se acomodam 99% dos nossos deputados, vão pagar a conta de um pequeno afago na justiça social, reduzindo a incrível distância entre pobres e milionários no Brasil, campeão de desigualdade social.


Parece óbvio que achamos um caminho para ajustar nossos anseios com a ação dos narcisos de tela na mão que desfilam no plenário da Câmara, mostrando que este verdadeiro palco de stand-up político, pode ser direcionado pelos decibéis que chegam das ruas.


Permita-me conduzir um raciocínio bem simples; se a maneira mais eficaz de garantir sintonia entre os anseios do eleitor e a ação dos nossos representantes seja o grito das ruas, não seria a hora engajamento em algo que facilitaria a nossa missão; o voto distrital, puro ou misto.


A lógica é cristalina; se só nos ouvem quando gritamos, o voto distrital elegeria representantes muito mais próximos do eleitor, permitindo até mesmo que se falasse ao ouvido do representante eleito, uma solução eficiente, democrático e que limitaria o poder financeiro.


O voto distrital parece ser a solução mais eficaz para arrumar a bússola quebrada da classe política, que só aponta pra seus interesses e a popularidade, exigindo que se direcionem ao “norte” apontado pelas ruas.



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