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RATINHO NÃO CONSEGUE FAZER SANDRO ALEX DECOLAR. MAS QUAL GOVERNADOR FEZ SEU SUCESSOR NO PARANÁ?

há 1 hora
5 min de leitura

A história eleitoral do Paraná mostra que transferir o poder de um governador para seu escolhido nunca foi uma tarefa simples — e Sandro Alex agora enfrenta exatamente esse desafio

Existe uma pergunta incômoda rondando a atual eleição para o Governo do Paraná:

Por que é tão difícil um governador paranaense eleger o próprio sucessor?


Por Marcio Nolasco


A dificuldade de Ratinho Junior, do PSD, em transformar Sandro Alex em uma candidatura dominante recoloca sobre a mesa uma característica bastante conhecida da política paranaense: governadores conseguem administrar, construir obras, formar grupos políticos e acumular força institucional. Mas, quando chega a hora de transferir esse patrimônio eleitoral para outro nome, a história costuma ser bem diferente.



E talvez o passado explique parte do presente.


Desde a redemocratização, o Paraná passou por diferentes ciclos políticos, mas são poucos os exemplos de uma transferência direta e inequívoca de poder de um governador para um sucessor escolhido por ele.


O CICLO DO PMDB


A redemocratização produziu um dos períodos mais impressionantes de continuidade política no Paraná.


Em 1982, José Richa venceu a primeira eleição direta para governador depois de 16 anos sem eleições estaduais diretas. O PMDB conquistou o Palácio Iguaçu com uma votação expressiva. O pleito marcou o retorno das eleições diretas e a consolidação do partido como principal força de oposição ao regime militar.


Quatro anos depois, Álvaro Dias foi eleito governador pelo PMDB.


Em 1990, Roberto Requião também venceu pelo partido.


Foram três governadores eleitos consecutivamente ligados ao PMDB: José Richa, Álvaro Dias e Roberto Requião.


Mas é preciso fazer uma distinção: isso não significa necessariamente que cada governador tenha simplesmente escolhido seu sucessor e transferido votos para ele. Havia, naquele período, uma força partidária muito maior e uma conjuntura política específica.


O que existia era um ciclo partidário.


E ciclos partidários são diferentes de sucessões pessoais.


JAIME LERNER QUEBRA O CICLO


Em 1994, Jaime Lerner rompeu a sequência.


O ex-prefeito de Curitiba derrotou justamente Álvaro Dias e assumiu o Governo do Paraná. Em 1998, conseguiu a reeleição.


Foi uma demonstração de força eleitoral pessoal e de mudança do eixo político do Estado.


Mas Lerner também não conseguiu produzir uma sucessão direta.


Em 2002, Roberto Requião voltou ao poder.


A eleição mostrou novamente uma característica da política paranaense: o eleitor não necessariamente acompanha o projeto de continuidade desenhado pelo governador que está deixando o cargo.


REQUIÃO TAMBÉM TENTOU


Em 2010, Roberto Requião deixou o governo para disputar o Senado e apoiou Osmar Dias na disputa pelo Palácio Iguaçu.


A estratégia, entretanto, não funcionou.


Quem venceu foi Beto Richa.


Mais uma vez, o governador que deixava o cargo não conseguiu simplesmente transferir seu capital político para o candidato escolhido.


E Beto Richa acabaria reeleito em 2014, derrotando novamente Requião.


E ENTÃO CHEGAMOS A 2018


Aqui está uma das histórias mais curiosas.


Beto Richa havia sido governador por dois mandatos, mas deixou o cargo antes do fim para disputar uma vaga no Senado. Sua vice, Cida Borghetti, assumiu o Governo do Paraná.


Na eleição daquele ano, Cida disputou a permanência no cargo.


Ratinho Junior, entretanto, venceu no primeiro turno com quase 60% dos votos válidos, enquanto Cida ficou em segundo lugar.


Portanto, chamar Ratinho simplesmente de “sucessor de Beto Richa” seria uma simplificação.


