Recordes da Copa do Mundo: quando o perigo vem de todos os lados
- Bisbi Esportes

- há 3 horas
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Nas grandes competições internacionais, muitas seleções avançam impulsionadas por um grande astro, um goleador providencial capaz de decidir uma partida sozinho. Pelé, Ronaldo, Zinédine Zidane, Lionel Messi ou Kylian Mbappé frequentemente foram esse craque decisivo em torno do qual tudo se articula.
Mas existe outro caminho, mais raro e por vezes mais temível: aquele em que o perigo pode vir de todos os lados, em que o adversário nunca sabe exatamente quem marcar.
Na história da Copa do Mundo, apenas três seleções levaram essa lógica ao extremo. A França em 1982, a Itália em 2006 e a Bélgica em 2018 conseguiram ter dez atletas diferentes que balançaram as redes em uma mesma edição. É um recorde que evidencia equipes completas, imprevisíveis, capazes de marcar gol por qualquer área do campo e em todos os momentos decisivos da competição.
França 1982: o surgimento de uma geração audaciosa
A Copa do Mundo 1982, disputada na Espanha, marcou um ponto de inflexão na história da seleção francesa. Sob o comando de Michel Hidalgo, a França assumiu um futebol ofensivo e solto, longe de qualquer postura conservadora. Muito cedo no torneio, a diversidade de ameaças saltou aos olhos. Derrotada pela Inglaterra (3x1) na estreia, a equipe tricolor ainda assim desencantou com o gol de seu atacante Gérard Soler.
Diante do Kuwait (4x1), essa riqueza coletiva se expressou plenamente. Quatro jogadores diferentes que marcaram gol — Bernard Genghini, Michel Platini, Didier Six e Maxime Bossis — foram sinais de uma equipe em que os papéis se misturavam e em que todos eram capazes de concluir as jogadas. A segunda fase apenas confirmou essa tendência. Genghini voltou a aparecer contra a Áustria (1x0), depois Alain Giresse e Dominique Rocheteau, com dois gols cada, desmontaram a defesa da Irlanda do Norte (4x1). A França atacava por todos os lados, sem jamais se apoiar em um único jogador.
A semifinal contra a Alemanha Ocidental, que entrou para a lenda, foi mais uma demonstração dessa identidade coletiva. Em desvantagem e depois irresistíveis na prorrogação, os franceses viram Platini, Marius Trésor e Giresse marcarem os gols de uma partida que se tornou mítica (3x3 a.p. e derrota por 5 a 4 nos pênaltis). Na disputa pelo terceiro lugar contra a Polônia (3x2), René Girard e Alain Couriol completaram a lista dos dez jogadores que balançaram as redes. No final, a França terminou em quarto lugar naquele Mundial, com uma geração audaciosa e marcante, cujos resultados não refletem plenamente o talento.
Os 10 jogadores da França que marcaram gol na Espanha 1982: Alain Giresse (3), Bernard Genghini (2), Michel Platini (2), Dominique Rocheteau (2), Didier Six (2), Maxime Bossis, Alain Couriol, René Girard, Gérard Soler, Marius Trésor.
Itália 2006: o equilíbrio perfeito
Na Alemanha, a Itália conquistou seu quarto título mundial apoiada em uma base defensiva excepcional, mas também em uma distribuição muito bem controlada das responsabilidades ofensivas. Logo na estreia contra Gana, Andrea Pirlo e Vincenzo Iaquinta deram o tom (2x0).
A vitória por 2 a 0 sobre a República Tcheca, com gols de Marco Materazzi e Pippo Inzaghi, confirmou essa capacidade de fazer surgir artilheiros diferentes. À medida em que a fase eliminatória avançou, cada rodada apresentou um protagonista. Francesco Totti decidiu para a Azzurra diante da Austrália (1x0), Gianluca Zambrotta e Luca Toni fizeram a diferença contra a Ucrânia (3 a 0), antes de a semifinal contra a Alemanha (2 a 0 a.p.) se tornar um exemplo de sangue-frio e domínio tático. Fabio Grosso e, depois, Alessandro Del Piero marcaram na prorrogação, no momento em que a pressão era máxima.

Na final contra a França, mais uma vez foi um defensor, Materazzi, quem respondeu à abertura do placar dos franceses (vitória por 5 a 3 nos pênaltis após empate por 1 a 1). A disputa de pênaltis consagrou uma equipe coesa, disciplinada e profundamente coletiva. Dez jogadores diferentes que balançaram as redes e, ao fim do caminho, um título mundial construído sobre equilíbrio e constância.
Os dez jogadores da Itália que marcaram gol na Alemanha 2006: Andrea Pirlo, Vincenzo Iaquinta, Alberto Gilardino, Marco Materazzi (2), Pippo Inzaghi, Francesco Totti, Gianluca Zambrotta, Luca Toni (2), Fabio Grosso, Alessandro Del Piero.
Bélgica 2018: a geração de ouro
A Copa do Mundo de 2018 representou a consagração da geração de ouro da Bélgica. Já na fase de grupos, os Diabos Vermelhos exibiram um poder ofensivo impressionante. O Panamá foi dominado com autoridade (3 a 0), graças a Dries Mertens e Romelu Lukaku, antes de um coletivo inspirado superar a Tunísia, com Eden Hazard, Lukaku e Michy Batshuayi na conclusão das jogadas (5x2).
O último jogo do grupo contra a Inglaterra viu Adnan Januzaj assumir o papel de herói inesperado (1 a 0). Nas oitavas de final, contra o Japão, a Bélgica esteve perto da eliminação antes de reverter um cenário adverso (3 a 2). Jan Vertonghen, Marouane Fellaini e Nacer Chadli simbolizaram então essa capacidade de encontrar soluções além de suas estrelas ofensivas.

As quartas de final contra o Brasil ilustraram perfeitamente essa variedade. Um gol contra de Fernandinho, seguido de um chute magistral de Kevin De Bruyne, colocaram a Bélgica entre os quatro melhores (2x1). Derrotados pela França (1x0) na semifinal, os comandados de Roberto Martínez encerraram a campanha com seriedade ao vencer a Inglaterra por 2 a 0 na disputa pelo terceiro lugar, com gols de Thomas Meunier e Hazard.
Ao terminar em terceiro, os belgas alcançaram o melhor resultado de sua história em uma Copa do Mundo, desfecho lógico de uma geração que chegou à plena maturidade coletiva.
Os 10 jogadores da Bélgica que marcaram gol na Rússia 2018: Dries Mertens, Romelu Lukaku (4), Eden Hazard (2), Michy Batshuayi, Adnan Januzaj, Jan Vertonghen, Marouane Fellaini, Nacer Chadli, Kevin de Bruyne, Thomas Meunier.













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