Havia, sim, uma relação política entre Ratinho e o grupo que governava o Paraná naquele período. Mas a vitória de 2018 foi construída por uma candidatura própria, com ampla aliança partidária e forte desempenho eleitoral.


E há outro detalhe fundamental: Beto Richa não estava mais no Palácio Iguaçu durante aquela eleição.


Por isso, 2018 não pode ser usado como exemplo clássico de um governador elegendo diretamente o seu sucessor.


AGORA É A VEZ DE RATINHO


É justamente por isso que 2026 se tornou um teste político particularmente interessante.


Ratinho Junior construiu durante dois mandatos uma máquina política robusta, uma ampla base partidária e uma presença forte no interior do Paraná.


Agora, porém, precisa transformar esse capital político em votos para outro candidato.


E esse é um processo completamente diferente.


O candidato é Sandro Alex, também do PSD.


E os números disponíveis em setembro mostram uma disputa ainda aberta, mas sem que Sandro Alex apareça isolado na liderança.


Na pesquisa RealTime Big Data divulgada em 21 de setembro, Sergio Moro aparece com 35%, Sandro Alex com 27% e Requião Filho com 22%. O levantamento entrevistou 1.600 eleitores entre 11 e 15 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.


Já pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 18 de setembro apontou Moro com 44,7%, Requião Filho com 23% e Sandro Alex com 19,7%. Foram entrevistados 1.280 eleitores entre 15 e 17 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.


Os levantamentos, portanto, apresentam fotografias diferentes, mas convergem em um ponto factual: Sandro Alex ainda não transformou o apoio do governador em uma liderança isolada nas pesquisas.


O PROBLEMA É SANDRO ALEX OU A SUCESSÃO?


Essa talvez seja a pergunta mais importante.


Porque a dificuldade pode não estar exclusivamente no candidato.


Pode estar na própria lógica da política paranaense.


Governador tem estrutura.


Tem secretarias.


Tem prefeitos aliados.


Tem deputados.


Tem obras.


Tem publicidade institucional.


Tem presença política nos municípios.


Mas eleição para governador é uma disputa estadual, e o eleitor não necessariamente vota para manter o grupo que está no poder.


O eleitor pode reconhecer uma administração e, ao mesmo tempo, escolher outro candidato para governar.


É justamente aí que mora o desafio de Ratinho.


Ele não está disputando apenas uma eleição para seu partido.


Está tentando responder a uma pergunta histórica:


um governador do Paraná consegue, finalmente, transferir seu capital político para um sucessor escolhido por ele?


Até agora, a história do Estado mostra que isso é muito mais difícil do que parece.


O PMDB conseguiu manter um ciclo partidário nos anos 1980 e início dos anos 1990.


Lerner conseguiu a reeleição.


Requião voltou ao governo.


Beto Richa também conseguiu permanecer por dois mandatos.


Mas uma coisa é vencer uma eleição para si.


Outra, completamente diferente, é entregar a faixa para alguém escolhido por você.


E é exatamente essa segunda missão que Ratinho Junior enfrenta em 2026.


A ELEIÇÃO QUE PODE REESCREVER A HISTÓRIA


Se Sandro Alex vencer, Ratinho Junior terá algo que poucos governadores paranaenses conseguiram demonstrar de forma inequívoca: a capacidade de transformar a própria força eleitoral em continuidade política.


Se não vencer, a história terá mais um capítulo mostrando que, no Paraná, governador forte não significa necessariamente sucessor eleito.


E talvez essa seja a verdadeira disputa por trás da eleição de 2026.


Não é apenas Moro contra Sandro Alex.


Não é apenas Requião Filho contra o PSD.


É também uma disputa silenciosa entre continuidade e transferência de poder.

Porque governar é uma coisa.


Fazer o sucessor é outra.


E a história eleitoral do Paraná, até aqui, mostra que a segunda tarefa costuma ser muito mais difícil.

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